quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mais um texto sobre o Steve Jobs, nem leiam.


Ok, está todo mundo falando do Steve Jobs, como ele mudou tudo e blá blá blá, mas a história dele e da Apple é tão mais interessante do que o que tá saindo nos jornais e na TV. Eu só escuto falar do iPhone e do iPad e do iPod, mas a maioria das pessoas não tem noção de como ele mudou tudo o que veio antes, e que a minha geração nem sabe, porque nem tinha nascido.

Até os anos 70, computadores funcionavam por comandos de texto, eram para poucas pessoas. Steve Jobs criou o primeiro computador que podia ser operado por qualquer um. Eu estava lendo um artigo da New Yorker, onde tinha entrevistas com pessoas que trabalharam com ele no início da carreira. O artigo conta que a primeira empresa a projetar um computador com interface visual foi a Xerox. Era só um protótipo, e custava uma fortuna. Era o primeiro computador com mouse, que custava 300 dólares e quebrava em duas semanas. Era possível clicar em ícones para abrir menus, simples assim. Steve Jobs visitou o laboratório e, ao contrário da Xerox, percebeu o potencial da idéia.

Já ouvi dizer muito que o Jobs roubou a idéia da Xerox (e o Bill Gates também), mas a verdade é que ele pegou o conceito e desenvolveu para transformar em um produto de sucesso. É o que ele sempre faz: o iPhone não tem nenhuma grande tecnologia inédita criada pela Apple: o touchscreen já existia, a câmera, a antena 3G, a placa wi-fi, a memória flash, nada é novidade. O que a Apple fez foi adaptar essas tecnologias em um produto excelente, fácil de usar e, principalmente, acessível. Sim, o iPhone é caro, mas não muito mais caro do que outros smartphones muito inferiores. E ele fez a mesma coisa com o Macintosh: pegou conceitos e tecnologias pra criar algo que as pessoas não sabiam que precisavam.

Steve Jobs não inventou o mouse, mas foi ele quem enxergou o potencial e transformou um protótipo de 300 dólares que quebrava em duas semanas em um produto de 15 dólares que durava anos. Se alguém não entende a importância disso, nem deveria estar usando um computador. A combinação entre uma interface visual e um mouse foi o passo decisivo para a popularização do computador.

Steve Jobs não era um inventor, era um visionário, e também um excelente executivo, que consegue fazer dar certo produtos que todo mundo já tinha tentado e falhado (o tablet existe há mais de década, um eterno fracasso até o iPad). Mas agora olha, eu admiro o cara, entendo a importância dele e uso os produtos da Apple, mas o pessoal anda fazendo umas homenagens aí como se o cara fosse Deus, ou, pior ainda, John Lennon. Menas. Me-nas.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Campanha da ATEA

Se vocês não vivem em Marte, já devem ter ouvido falar que uma tal de ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – não me perguntem como eles chegaram na sigla) planejava fazer uma campanha publicitária para combater o preconceito a ateus. Pros que vivem em Marte, a campanha é baseada em uma semelhante que aconteceu em Londres, com a participação do Dawkins e tudo:

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Pictured above: Satan.

Em seu site, a ATEA diz que o objetivo da campanha não é fazer uma “desconverssão em massa”, mas sim diminuir o preconceito contra ateus, o que é uma ótima idéia. Mesmo assim, ninguém precisa ser publicitário pra perceber que as peças que eles pretendiam veicular não só são de um mau gosto terrível, mas também não têm nada a ver com o objetivo proposto.

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Sério, olhem as peças. Olhem. A do World Trade Center deixa implícito que a religião islâmica como um todo (e não só alguns malucos) são responsáveis pelos atentados de 11 de setembro. Basicamente, o que a peça diz é que a crença de mais de um bilhão de pessoas é reponsável pelos atentados terroristas, e não só uns poucos desajustados. É inacreditável que uma organização que queira combater o preconceito queira veicular uma peça assim.

A peça do canto inferior esquerdo, com os dizeres “A fé não dá respostas. Só impede perguntas” é um ataque direto às religiões. É uma mensagem que em nenhum momento tenta combater o preconceito. Ao invés disso, faz exatamente o que a ATEA disse que não queria fazer: desconverter as pessoas. Concordar ou não com o argumento proposto é irrelevante: essa peça prega exatamente o oposto da tolerância.

É vergonhoso que uma associação que luta contra o preconceito religioso tente fazer uma campanha atacando religiões. Eu sei que provavelmente a intenção deles foi boa, mas é difícil acreditar que, em determinado momento, alguém achou que vincular a religião ao Hitler era uma boa idéia para que os religiosos passassem a respeitar os ateus. Em um escritório, participantes de uma reunião concluíram que comparar a religião a uma prisão daria uma excelente peça contra o preconceito religioso.

Por mais que eu tenha nojo dessa censura que não deixou as peças serem veiculadas, eu não consigo evitar sentir um pouco de alívio por essa campanha não ter ido pras ruas. Qualquer indivíduo com meio cérebro pode perceber que o resultado direto disso seria um aumento do preconceito contra ateus. Profissionalmente, essa campanha é fruto de uma incompetência quase sem precedentes. Pessoalmente, eu sinto vergonha pelo fato de uma associação que supostamente me representa tentar fazer uma campanha dessa maneira. É uma pena que uma idéia tão boa e necessária tenha terminado assim.

sábado, 16 de outubro de 2010

Cow Parade

Daí, caso alguém viva em outro mundo, chegou em Porto Alegre a Cow Parade, exposição em que manequins de vacas são pintados e modificados por artistas locais e distribuídos pela cidade. A proposta é a “interação com a comunidade”, no sentido de que as vacas estão ali, e as pessoas olham, interagindo loucamente.

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Eu já tinha visto a Cow Parade em São Paulo e no Rio, uns anos atrás, e, apesar de algumas das obras serem bonitas, não achei nada demais. Quer dizer, não é como se houvesse uma grande proposta artística por trás da mostra. É mais algo como: “Aê, galera, vamos pintar as vacas e largar pela cidade”. Nada contra, é divertido e algumas das vacas são legais e tal, mas né.

Mas daí eu vi algumas vacas daqui de Porto Alegre. Temos várias obras impactantes, com propostas conceituais e inovadoras como: a vaca da Coca-Cola; a vaca da Zero-Hora; a vaca da DCS; a vaca da Mu-Mu; a vaca do Inter; a vaca da rádio Guaíba. Não tenho nada contra essas marcas,. inclusive, viciado em Coca-Cola que sou, até aprecio algumas. Mas daí a montar uma mostra de “arte” e deixar que as peças sejam feitas por empresas, sem qualquer critério, é outra história.

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E os artistas locais, onde estão? Porque essas vacas corporativas nem ao menos são feitas pelo pessoal daqui, elas são feitas por estúdios de design. Elas não possuem nenhuma proposta além da pura e simples propaganda. Tá que eu sou publicitário, ou quase, mas vamos chamar as coisas pelos nomes, né? A vaca da DCS tem uma juba de leão, e é intitulada Vacannes, em referência ao prêmio de Cannes, cujo símbolo é um leão. Ela é toda cinza.

Sem mais.

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Pictured above: Cow-art.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A State of Mind

Assisti hoje um documentário fantástico, tão bom que até resolvi comentar aqui depois de alguns meses sem postar nada. O nome é A State of Mind (o mesmo título do post, pra quem não estava atento), e mostra a vida na Coréia do Norte, filmada por estrangeiros, e não pelo governo.

A State of Mind (2004)

O filme segue a vida de duas garotas, de 11 e 13 anos, e de suas famílias na preparação para o Mass Games, um gigantesco festival coreografado em homenagem ao país e aos líderes. As duas meninas, cujos nomes eu jamais vou conseguir lembrar, não são amostras representativas do povo norte coreano. Pra começar, elas vivem na capital Pyongyang, o que já é considerado um privilégio, já que a cidade, com dois milhões de habitantes, é menos miserável do que o resto do país (eles não usaram essa expressão, mas…). As duas fazem parte de uma elite de crianças com talento para participar das complexas coreografias dos Mass Games, e treinam durante várias horas por dia, após a escola. Uma delas, por seu desempenho excepcional em uma apresentação anterior, havia ganho do Estado uma televisão. Com apenas um canal estatal que só transmite durante cinco horas por dia, possuir a televisão é um enorme privilégio.

Ao contrário do que eu pensei antes de assistir, o filme não foca no fato de o governo norte-coreano ser completamente fora da casinha, mas na vida e nos valores dos habitantes do país. Que eles acreditam que Kim Jong Il é um grande líder que trabalha incansavelmente pelo bem do povo não é novidade, mas é impressionante o espírito de coletividade dos norte-coreanos. O governo prega – e os cidadão praticam – a entrega total do indivíduo à coletividade, e os Mass Games são a demonstração máxima deste estado de espírito. As imagens são impressionantes: são milhares de pessoas ocupando toda a arena de um estádio e mais as arquibancadas, executando sem erros coreografias complicadíssimas, resultado de meses de treinamento. Estima-se que para a preparação de um só destes festivais tenham sido gastos 200 milhões de horas-homem.

As famílias retratadas entendem a importância de desenvolver o espírito coletivo nos seus filhos, e por isso apóiam a participação no festival. A irmã mais velha de uma das meninas estava indo embora aos dezoito anos para servir no exército, e era o orgulho da família. As privações são enfrentadas com plena confiança de que o governo está fazendo tudo o que pode para auxiliar o povo, que acredita piamente que o resto do mundo respeita e admira Kim Jong Il como um grande líder.

O documentário não trata de relações internacionais, política, ou da insanidade do regime fechado norte-coreano. No lugar disso, é uma oportunidade única (literalmente, pois não existe outro registro em filme da vida no país feito por estrangeiros) de enxergar o mundo pelos olhos de pessoas que vivem em uma realidade tão drasticamente diferente da nossa – e que não estão dispostas a trocar com a gente.

Eu pensei em disponibilizar o filme pra baixar aqui mesmo, mas o arquivo é enorme, e eu imagino que todo mundo que lê isso aqui me conhece pessoalmente, então é só pedir. Abaixo, algumas imagens:

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A bandeira ao fundo ocupa toda a lateral de um estádio, e é formada por crianças segurando livros com páginas coloridas. As imagens mudam conforme eles viram as páginas, e a disciplina é tanta que algumas imagens se movem como se fossem um filme.

 

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Os vídeos são muito mais impressionantes do que as imagens.

 

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sábado, 10 de julho de 2010

Jogo de canastra

Fatos verídicos (é sério!):

{Thiago} núuuuu
{Marrentinho} stephany?
{Stephanny} oii
{Marrentinho} o q houve?
{Marrentinho} pq jogou o duque fora?
{Stephanny} o q eu fiiz? rs
{Stephanny} neem seeei
{Stephanny} rs
{Marrentinho} aff
{Marrentinho} ok
{Marrentinho} o 2 eh universal.. pode usar no lugar de qualquer carta
{Marrentinho} mas será um jogo sujo
{Stephanny} eu errei...
{Stephanny} eu sei poo
{Stephanny} eu sei jogar amoor, só coloquei a carta errada.
{Stephanny} desculpa
{Marrentinho} vlw gente
{Marrentinho} pra mim ja deu
{Thiago} aff brother pq?
{Thiago} relaxa... ta tudo sujo aqui tb
{Stephanny} ele tá nervoso? rs
{Marrentinho} ahh num fode
Marrentinho saiu do jogo.
O jogador Marrentinho abandonou o jogo e será punido.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Carmilla

Uma história gótica de horror na qual a antagonista é uma vampira lésbica: poucos livros podem se gabar de ter uma premissa mais interessante e chamativa. Escrito por J. Sheridan Le Fanu e publicado em 1872, Carmilla inventou muito do que se tornou padrão em histórias de vampiro, como a aparência física dos vampiros: altos, magros, com olhos grandes, languidez etc.

Além de servir de inspiração para Lesbian Vampire Killers, o filme britânico do ano passado que pega emprestado até o nome da personagem e que eu ainda não tive saco de ver porque deve ser ruim, Carmilla serviu também de inspiração pra Bram Stoker (o livro foi publicado 25 anos antes de Dracula).

Para os nossos leitores mais pervertidos, vale avisar que a história não consiste emum amontoado de cenas pornográficas, até porque o livro é do século XVII. Na verdade, o lesbianismo da vampira Carmilla é apenas fortemente insinuado, mas ainda assim serviu de inspiração pra todo um subgênero de literatura. Aliás, como geralmente fazem as histórias góticas, o livro mistura romance com terror, e é uma leitura bem curta e divertida.

Infelizmente, só encontrei o original em inglês pela Amazon, e o frete custa mais que o livro. Felizmente, a obra é de domínio pública e pode ser encontrada de graça na internet.

File:Carmilla.jpg

Mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Carmilla

domingo, 11 de abril de 2010

Wuthering Heights

Melhor história de vingança. Ever. Sério.

Ok, começando pelo princípio: Wuthering Heights é o único romance publicado pela Emily Brontë, e os tradutores de Sessão da Tarde que a gente tem por aqui acharam que O Morro dos Ventos Uivantes seria um bom título. Ok que o título é difícil de traduzir, mas, né?

Enfim, o livro conta a história de Heathcliff, um órfão adotado por uma família rica que, após a morte do seu benfeitor, é maltratado por seus descendentes e amigos, com a exceção de sua irmã adotiva. Ele é é apaixonado por Catherine, e ela por ele, mas ela acaba se casando com Edgar Linton, o herdeiro rico da família vizinha.

Entra aqui uma breve explicação: Wuthering Heights é o nome da propriedade onde Heathcliff e Catherine vivem, e Edgar e sua irmã Isabella vivem na propriedade vizinha, Thrushcross Grange, ambas semi-isoladas do mundo.

O fato é que, depois que Catherine se casa com Edgar, Heathcliff foge e só retorna anos depois, quando sua amada está para morrer. Antes de partir, ele havia jurado vingança contra todos os que o haviam maltratado, e principalmente contra os que ele julgava responsável pela morte de Catherine.

Eu não vou dar muitos detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas a vingança de Heathcliff é tão mirabolante e esmagadora que não dá pra descrever brevemente. O personagem é quase uma mistura da maldade do Sauron com a genialidade manipuladora do Cartman. O fato é que não só ele atormenta todos os seus desafetos até a morte deles, ele trama pra se apropriar tanto de Wuthering Heights quanto de Thrushcross Grange, e depois continua torturando e infernizando os descendentes dos desafetos, que são colocados pra trabalhar como empregados nas terras que eram dos seus pais.

Wuthering Heights foi votado em uma pesquisa que eu não me lembro se era do Telegraph ou do Guardian como a melhor história de amor, à frente de Pride and Prejudice, Romeu e Julieta e Jane Eyre. Apesar de ser mau além da possibilidade de descrição, Heathcliff passa a vida inteiro obcecado por Catherine, acreditando que seu espírito ainda esteja perto dele, e vou parar de escrever pra não estragar a história pra ninguém.

Vale a pena ler. Sério. E o que é melhor, a edição vagabunda em inglês custa só R$ 7 na Cultura.

sábado, 3 de abril de 2010

The US vs John Lennon

Então o Arteplex decidiu exibir esse documentário de 2006, do qual eu nunca tinha ouvido falar, e que resolvi assistir só porque, né, John Lennon, e os filmes que tão no cinema agora ou parecem ser chatos, ou eu já vi, ou ainda ambos.

A proposta do filme é contar a história da batalha judicial entre John Lennon e a imigração americana, que queria deportá-lo dos EUA. Por um lado, parece que falta um pouco de foco ao documentário, no sentido de que o filme parecia mais um emaranhado de cenas isoladas exibidas em seqüência. Por outro, nos mostra um lado que hoje é pouco lembrado do John, e, principalmente, contextualiza episódios famosos envolvendo o ex-Beatle.

John e Yoko ficaram famosos nos anos 70 pelos protestos pela paz, e protagonizaram episódios como a Bed In Week, onde ambos passaram uma semana na cama em favor da paz, dando entrevistas pra jornalistas que achavam que eles eram loucos. E contando assim, parecem mesmo, quer dizer, passaram uma semana na cama pela paz, hm…

E é aí que está o mérito do filme: o documentário explica a tensão nos EUA durante a guerra do Vietnã, que realmente dividiu a população americana, em um ambiente que ainda estava sendo agitado por movimentos como os Black Panthers. Enquanto Lennon estava vivendo em NY, o país se dividia entre os conservadores, liderados por Nixon, que buscava a reeleição, e os jovens que protestavam contra a guerra e contra a repressão violenta a manifestações pacíficas.

Ao contrário de outros músicos que cantavam contra a guerra, John Lennon usava toda a sua influência e dinheiro para pedir o fim da guerra no Vietnã. Ao contrário de bandas como os Rolling Stones, que cantavam as músicas, ganhavam dinheiro e iam pra casa, o John fazia amizade com líderes revolucionários, promovia passeatas e shows contra o governo Nixon, que realmente começou a se irritar.

Então o filme conta a história de Bob Sinclair, que recebeu pena de mais de nove anos de prisão de segurança máxima por ter oferecido dois baseados a uma policial undercover. Vários artistas, incluindo Lennon, fizeram manifestações e um grande show pedindo a libertação de Sinclair e, um dia depois, conseguiram. Foi aí que o governo Nixon viu a influência do John, e resolveu tomar medidas pra tirá-lo do país, sob falsos pretextos. O advogado do casal Lennon, que deu entrevistas para o documentário, fazia apelação atrás de apelação e prorrogou a deportação por um bom tempo. Quando Nixon conseguiu se reeleger, o governo perdeu o interesse pelas atividades de Lennon, mas o advogado ainda levou dois anos pra vencer o processo contra o departamento de imigração.

Apesar de se focam em John Lennon, o documentário mostra a atmosfera da época, em que o FBI de J. Edgar Hoover tratava pacifistas como inimigos de estado, seguindo-os abertamente pelas ruas e grampeando ilegalmente os telefones, como depois ficou provado que Nixon sabia. Mas também, o Nixon acabou ficando famoso por saber um monte de coisas ilegais…

Mas é incrível a gente perceber que a influência de uma só pessoa pôde deixar o governo americano se borrando de medo, e também o nível de paranóia dos conservadores, tratando pacifistas como inimigos perigosos.

Para que conhece e gosta do trabalho solo do John Lennon, ou pra quem se interessa pela história da época, o filme é muito interessante e vale a pena ser visto, apesar de algumas limitações. A contextualização da época nos dá um melhor entendimento da obra solo de John, inclusive dando um sentido a músicas como Power to the People e Give Peace a Chance, que foi composta apenas pra ser o slogan de uma manifestação em Washington, e que, hoje, solta em compilações, parece um deslize imperdoável pra quem costuma escrever músicas tão boas.

O filme me inspirou pra rever o Anthology dos Beatles, que somam umas doze horas sobre a história da banda, e sobre o qual eu vou postar quando terminar de ver os cinco DVDs.

terça-feira, 30 de março de 2010

Mundo Estranho

Ontem, eu vi um mendigo que ganhou na loteria. Sim, verdade, juro. Eu estava passeando com o Snow (pra quem não sabe, uma fera canina, corajosa e sanguinária), e, sentado na calçada do lado de um mercadinho, estava o dito mendigo, devidamente alcoolizado, com uma pilha de dinheiro jogada no chão do lado dele. Os donos do mercadinho tentavam convencê-lo a guardar o dinheiro, que ele aparentemente tinha ganho em uma raspadinha, sem sucesso: ele chamava os transeuntes para mostrar o monte de dinheiro atirado na sarjeta.

Mais tarde, eu li o manual de instruções de uma panela. Não qualquer panela, no sir, mas uma panela de pressão tão complicada que acompanha um manual de mais de 200 páginas, em sete línguas diferentes, com instruções de uso, procedimentos de segurança, figuras e infográficos. Ela tem duas opções de pressão, indica a temperatura interna e, vazia, deve ser mais pesada que eu.

Se já não tivesse sido um dia estranho o suficiente, eu vi uma loja dedicada apenas à patinação. Não era uma loja dedicada à patinação e a outros esportes. Não era uma loja pequena. Não era uma loja dedicada a crianças, com rollers da Barbie. Não. Em plena Porto Alegre, uma loja enorme, dedicada apenas à patinação profissional, com patins tradicionais e toda a gama de vestimentas e acessórios para patinação.

E nada a ver com nada, mas queria postar isso de noite e a minha internet não estava funcionando. Não são sete da manhã ainda e eu estou aqui escrevendo. ISSO sim que é estranho.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Guilty Unpleasures

Meu último post foi sobre como ateus sofrem mais preconceitos do que outras minorias, com o plus de não estarem organizados em entidades ou grupos de influência. Daí eu pensei que, assim como as pessoas te olham assustadas quando tu diz que não acredita que trabalhar aos domingos é um pecado mortal que conduz diretamente ao mármore ardente dos infernos, existe uma tonelada de outras coisas cuja não aceitação causa pelo menos um olhar torto.

Não falo de coisas sérias, mas mais de bobagens do dia-a-dia. Lady Gaga, por exemplo. Simplesmente não dá pra entender. Só porque a mulher aparece com roupas extravagantes em premiações e coloca insinuações sexuais em tudo o que faz, ela é vista como uma artista subversiva e revolucionária. As músicas dela são o pop mais óbvio e sem vergonha, com refrões grudentos e letras genéricas sobre sexo. Ela é basicamente um update da Britney Spears. É música pra dançar, ou pra ouvir no carro, mas é vergonhoso que exista gente que a considere um ícone da música atual.

Outra coisa que eu não entendo são as pessoas que consideram a Angelina Jolie como a mulher mais bonita do mundo (ou a Megan Fox, que eu acho que é a musa do momento). Sem nem entrar no mérito da boca gigante, é uma beleza de medicina, maquiagem e Photoshop. Eu poderia citar umas 5 ou 10 mais bonitas do que ela, só entre quem eu conheço pessoalmente. E olha que eu nem conheço muita gente. Daí quando eu digo que não acho a Angelina grandes coisas, as pessoas perguntam se eu sou gay.

Outra coisa engraçada é ver a reação das pessoas quando tu diz que O Código da Vinci é um fracasso como literatura e uma piada enquanto romance histórico, sem nem entrar na discussão sobre a adaptação pro cinema.

Tem outro que, apesar de não ser uma opinião mainstream, vai me render xingamento de certas pessoas, incluindo um dos nossos colaboradores: O Senhor dos Anéis, apesar de ser muito legal como fantasia e de ter sido adaptado pro cinema em obras que realmente valem as doze horas das versões estendidas, não entraria jamais em uma top 10 da literatura universal, independentemente dos critérios escolhidos.

Verão, então! É só dizer que não gosta de calor, sol e praia que as pessoas já começam a achar que tu é um vampiro.

Outras coisas que as pessoas me olham estranho quando eu digo que não gosto: U2 (pop rock genérico e chato), festas (a idéia de ficar em um ambiente superlotado, fedendo a cigarro e perdendo a audição com música horrosa e gostar é uma coisa que eu não consigo entender), Seinfeld (não é engraçado), bacon (não é ruim, mas é dispensável), Guaraná (?), vodka (pura ou misturada), motos (não que eu tenha algo contra, mas é um pouco suscetível demais ao clima pro meu gosto), the Sims (chato), Coldplay (todas as músicas são iguais), morango, montanha russa, futebol, chiclete, Dostoyevsky, telefone, maionese, etc.

Ao contrário do conteúdo geral do blog, essas não são coisas que eu acho que não deveriam existir, nem nada assim, mas só coisas das quais é estranho e quase embaraçoso não gostar. Tipo, o contrário de guilty pleasures. Hãn, hãn?, entenderam o título do post?

domingo, 14 de março de 2010

Matérias Dispensáveis na Faculdade: Amoralidades

Admito que estou sob a influência de um péssimo humor e com uma raiva irritante de um professor de ética empresarial que, frustrado pelo fato de ensinar uma disciplina totalmente dispensável e desprezada academicamente pelos alunos e outros professores do curso, simplesmente resolveu ignorar qualquer bom-senso na hora de elaborar o cronograma da disciplina.

Olha que ridículo: são DOIS créditos por semana, e eu tenho que fazer uma resenha de um livro de ética (mesmo que não seja nem remotamente relacionado à Administração de Empresas) que tenha de três a seis páginas (isso infelizmente pressupõe que eu vá ler um livro inteiro de ética durante o
semestre, rá), mais um trabalho em grupo - envolvendo uma empresa e uma pesquisa, no mínimo, extensa - de cinco páginas e ainda trabalhos semanais IMPOSSÍVEIS de serem completados durante o período de aula, pois são dados nos últimos 15 minutos e devem ser "obrigatoriamente" realizados com base em livros de filósofos que, guess what, encontram-se na biblioteca. Claro que, quando ele dá as instruções, já são 22:30, e ir até lá implicaria uma viagem de, no mínimo, 5 minutos através do campus, sendo que a biblioteca fecha às 22:45. Não que passe pela cabeça do professor a idéia de dar meios em aula para que os alunos completem os trabalhos...

A quem possa ler esse post e pensar que eu sou uma preguiçosa, explico: eu pago pra ter essa cadeira. E não é nada barato. Não posso me formar sem cursá-la, bem como Humanismo e Cultura Religiosa. Acontece que são matérias que não agregam nada, profissionalmente falando, não importa o que quem vê de fora possa pensar. E eu não tenho tempo sobrando pra desperdiçar com algo que mais atrasa do que ajuda. A cadeira de cultura religiosa, por exemplo. O professor passa a aula inteira falando sobre como orientar toda a tua vida pro lucro é algo ruim e abominável, e que a pessoa que não dedica sua vida a algum objetivo humanitário vai ser infeliz e desprovida de alma. Ok. Saindo dessa aula, vou direto pra cadeira de orçamento empresarial. Qual a fala do professor lá? "Como vocês sabem, o lucro é algo que gera prazer, via de regra faz as pessoas se sentirem melhores. A nossa cadeira é orientada para que possamos, da maneira mais inteligente possível, agregar um maior lucro às empresas e à nossa vida pessoal". WTF?

Bom, pelo menos isso PARECE um administrador de empresas falando, já que esse é, por princípio lógico, o papel de uma administração eficaz em qualquer empresa. Se o Jorge Johannpeter passar a dizer que a vida voltada ao lucro é desperdício, acho que todo mundo sabe as providência que seriam tomadas pela diretoria da Gerdau.

Até porque, a mim parece óbvio que um estudante não-ético jamais vai sê-lo por conta de uma cadeira tão superficial. "Ah, professor, agora que o Sr. mencionou que desviar fundos é moralmente incorreto, vou me corrigir imediatamente! Papai vai ficar decepcionado quando perceber que vou parar de ferrar a empresa do titio pela costas, mas vou explicar pra ele sobre a Ética de Sócrates e a Teoria da Caverna de Platão e o grande Unicórnio Rosa, criador do universo, e tudo vai ficar bem!". Poupe-me.


Não me levem a mal: adoro estudar filosofia, é um assunto fascinante. Mas não quero que isso comece a atrasar a minha vida acadêmica: eu estudo, estagio, e ainda gosto de desenvolver alguns projetos paralelos, como fazer cursos aos sábados, e, quem sabe, até mesmo ir ao cinema no domingo de noite, ou ler um romance policial (!!!!!).

Enfim, finalizo o post dizendo que consegui, num esforço descomunal, fazer o trabalho acumulado da semana passada. Claro que o tempo que eu levei pra escrever esse post poderia ter sido empregado para a realizaçao de mais trabalhos mas, por ora, me sinto saturada. Bom, a quem interessar possa, faltam "apenas" mais a resenha do livro e o do fim do semestre. Claro, isso sem contar os outros 4 trabalhos que tenho que desenvolver para as cadeiras que REALMENTE importam e visam me tornar uma profissional competente. Felizmente, ética eu trago de casa.