sábado, 29 de dezembro de 2007

+ alguns filmes

Fonte da vida
É mais ou menos assim: o filme é meio maluco. As mensagens (amor, morte, cobiça) são muito boas. As interpretações de Rachel Weisz e Hugh Jackman estão perfeitas, a dele principalmente. É um filme bonito. Eu recomendo.









Os sonhadores
O filme tem boas interpretações. Até que é interessante nas suas mensagens, mas não passa de putaria. Bertolucci, né. Mas pra quem gosta da Eva Green, vale muito a pena (só faltou o diretor enfiar a câmera na vagina dela, sério). Eu não recomendo o filme, mas também não "desrecomendo". Se estiver com tédio, veja e pense.








O amor nos tempos do Cólera
Filme recomendadíssimo. Apesar de o livro ser infinitamente melhor, vale a pena. As atuações estão muito boas. Alguns detalhes me irritaram, mas porque eu li e fiquei comparando com o livro, deixem pra lá. A maquiagem do Javier Bardem para evelhecê-lo parece maquiagem, não gostei; a da atriz, Mezzogiorno, tá muito boa. Vejam o filme.
O grito 2
O primeiro já era uma bosta, o segundo é a bosta no ventilador. Só isso descreve essa bomba.

domingo, 23 de dezembro de 2007

O ritual dos sádicos/ O despertar da besta

O filme discute, certamente, a perversão da sociedade, seus desejos mais profundos e seus pensamentos. Iniciando com uma mulher injetando LSD no seu pé, percebemos que será cheio de cenas chocantes, sendo essa apenas uma porta-voz de todas as seguintes. Na primeira metade do filme, acompanham-se vários casos de viciados em droga em seu cotidiano, revelando suas fantasias e seus medos. Na outra, vemos o experimento realizado pelo Dr. Sérgio e suas declarações.

Percebemos que alguns personagens que estavam na seqüência inicial aparecem depois como cobaias para a tal pesquisa. Uma dessas personagens, a jovem loira, é a mesma que logo no início estava se drogando. Depois, enquanto está sendo analisada pela experiência, vemos que ela enxerga mulheres escravas e um homem ensangüentado. Fica claro que para ela, ela não passa de uma serviçal, servindo sempre os homens (e às vezes até mesmo gosta disso). Porém, o homem com o rosto sujo de sangue seria um exemplo de seus desejos de vingança – um desejo de que ela tem vergonha e, por isso, grita quando se depara com ele. Numa outra fase de sua alucinação, em que ela é espancada por Zé do Caixão, ela se encontra em uma espécie de depósito de estátuas religiosas, sendo que a que está mais evidente é a de Santo Expedito, mais conhecido com o santo das causas impossíveis. Desse fato, deduz-se que a salvação dessa jovem é quase impossível, sua depravação e ódio são tão extremos, que sua alma já estaria completamente contaminada, e somente a religião poderia salvá-la.

Entretanto, a religião também aparece em outro momento, na primeira metade: um falso apóstolo recita versos da Bíblia enquanto uma moça se droga e, logo depois, mata-a quando insere seu cajado em sua genitália. Desse fato depreende-se que a falsa religião, ou a religião de massas, teria o mesmo efeito da droga, com capacidades até mesmo superiores: a de causar a morte.

Outro momento em que percebemos como a sociedade está corrompida é quando, no início, o homem com bigode manda que três mulheres se dispam, fiquem de quatro e, logo depois, as chuta nas nádegas. Posteriormente, vemos que, em suas alucinações, ele imagina muitas mulheres sendo chicoteadas por homens e ele caminhando por sobre as mulheres. Com esse personagem, o diretor critica a sociedade chauvinista da década de 60. Ele enfatiza isso quando, numa discoteca, um homem abusa de duas mulheres. Revela-nos que, além da falsa religião e da droga em si, o sexo pode ser considerado um entorpecente, podendo viciar.

Além dessas três formas de vício, o filme também mostra que a comida não deixa de ser uma delas. Aliás, na cena em que isso acontece – quando um homem gordo come macarrão sem parar – o diretor tem um de seus momentos de maior brilhantismo ao homenagear Sergei Eisenstein, pois os planos do homem comendo são intercalados com imagens de um porco, assim como Eisenstein fez em Outubro e A greve, intercalando imagens de um pavão e de bois sendo abatidos, respectivamente. A cena não termina ali, ainda vemos outros animais aparecendo e simbolizando as atitudes do homem: um cão pidão e um cavalo relinchando.

No ponto de virada do filme, um repórter faz uma pergunta ao publico: “Zé do caixão, um cineasta ou farsante?”. Podem alegar que seus jump-cuts e quebras de eixo são amadorismo, mas seria ingenuidade tal constatação, afinal, são esses “defeitos” que tornam o filme mais rico e genial, pois os usa com maestria. Poranto, nessa brilhante película, em que há tanto sobre o que se pensar, uma complexidade experimental e psicodélica, vemos que ele é um ótimo cineasta e definitivamente deveria constar no rol dos maiores do Brasil.




O ritual dos sádicos
de José Mojica Marins
Brasil, 1970
93 min

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Como ficar rico sem trabalhar

1. Use o cartão de crédito para pagar a fatura do próprio cartão. Repita o procedimento.

2. Peça um empréstimo de 5 mil reais. Depois, vá no outro banco e peça um empréstimo de 10 mil. Pague o primeiro empréstimo e gaste os outros 5 mil. Volte para o prmeiro banco e peça um empréstimo de 15 mil. Pague o empréstimo de 10 mil e gaste o resto. Depois, pegue um empréstimo de 20 mil, e assim por diante. Pagando os empréstimos em dia, o crédito será cada vez maior, até pegar empréstimos de 500 milhões, 500 milhos e 5 mil, 500 milhoes e 10 mil etc.
Quando eu pensei nisso, com talvez uns 7 ou 8 anos, achei que nunca precisaria trabalhar na vida.

3. I'll make him an offer he can't refuse.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Laços de Família - Clarice Lispector

Descobri que ainda não tinha postado aqui o meu texto do búfalo! Sacrilégio!

Explico-me: depois de ler Laços de Família, no terceiro ano do ensino médio, achei que os contos careciam de um pouco mais de ação. Para resolver o problema, condensei todos os elementos principais de todo o livro em um só conto, forçando uma interação entre os personagens antes inexistente, ainda que o principal mérito do meu texto seja a redução de 134 páginas não apenas sem perda de conteúdo, mas ainda com acréscimo.

Obviamente, o texto não fará nenhum sentido para quem não leu o livro. Também não o fará para quem o leu, claro, mas estes, conhecendo a origem do texto, já têm suas expectativas em um nivel mais realista. Bom, aí vai o texto:

Laços de Família - abridged

Era um búfalo cego mascando merda. O búfalo era marrom. A merda era marrom. Ah, e o sentimento de estar mastigando a si próprio, em uma espécie de alimento masturbatório. E o búfalo cego mascava seu próprio dejeto, em busca de sua constante renovação. Um ciclo. Um ciclo de merda. O búfalo aos poucos se aproximou da galinha.

Epifania. Não. Epifânia. Sim, esse era o nome de galinha. E então, com um sentimento de inveja e auto-afirmação, a galinha perseguiu o búfalo. E o búfalo voava, de telhado em telhado, em busca de sua redenção. O búfalo voava, mascando sua merda, observando as rosas passarem lá fora. Pelos trilhos do bonde. E a galinha na busca do búfalo. Na busca da merda do búfalo, querendo tomar para si o que achava que lhe era de direito. Então, do telhado mais alto da cidade, o búfalo nadou de bicicleta até o ponto inicial da sua perseguição. E estancou, à espera do roubo de seus dejetos.

E a merda pôs um ovo. Sim, a merda pôs um ovo. E o búfalo cego olhou admirado, pois de seus metafóricos dejetos mentais, nascera um ovo. E a galinha Epifânia, que tinha pelo ovo mais direito e mais instinto do que pela merda, preferiu a merda. Pois esta lhe era proibida. Mas ficaram ambos olhando para o ovo. E o ovo pôs um ovo. Que pôs uma rosa. Que pôs um chicles, que grudou nos cascos do búfalo, que estava agora mastigando a galinha.

E assim a galinha alcançou o que almejava. Fazia agora parte da merda do búfalo. Mas o búfalo agora mascava o professor de matemática, e não era o que a galinha queria.

E então a galinha acordou, pois mesmo em devaneios já havia acontecido demais para sua vidinha vazia, tediosa e carente de ação.

E a galinha pôs um búfalo.

domingo, 18 de novembro de 2007

Opiniões: sou contra.

Outro dia, foi requerida a minha opinião sobre a lei de fidelidade partidária. Respondi, categoricamente: “Nenhuma.”.

Rostos incrédulos me questionavam em tom acusatório como eu podia não me interessar por um tema político que afeta a vida de todos nós. Respondo, então: “Não disse que não me importo, só disse que não tenho opinião.”. Prossegui: “Não tenho os conhecimentos necessários para antecipar as conseqüências de cada alternativa, e não sei o que faz vocês pensarem que vocês os têm.”. Viram só? Eu sou tão bom que ganho uma discussão mesmo quando não tenho nenhuma opinião.

Mas falando sério: as pessoas acham que serão consideradas estúpidas se não tiverem uma opinião formada sobre todos os assuntos imagináveis. Pois eu acho justamente o contrário: irritam-me as pessoas que têm opiniões sobre o que não entendem. Explico-me melhor: nada contra achar que uma ou outra alternativa possam ser a melhor solução para determinado problema, mas é estupidez defender publicamente uma opinião sem justificativas adequadas.

Todos os dias, incontáveis pessoas defendem inflamadamente opiniões sobre política, economia e sociedade. Curiosamente, são pessoas que nunca estudaram nem leram nada sobre política, economia e sociedade. É como se eu, que não entendo nada de futebol, me conferisse autoridade para opinar na escalação da Seleção.

Aqueles que acreditam que ter opinião sobre tudo é sinal de inteligência são donos de uma estupidez análoga à daqueles que acreditam que consultar dicionário é indicativo de burrice. Eu sei que ter opinião sobre tudo está na moda, mas basta lembrarmo-nos de que sunga com cinto já foi moda para percebermos que eu estou certo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Medíocre

Taí, provavelmente a palavra mais deturpada da língua portuguesa. Ouço-a quase todos os dias, sempre em sentido pejorativo, desmarecedor. "Fulano é medíocre", tipo, Fulano é um imbecil, incompetente, comedor de bosta.

Pô, não entendo. Aliás, eu entendo. Os outros é que não entendem. E nem precisa ser um estudioso de etimologia pra perceber. Medíocre. Vem de médio. Medíocre, aquele que está na média. Não é nem bom, nem ruim. Não tem nada de mais. Ordinário. Sem gosto. Blé.

Mais de uma vez, escutei pseudo-gradações como "existem profissionais ótimos, profissionais medianos e profissionais medíocres". Tá, então. Eu só quero saber onde estão os ruins, que a gente encontra todo dia por aí.

Mudando de assunto: acabo de ver no Terra a notícia: BRA pára de voar e demite todos os funcionários.


Assim mesmo, sem maiores explicações. Tipo assim, parou de voar e demitiu todo mundo. Genial. Non-sense. Quando eu for um multi-trilhonários, e tiver um dia ruim, certamente eu vou entrar de porre no escritório e demitir todo mundo. É de pessoas sem-noção, insensatas assim mesmo, que o mundo precisa.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Os cafajestes

Os cafajestes (1962, Ruy Guerra)

sinopse descritiva


Noite. Jandir chega de carro perto de uma mulher, ele a convida para passar a noite com ele. Eles vão pro seu apartamento. Ele a sacaneia e diz que ela tem que ir embora mais cedo. Ela se veste e sai. Jandir a observa da janela e a mulher grita pra ele. Ele ri.

Manhã. Jandir folheia uns jornais na banca. Ele se encontra com Vavá, logo depois de haver ligado para alguma mulher combinando um encontro. Vavá lê o horóscopo em voz alta. Eles combinam o golpe e questões fotográficas. Jandir oferece uma dose alta de droga a Vavá para que esse pare de tremer. Eles vão para o lugar do encontro de Jandir com a tal mulher e Vavá se esconde no porta-malas. Leda, a mulher quem eles esperavam, chega e entra no carro. Jandir dirige o carro e grita instruções para Vavá, que ainda está no porta-malas, mas diz a Leda que é só um surto dele. Leda e Jandir conversam. Na praia, eles conversam mais um pouco, percebe-se que há uma relação amorosa entre eles. Ele a incita a nadar no mar sem roupa. Depois de titubear por um tempo, ela o faz. Quando ela está na água se banhando, Jandir sai com o carro e leva as roupas dela. Leda sai correndo atrás dele desesperada até se cansar. Vavá sai do porta-malas e Jandir volta com o carro. O carro dá voltas ao redor de Leda, enquanto Vavá tira fotos dela nua. Jandir devolve-lhe as roupas. Eles entram no carro e voltam para a estrada. Na estrada eles conversam e descobre-se o plano de Vavá e Jandir de subornar o tio do primeiro com as fotos da amante. Leda tenta jogar fora as drogas de Jandir, mas Vavá a impede. Eles chegam a um parque. Lá eles conversam sobre quanto cada um ganharia com o golpe e sobre sexo. Leda diz que eles não vão conseguir muito com o tio de Vavá, pois eles haviam brigado, além disso, ela não queria que ele saísse em vantagem para com ela e, por isso, sugere que façam o mesmo golpe com sua filha Vilma, prima de Vavá, que está em Cabo Frio. Eles vão pra lá.

Tarde. Jandir e Vavá vão para um forte. Lá eles fumam maconha, pois as pílulas estavam no carro. Vavá fala sobre coragem e percebe-se que ele mesmo não a tem. Vavá pergunta se Jandir desistiria do golpe em troca do conversível. Duas moças chegam. Elas conversam com eles. Jandir e Vavá se encontram com Leda e Vilma. Eles conversam no carro enquanto vão pra praia. Eles descem do carro. Do alto de uma duna, Leda observa Jandir tentando despir Vilma e Vavá tentando impedir Jandir. Jandir dá um soco em Vavá.

Noite. Depois de tirar as fotos, Jandir joga a câmera aos pés de Vilma. Leda entra com o carro dentro do mar. Vavá declara seu amor por Vilma, mas ela o rejeita alegando que quer alguém com coragem. Jandir e Leda fazem sexo. Vilma se esquiva de Vavá e entra no mar para se suicidar. Jandir a salva e a deita na areia, e Vilma se aproveita da situação. Jandir beija Vilma olhando para Leda e Vavá. Jandir transa com Vilma.

Manhã. Depois de conversar com Jandir, Vavá vaga pelas dunas dando tiro pro alto até cair no chão, nisso Vilma chega e eles se beijam. Jandir dirige na estrada, ele deixa Leda no meio do caminho. Ele escuta rádio até que a gasolina acaba. Ele caminha pela estrada.


Análise fílmica

A sociedade em Os cafajestes
Nos primeiros planos do filme, vemos luzes fora de foco e a câmera balançando, deixando-nos sem rumo, totalmente perdidos. Logo depois, a câmera mostra pessoas comuns ao passar pela cidade do Rio de Janeiro à noite. Somos apresentados, portanto, a rostos sem nome; são só mais algumas pessoas, nessa imensidão de mundo, que seriam irrelevantes para o mesmo, cada um com sua história, mas essa não afeta a grande sociedade nacional e internacional. Só que é exatamente essa a proposta do filme: contar uma história dessa gente banal que vive na cidade grande.

Através da história de Jandir e Vavá, percebemos um reflexo da sociedade fluminense da época. Vavá é o típico cafajeste, que não tem nada a perder e tudo a ganhar, veio de origem humilde e tenta dar um jeito de ganhar dinheiro fácil. Percebemos o quão ordinário ele é quando ele diz que “o conversível é como se fosse uma enxada”, pois ele ganha seu dinheiro se aproveitando de mulheres e fazendo negócios escusos, o carro seria sua ferramenta de trabalho. Outro momento em que fica claro que sua vida foi difícil, é quando ele fala para Vavá que ele, Vavá, não sabe o que é passar fome e frio, ou seja, Vavá não saberia ser pobre, enquanto ele, Jandir, já teria passado por tudo isso.

Por outro lado, Vavá é um jovem que sempre teve dinheiro, mas que nunca trabalhou por ele, pois esse vinha de seu pai. Entretanto, seu pai faliu e ele teria que arranjar um jeito de consegui-lo, mas sem trabalhar, afinal ele não saberia como nem o que fazer. Os dois personagens exemplificam a sociedade como um todo, mostrando a crescente criminalização (prostituição, agiotagem, etc) da camada inferior da sociedade e a alienação da classe média daquele Rio de Janeiro que recém deixara de ser a capital do país.

Próximo ao meio do filme, o diretor nos mostra crianças levando um pequeno caixão branco, onde, assim sendo, está uma criança morta. Essa curta cena é exibida logo após a realização do golpe dos cafajestes Jandir e Vavá. A introdução dela simboliza a perda da inocência, da ingenuidade. A crueza com que a câmera filma as crianças daquele humilde local mostra como a sociedade estava em degradação, as crianças cada vez mais cedo se acostumando à violência e a perdas incomensuráveis. É uma situação aparentemente sem retorno, tanto para Vavá e Jandir, quanto para a grande sociedade. Complementando isso, a personagem Leda diz logo no início do filme que perdeu o respeito próprio e desistiu da vida. Isso claramente exemplifica o tanto que a sociedade estava se corroendo e, pouco a pouco, perdendo as esperanças.

Em 1962, quando a película foi lançada, as bilheterias se encheram de pessoas que queriam ver o filme. Algumas detestaram, outras amaram. Mas o importante foi que eles puderam ver a eles mesmos, a sua própria sociedade na tela de cinema. Não é de se admirar, desse modo, que a censura que o produtor do filme fez tenha sido execrada. Não se pode modificar uma obra de arte que analisa, através do pequeno, a grande sociedade do Rio de Janeiro e do Brasil como um todo e sua importância.

Outro detalhe importante é o rádio do carro. No início do longa-metragem, Jandir quando está com Leda ao seu lado, desliga-o afirmando que é chato e irritante; só que, no final do filme, ele escuta o rádio por vários minutos. Essa é uma representação, no início, da falta de importância que as ações dele tem para o mundo, mas, ao final, percebemos que são relevantes sim, que ele faz parte dessa sociedade global conturbada. Ele deixa de ser um subproduto dos grandes conflitos, mas ele, em seu microcosmo, deve ser estimado, já que ele transporta uma visão de mundo, um arquétipo da classe baixa fluminense e brasileira. Jandir aceita isso no final do filme, mas sem querer mudar sua vida, ele vai continuar sendo ele mesmo; Vavá solucionou seu problema ao se relacionar com sua prima Vilma, Leda vai tentar nova vida em outro lugar do Rio, mas eles não vão deixar de ser eles mesmos.

Além disso, ao final do filme, Jandir desce de seu novo carro conversível e caminha pela estrada, uma vez que a gasolina estivesse acabada. Ele caminha em direção à câmera por um tempo. Esse fato simboliza a esperança de um futuro diferente, de que haja uma solução para os problemas dessa sociedade corrompida. Todavia, ele dá as costas para a câmera após ter caminhado um certo trecho e, finalmente, o cartão em que está escrito “fim” aparece. O personagem não dá as costas sem motivo; ele está negando a esperança, o futuro. Para ele e para o diretor a esperança é debalde, a sociedade está de um modo tão ruim que não tem mais volta – se estava assim em 1961, ano em que o filme foi produzido, imaginem o que Ruy Guerra não filmaria hoje em dia para representar a falta de esperança.



Ficha Técnica

Os cafajestes
Ficção, Longa-metragem
Brasil, 1962
35 mm, pb, sonoro
Duração: 100 min (2.774 metros)

Direção: Ruy Guerra
Argumento: Ruy Guerra, Miguel Torres
Roteiro: Ruy Guerra
Companhia produtora: Magnus Filmes
Produção: Gerson Tavares, Jece Valadão
Produtor associado: José Sanz
Música original: Luiz Bonfá
Fotografia: Tony Rabatoni
Montagem: Zélia Feijó Costa, Nello Melli Feijó
Desenho de produção: Aníbal A. de Almeida, Gerson Tavares
Maquiagem: Germaine Monteil
Gerente de produção: Alexandrino Franco
Assistentes de direção: Ivan de Souza, Sérgio Sanz de Souza
Segundo assistente de direção: Celso Luiz Nunes Amorim
Som: Geraldo José, Ângelo Riva
Efeitos sonoros: José Tavares
Operador de câmera: Tony Rabatoni
Assistentes de operador de câmera: Franciso Torturra, Jorge Varas
Continuidade: Celso Luiz Nunes Amorim
Letreiros: Ziraldo
Distribuição: Fama Filmes
Elenco: Jece Valadão (Jandir), Daniel Filho (Vavá), Norma Bengell (Leda), Lucy de Carvalho (Vilma), Glauce Rocha, Hugo Carvana, Per Aebel, Germana de Lamare, Marina Ferraz, Aline Silva e Fátima Somer.



PS.: O FILME É HORRÍVEL

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

The Dictionary of the Devil

Sarcasmo, pessimismo e cinismo com muito (mau-) humor. É uma boa definição para o livro O Dicionário do Diabo, de Ambrose Bierce, escritor americano do fim do século XIX.

Como o nome já sugere, o livro tem formato de dicionário, mas, ao invés de definir objetivamente cada vocábulo, o autor contextualiza, interpreta e joga com palavras e significados, criando uma coleção de frases geniais aplicáveis a muitas ocasiões atuais, apesar de ter sido publicado em 1911. A leitura é leve, apesar de alguns termos terem se tornado obsoletos e de que algumas das referências culturais possam ser obscuras ao leitor. O inglês pode ser um pouco diferente do que estamos acostumados hoje em dia, e um dicionário do lado pode ajudar, embora seja possível se divetir sem ele (façam o que eu digo, e não o que eu faço).

Vou colar aqui algumas das definições que me chamaram a atenção. Por se tratar de um dicionário da língua inglesa (num sentido bem amplo da palavra dicionário), muitas entradas não oferecem possibilidade de tradução, devido a trocadilhos e duplos sentidos. Aí vai:

Admiration n. Our polite recognition of another's resemblance to ourselves.

Defame v.t. To lie about another. To tell the truth about another.

Diary n. A daily record of that part of one's life, which he can relate to himself without blushing.

Diplomacy n. The patriotic art of lying for one's country.

Egotist n. A person of low taste, more interested in himself than in me.

I is the first letter of the alphabet, the first word of the language, the first thought of the mind, the first object of affection. In grammar it is a pronoun of the first person and singular number. Its plural is said to be We, but how there can be more than one of myself is doubtless clearer to the grammarians than it is to the autor of this incomparable dictionary.

Impartial adj. Unable to perceive any promise of personal advantage from espousing either side of a controversy or adopting either of two conflicting opinions.

Impunity n. Wealth.

Laziness n. Unwarranted repose of manner in a person of low degree.

More adj. The comparative degree of too much.

Peace n. In international affairs, a period of cheating between two periods of fighting.

Positive adj. Mistaken at the top of one's voice.

Selfish adj. Devoid of consideration for the selfishnes of others.


Tendo em vista que eu digitei essas definiçõs, uma a uma, são muitas. E eu tive que selecioná-las entre muitas.

Como podem ver, é um livro essencial para quem gosta de ler, escrever, e de jogos com palavras. Além disso, é uma leitura leve e engraçada, daquelas de ler no ônibus (ou no banheiro, se preferirem...).

Recomendo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Bugs & Friends sing the Beatles


Genial! Uma das coisas mais sem-noção que eu encontrei nos últimos tempos!

Como o nome já diz, trata-se de um CD em que personagens dos Looney Tunes interpretam canções dos Beatles. A banda é composta por Pernalonga (Bugs Bunny), Patolino (Daffy Duck), Hortelino (Elmer Fudd) e, na bateria, Taz. Participações especiais incluem Papa-Léguas (Road Runner) e Yosemite Sam.

Além das músicas, são geniais as discussões e diálogos entre as músicas. Pernalonga e Patolino discutindo quem canta o que em Hello, Goodbye é demais, só perde para o Patolino gravando Yesterday em estúdio. There's a shadow hanging over me-e-e-e-eeeeeeeee...... Ouçam e entendam. Aliás, para entender os diálogos nas vozes dos personagens, é necessário ter um conhecimento pelo menos razoável de inglês.

Outro destaque é Papa-Léguas e sua (não-) interpretação de The Long and Winding Road. Aliás, este é um dos raros momentos deste blog em que os leitores imaginários terão a honra de poder baixar diretamente um lixo produto cultural aqui recomendado. Até porque é sacanagem recomendar algo que não se encontra pra baixar em lugar nenhum. O arquivo tem menos de 30mb e está zipado.

http://rapidshare.com/files/58724895/Bugs_Bunny_and_Friends_sing_the_Beatles.zip.html

Mudando de assunto, aqui embaixo da página de postagem, onde tem o lugarzinho pra escrever os marcadores do post, tem os exemplos de marcadores: patinetes, férias, outono. Férias, normal, outono, até vai, mas patinetes? Quem é que escreve sucessivos posts sobre patinetes e os agrega sob um marcador. Só pro pessoal do Blogger não ficar deprimido, vou botar o marcador deste post como patinetes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Full Metal Jacket - Nascido Para Matar

Filme de Stanley Kubrick satirizando a Guerra do Vietnã (satirizando todas as guerras na verdade, mas tomando uma só como exemplo). É até bem panfletário, daqueles que ninguém mais atura, tipo "a guerra é ruim, blá blá blá", mas o mérito do filme é explorar o funcionamento do soldado na guerra, como exército e como pessoa.
O filme começa mostrando o treinamento dos soldados no Marine Corps, onde há toda a estrutura rígida do exército, exagerada até o tragicômico, e depois passa para a guerra mesmo. Lá, todos acham muito divertido matar os vietnamitas, acreditam que estão lutando pelo país, e nao entendem por que a população local não os apóia, já que estão ajudando a libertar o país.
É muito fácil para os soldados, em grupo, matar inimigos anônimos, mas, em uma das melhores cenas que eu já vi, mostra como a coisa muda quando eles olham nos olhos do inimigo atingido. Nem vou tentar descrever a cena, pra não perder a graça e porque eu não vou conseguir.
Os soldados percebem a inutilidade da guerra e tal, clichês de montão, mas o filme consegue chocar, não com as cenas fortes de guerra, mas com outras mais sutis e emocionais. Recomendo.

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Também vi hoje Pretty Woman (Uma Linda Mulher), que eu ainda nunca tinha visto (filmes que só eu não conheço). Legalzinho, e mostra, com a sensibilidade de uma porta, que prostitutas também são gente.

sábado, 8 de setembro de 2007

Das Parfum - Die Geschichte eines Mörders


O Perfume - A história de um assassino.
Livro muito bom.
Sem muitos comentários mais brilhantes ou inspirados.
Uma coisa muito boa no livro é que ele mostra como os humanos são ingênuos, são tolos e vivem se achando os maiorais.
Também mostra a questão da divindade, essa coisa mais religiosa.
É muito interessante o livro.
E as descrições dos cheiros é muito boa.
Livro bastante psicológico.
Tá, é tri bom.




terça-feira, 4 de setembro de 2007

Regra de Três

Escrevo o presente texto não apenas como uma homenagem, mas também como forma de defesa e de requisição de justiça a esta que é uma das mais subvalorizadas pedras do conhecimento humano, e, ouso dizer, uma de suas pedras fundamentais.

É impossível enumerar todas as funções e utilidades da Regra de Três, mas, não obstante, a ignorância das pessoas em relação a esses aspectos e funções é magnanimamente assustadora. A Regra de Três é uma das invenções fundamentais para o conforto do ser humano pós-moderno e para a simplificação do trabalho, ao lado da roda, do computador e da empregada doméstica.

Eu mesmo, por exemplo, durante minha educação elementar, utilizei a dita cuja em todas as áreas do conhecimento. Na matemática, na física e na biologia, é lógico, mas não menos em artes, geografia e em educação física, onde as propriedades da Regra são aplicadas muito aquém de suas possibilidades, ou não são aplicadas at all.

Muitas vezes em meu processo de construção do conhecimento acontece de eu ser questionado sobre a resolução de problemas por colegas e amigos, cujos maxilares roçam o assoalho ao descobrirem que a solução mais simples é sempre a Regra de Três. Este, aliás, é o motivo pelo qual eu termino os exercícios em tempo visível e consideravelmente menor do que já aqui citados colegas. Isso ocorria em nível especial e notavelmente acentuado na educação física, onde a Regra de dava uma vantagem tão grande que, enquanto os outros jogavam futebol, eu já estava tranqüilamente sentado na sombra, me dedicando ao ócio. Inequações? Regra de Três. Movimento circular uniforme? Regra de Três. Acentuação gráfica? Regra de três.

Einstein demorou anos para desenvolver sua teoria da relatividade. Ouso dizer que ele poderia tê-la feito em não mais de três semanas, dois dias, quatro horas, trinta e sete minutos e cinqüenta e três segundos (considerando o tempo na velocidade de rotação da terra) caso não houvesse menosprezado a Regra. Não surpreendentemente, o mesmo raciocínio é válido para diversas invenções as mais importantes.

No campo científico-pragmático futuro, posso destacar que a Regra de Três será o principal fator possibilitador da invenção mais fortemente almejada, aquela que inspira loucura, obsessão, insanidade e até mesmo, em casos extremos, o suicídio: o microondas que esfria.

Conforto da modernidade, possibilidades ilimitadas, sonhos e ambições as mais altas e loucas. Todos estes fatores que conferem a humanidade à humanidade (ou vice-versa) são proporcionados pela Regra de Três. Conclamo, portanto, justiça, ó povo brasileiro.

Só pra constar.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Fragmentos da vida

Filmado em 1929, o filme de João Medina é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, apesar de ser um curta-metragem silencioso.
A história é sobre um vagabundo que quer ser preso para poder ter cama e comida gratuitas e para isso conta com a ajuda de um amigo, um ladrão. Ele tenta várias vezes (roubar um guarda-chuva, não paga a conta do restaurante, quebra a vidraça de uma loja), mas sempre dá errado.
Além de muito engraçado, o filme, para a época, conta com atuações muito boas, pois não são exageradas. A técnica cinematográfica é ótima, usando, inclusive, coisas que só seriam adotadas anos depois.
Claro que, pra ser tão bom assim, não podia ser 100% daqui, né. O roteiro é uma adaptação de um conto do americano O. Henry (mas apesar disso, o conto é meio tosquinho, conseguiram melhorá-lo). Obviamente isso deixa uma centelha de dúvida: será que é por causa do roteiro que os filmes brasileiros são tão ruins? Acho que sim.
Tá, era isso.
Não posso dizer pra vocês verem o filme, pois é muito difícil encontrá-lo (porra é um filme de 29, né, e é daqui). Mas tentar não mata, só cansa.
Uma obra-prima divertidíssima.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Cartazes

Originalmente, os cartazes eram muito melhor produzidos (na minha cabeça, digo), mas, devido ao orçamento limitado (a zero), eu fiz do jeito que deu pra fazer em uma hora e tal, só por diversão. Uma pena... se eu tivesse achado a imagem que eu queria da dona morte ali, ia ficar tããããão foda... ou não, sei lá, mas tá aí...
A idéia, aliás, eu não lembro de onde veio, mas acho que foi alguma aula que não captou bem a minha total atenção.






sábado, 11 de agosto de 2007

Na Captura dos Friedmans


O documentário Na captura dos Friedmans é, certamente, um dos melhores filmes do gênero já feitos.

O filme conta a história da família Friedman, judeus residentes em NY. Em 1988 +/-, o pai, Arnold, engenheiro químico, professor de piano e de computação renomado, foi acusado de pedofilia, porque tinha algumas revistas de sodomia com garotinhos em casa, mas logo surge uma denúncia de que ele teria molestado alguns de seus alunos de computação (que tinham entre 8 e 12 anos). E não pára por aí, seu filho caçula foi acusado de ter violentado eles também. Durante o andamento do processo, vemos a família se desintegrar e várias controvérsias surgem.

O filme começa contando como Arnold fosse culpado, porém, pouco a pouco, descobrimos que ele era um cara legal e tal. Vemos que os depoimentos das crianças poderiam ter sido forjados pela polícia. Nunca é afirmado que ele não era pedófilo - ele gostava mesmo de olhar as fotos - mas não se pode acreditar que um cara tão ligado aos seus filhos pudesse cometer tantas atrocidades com a ajuda de seu filho.

O ponto alto do documentário é que o diretor não é parcial e, ao contrário, mostra as duas visões conflitantes de maneira muito boa. Contando com vídeos feitos pela própria família, o documentário é enriquecido, pois vemos que o cara - que normal não era, né - era muito ligado à sua família. (me perdi)

Tá. O filme é uma obra de arte que mostra muito bem essa visão subjetiva da realidade. Cada um viu uma coisa diferente que entra em conflito com o que outro disse. E na conclusão do filme vemos que não temos como saber o que foi que realmente aconteceu, pois a vida, a realidade é assim: subjetiva. (me perdi de novo)

Tá, o filme é muito bom. Vejam. Vale muito a pena. Não é à toa que ganhou prêmio de filme do ano em 2003.

Capturing the Friedmans
EUA
107 min
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"I saw Guirrom" - The What




segunda-feira, 30 de julho de 2007

Operações da Polícia Federal

Deixo aqui o Link para o site com os resumos das operações da Polícia Federal.

Eu não sei quem é o cara que inventa os nomes, mas ele devia ser contratado pro Zorra Total, é bem no mesmo estilo. Destaque para as operações Sodoma, Lacraia, Senhor dos Anéis (sério!!!), Control+Alt+Del e Maçaranduba.

As lágrimas amargas de Petra von Kant

Die bitteren Tränen der Petra Von Kant - 1971
Diretor: R. W. Fassbinder

Escrevo mais para recomendar o filme do que para comentá-lo. É complicado escrever uma sinopse. O filme todo se passa no quarto de Petra von Kant, uma famosa designer de moda que acaba de se divorciar. Com apenas seis personagens (só mulheres), o filme é constituído basicamente por diálogos, e mostra as estranhas relações entre as personagens, os sentimentos nem sempre recíprocos e o drama do conflito de interesses.

Provavelmente eu não convenci você, leitor, a ver o filme. Então, lá vai: tem um casal de lésbicas.

Pronto, ganhei.

Tá, mas o filme é bem foda, vale a pena assistir.
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"L'État, c'est moi" - Luís XIV, que entrou pra história com a frase que todos gostariam de poder dizer. Ele era foda. Não pelo governo; pela frase.

sábado, 21 de julho de 2007

Harry Potter 7 - Sem Spoilers

Bom, nem vou postar nada sobre a história pra não estragar a leitura de ninguém. Muitas coisas legais, e muitas nem tanto. E eu queria saber por que algumas pessoas viram fantasmas e outras não, e o que os pais do Harry faziam. Na verdade, o livro podia ser bem mais comprido, a história ficou meio "resumida" demais.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Saneamento Básico, O Filme

Comédia brasileira, com Fernanda Torres, Camila Pitanga e alguns outros atores de cujos nomes não me lembro.

A história se passa em uma pequena cidade do interior do RS, onde os moradores tentam levantar verbas para a construção de uma fossa, para resolver o problema do esgoto. A prefeitura não dispõe de verbas, mas existe um concurso que dá 10 mil reais para a cidade que criar um filme de ficção com pelo menos 10 minutos de duração. Como não existem outros concorrentes, os habitantes da cidade resolvem participar, e aí começa a produção do filme mais trash e sem noção que eu já vi. Não, tá, O Segredo é pior, mas deu pra entender, né?

Bom, acontece que é muito engraçado. O roteiro, que precisa ter 10 páginas, é preenchido com descrições exageradas, incluindo os aromas dos cenários. O Monstro da Fossa, com uma fantasia muito engraçada, é mais engraçado que a fantasia. E por aí vai.

Mais pro final, o filme fica meio chatinho, mas mesmo assim vale a pena. E a Fernanda Torres tava muito engraçada.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A TORRE NEGRA - Stephen King



(não reparem na imagem meio tosca, mas foi a melhor que eu achei)

BOM... Terminei de ler a série A Torre Negra, de Stephen King. Ele começou a escrevê-la quando tinha 19 anos e... bom... terminou o 7º livro em 2004.

Só quero dizer que é muito boa. Os livros contêm todo o universo dele. É puro suspense e terror misturado com o Sr. dos Anéis (ele mesmo diz que é baseado nos livros do Tolkien).

E o final é simplesmente o melhor possível pra série. Claro que no decorrer da trama tem uma ou outra tosquice (das quais ele se desculpa e dá seus motivos - bem convincentes), mas o final é esplêndido.

Leiam.

(não faço comentários da trama pq senão seria idiota)

terça-feira, 10 de julho de 2007

sobre alguns filmes

13 homens e outro segredo: é legal. divertido ver a interação entre os atores. dá pra rir. não paguem pra ver esse filme.

o quarteto fantástico e o surfista prateado: nem de graça. horrível. entediante. roteiro terrível, cheio de furos; um personagem explica a história no início do 3º ato, como se fôssemos burros. cenas de ação curtas demais. sem graça as piadinhas.

a profecia (2006): é... sabe como é, né... não dá medo, não assusta (exceto em uma ou duas cenas). e ao contrário dos filmes de terror convencionais, ele até tem uma moralzinha no final.

adaptação: muito bom!!!!!! VEJAM!

borat: eu já tinha visto. idem ao adaptação.

sábado, 7 de julho de 2007

Wikipedia: funções e críticas


A Wikipedia, desde sua popularização, vem sendo alvo de críticas devido à democratização do conhecimento. Como qualquer pessoa pode escrever o que quiser, a veracidade da informação acaba se tornando altamente duvidosa. Isso, sem dúvida, é verdade.

Por outro lado, os próprios criadores já admitiram que o site não é fonte segura de informação, e que serve apenas como apoio a consultas.

A Wikipedia é ótima para se conseguir informações atualizadas rapidamente. Diferentemente da enciclopédia, não precisamos comprar uma nova todo ano; o site estará sempre atualizado. Além disso, a abrangência dos assuntos vai muito além da de uma enciclopédia convencional, existindo artigos sobre canções, filmes e bandas sem grande visibilidade, devido ao espaço ilimitado fornecido pela internet.

Sempre que tenho curiosidade sobre alguma coisa, seja um lugar, uma pessoa, uma banda ou qualquer outra coisa, eu procuro na Wikipedia, que, quase sempre, satisfaz a minha curiosidade. Aprendi sobre países e pessoas que só conhecia pelo nome, e, embora as informações não sejam, na maioria dos casos, aprofundadas, abrem as portas para uma pesquisa mais séria sobre o que interessa ao leitor e mostram que há mais no mundo do que a cidade natal de alguém. Acho que o principal mérito da Wikipedia é dar informações gerais sobre algo que, se for significativo aos interesses do leitor, pode ser aprofundado através de outras fontes.

Agora, sinceramente, alguém que está fazendo um trabalho sério que envolve pesquisa precisa ser alertado de que uma enciclopédia de domínio público não é uma fonte segura de informações? Isso é simplesmente burrice! Alguém desenvolvendo um trabalho científico que usa a Wikipedia como fonte deveria ser proibido de fazer o trabalho!

As críticas à Wikipedia são infundadas, tendo em vista que os idiotas são os que buscam informações confiáveis lá, e não as pessoas que contribuem para o projeto. Por isso, sim, a Wikipedia é uma grande idéia, um grande projeto que deu certo, permitindo acesso a muitas informações, a muitas pessoas, de graça, e acho que é uma das grandes provas de que a internet não é freqüentada apenas por imbecis acéfalos.

Resumindo: curiosidade sim, pesquisa não.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Cotas na UFRGS

Já que todo mundo está cansado dessa discussão imbecil das cotas, ao invés de argumentar, vou simplesmente reforçar meu ponto habitual: esse país é escroto.
Nojo. De verdade, sem exagero mesmo. Nojo.

Cultivando o futuro do país


Estava passeando como cachorro quando ouvi a mãe explicando à filha pequena:

"O remédio que cura dor se chama analgese."

Sem comentários.

domingo, 17 de junho de 2007

Babel e a Globalização - SPOILERS


O texto a seguir eu fiz como um trabalho para a aula de sociologia, e, por isso, dáenfoque à globalização, falando pouco do filme como diversão, por exemplo.


O filme Babel, do diretor Alejandro Gonzáles Iñárritu, tem como temas principais a globalização e o problema da falta de comunicação entre as pessoas. O roteiro foge do padrão habitual hollywoodiano por desenvolver três histórias aparentemente desconexas.

A história inicial se passa no Marrocos, onde um homem compra um rifle para que seus dois filhos possam caçar chacais. Para testar o alcance da arma, as duas crianças atiram em um ônibus que passava na estrada, ao longe, e acertam uma turista americana. A segunda história é a de uma babá mexicana que cuida de duas crianças americanas enquanto os pais viajam. Ela quer ir ao casamento de seu filho, no México, mas, como não tem com quem deixar as crianças, leva-as junto. A terceira história se passa no Japão, e mostra o drama de uma adolescente surda-muda e sua total carência afetiva.

Como o filme é bastante longo, com 142 minutos de duração, a história se torna, em certo ponto, previsível, pois indícios sobre a relação entre as três diferentes tramas podem ser encontrados cedo demais. Logo no começo, a babá fala ao telefone com o pai das crianças, que diz que Susan (a mãe, até então não identificada assim pelo espectador) havia levado um tiro. A trama que se passa no Japão, por outro lado, permanece aparentemente desconexa por bastante tempo, mas isso não chega a comprometer o filme, embora a relação da trama japonesa, que, longe de ser ruim, acaba se dedicando mais a problemas como relações pessoais e preconceitos, com as outras seja bastante pequena para justificar tamanha ênfase. Mais tarde, descobre-se que o pai da garota surda-muda foi quem havia dado o rifle ao marroquino que o vendeu para o pai das duas crianças, para que estas pudessem caçar.

A relação entre as tramas acaba por parecer pouco verossímil se for entendido denotativamente pelo espectador, mas é bastante pertinente se pensarmos no conceito por trás da história. O que o filme quer nos mostrar é que qualquer ação, ocorrida em qualquer lugar do mundo, pode interferir, direta ou indiretamente, nas nossas vidas. O japonês que deu seu rifle de presente ao marroquino, em agradecimento por este último ter sido seu guia em uma caçada, jamais poderia imaginar que a arma acabaria sendo usada por uma criança para matar uma turista americana, mesmo sem intenção. Esse conceito se aproxima da famosa máxima da teoria do caos, que diz que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um furacão na Ásia. Ninguém pode saber qual será o resultado de uma ação a longo prazo, nem mesmo em sua vida pessoal, mas o filme mostra que essa incerteza acaba se entendendo para o nível mundial, tanto mais quanto mais relações existem entre os vários lugares do globo terrestre.

Além das inter-relações entre causas e efeitos a nível mundial, o filme mostra também os efeitos da globalização nos diferentes cenários (e dificilmente poderia ser diferente em qualquer filme que mostra cenários atuais em qualquer dos países globalizados – ou americanizados). Os lugares freqüentados pelos jovens japoneses são muito semelhantes aos outros do mundo todo, como lanchonetes e danceterias com música eletrônica (todos com origem americana). Já a pobre região do Marrocos não conhece o American Way of Life, e a chegada do ônibus de turistas, assim como a de um helicóptero, chama atenção da cidade inteira, que pára a fim de assistir à inusitada cena.

Os americanos que param na pequena e pobre cidade marroquina acabam se assustando com o choque cultural, e têm medo de permanecer lá. Há uma desconfiança muito grande dos cuidados médicos dispensados à americana, e mesmo a embaixada americana não permite que uma ambulância marroquina preste socorro à mulher, que precisa esperar horas pelo helicóptero enviado pelo governo americano.

O ataque à americana acaba também desencadeando uma pequena crise de nível mundial, pois o governo americano afirma que os responsáveis pelo atentado foram terroristas marroquinos (o que pode ser até uma certa crítica irônica à política externa praticada pelos Estados Unidos já há muitas décadas), acusação o governo marroquino nega veementemente.

Outro exemplo de choque cultural se dá quando as crianças americanas acham, no mínimo, nojento quando um parente da babá, no México, mata uma galinha com as mãos, já que elas estão mais acostumadas e comprar a galinha, já morta, no supermercado (como a classe média das cidades brasileiras, aliás).

O filme acaba por não dar um julgamento definitivo sobre a globalização, focando-se mais em demonstrar que ela existe e que seus efeitos podem ser mais intensos do que é comumente imaginado. Por último, vale ressaltar que Babel mereceu, sem dúvida, o Oscar de melhor filme do ano conferido, injustamente, para o filme Os Infiltrados, de Martin Scorsese.
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"(...) eu me livrei daquilo que não-faz-parte-de-mim em minha natureza. Não faz parte de mim o idealismo: (...) onde vós vedes coisas ideais, eu vejo - coisas humanas, ah, coisas demasiadamente humanas!" - Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 14 de junho de 2007

A morte - La commare secca

(Trabalho feito em maio de 2007 para a cadeira de história do cinema.)

Sinopse descritiva:
A morte (La commare secca, Bernardo Bertolucci, Itália, 1962)
À margem do rio Tibre, na periferia de Roma, é encontrado um corpo de uma prostituta assassinada. A polícia faz vários interrogatórios com uma série de suspeitos para tentar desvendar o caso. O policial, cujo rosto não aparece, sabe que cada um deles passara pelo parque Paolino, o último lugar que a prostituta se encontrava com vida. Cada um conta como foi seu dia até chegar ao parque na noite do assassinato. Primeiro um assaltante relata a sua história, depois um ex-condenado, um soldado, o homem dos chinelos de madeira e Pipito, um jovem carente da periferia. As histórias acontecem em flashbacks e são intercaladas com a prostituta acordando no fim da tarde com um temporal. Todos os relatos são divididos em antes e depois do temporal, que serve para marcar o início da noite. No final, a polícia descobre que um homossexual foi testemunha do assassinato e essa testemunha reconhece o assassino e ele é preso.

Resenha:
O filme conta a história do assassinato de uma prostituta não muito jovem através de inúmeros flashbacks que ocorrem nos depoimentos dos suspeitos, ao estilo de Rashomon, de Akira Kurosawa (Bertolucci afirma que não tinha visto o filme do japonês antes de filmar A morte). Vemos como um jovem assaltante foi parar no último lugar em que a prostituta fora vista com vida, e não só ele, mas todos os outros personagens suspeitos do assassinato. Aos 21 anos de idade, Bertolucci teve o desafio de filmar essa história, de Pier Paolo Pasolini – Bertolucci trabalhou como assistente de produção no bem sucedido Acattone, dirigido por Pasolini -, e fazer com que esse seu primeiro filme fosse parecido com os próprios filmes de seu mentor de cinema. Entretanto, ele tinha que unir essa tentativa de fazer um filme “pasoliniano” com o seu estilo próprio, que estava surgindo. Será que Bertolucci conseguiu?

Tendo muita liberdade criativa para dirigir o filme, Bertolucci optou por fazer muitos movimentos de câmera. Mesmo em momentos em que não há deslocamento de personagens a câmera se movimenta. De acordo com o diretor, ele quis mostrar que nunca estamos parados seja fisicamente ou psicologicamente, estamos em constante modificação e evolução, logo os movimentos de câmera aproximariam o espectador dos personagens em suas dúvidas, mentiras, tristezas e, é claro, movimentação física. Ele conseguiu esse efeito; entretanto, nem sempre os movimentos de travelling, panorâmica e zoom funcionam. Não é raro o momento em que a imagem fica embaralhada e confusa, beirando a tosquice. Além disso, em outros momentos a câmera treme muito, fica instável, parecendo um filme amador. Todavia, o dinamismo do dia dos suspeitos foi alcançado e, com isso, Bertolucci conseguiu mostrar seu estilo, diferenciando-se muito do estilo frontal-religioso do seu mentor Pasolini.

Bertolucci disse que quis mostrar, com o filme, o passar do tempo, o decorrer do dia de cada personagem e como suas vidas eram, chegando a dar muito mais importância a isso do que à solução assassinato em si. As cenas dos jovens Francolicchio e Pipito com duas moças são o principal exemplo disso: os jovens passando fome, as conversas despreocupadas, a célebre dança das duas moças quando os garotos estão com vergonha e, é claro, do ápice do flashback deles, quando eles vão atrás de um homossexual só para conseguirem dinheiro. Com isso, o diretor fez uma admirável crítica social. Ele mostrou como os jovens que estavam à margem da sociedade romana do início da década de 60 sofriam, e como essa sociedade estava se corrompendo aos poucos. E através dos outros personagens vemos que toda a periferia de Roma estava infectada com essa perda de valores (o cafetão bon-vivant; o soldado solitário, desabrigado e desesperado; o ladrão). O filme mostra inclusive, nas cenas em locações externas (o Coliseu, por exemplo) pessoas reais interagindo com personagens, dando até mesmo um aspecto documental do caráter do povo.

Sendo poeta, Bertolucci quis fazer não um simples filme narrativo, mas um filme lírico. Desde a seqüência de abertura do filme, em que vemos papel voando por áreas desoladas da periferia de Roma e o corpo da prostituta, à seqüência final, em que o assassino é capturado em um baile, percebe-se esse lirismo de Bertolucci. Um lirismo pessimista quanto ao futuro da gente humilde italiana. Essa “aura” que Bertolucci pôs em seu filme também pode ser vista na cena em que a prostituta acorda com um temporal, temporal esse que acontece no crepúsculo do dia e marca o início da noite, o início do fim. As intercalações dos flashbacks com os trechos dessa cena dão certo retorno no tempo, onde ele estaria parado, a calmaria, preparando-se para o grande acontecimento. A certa quebra de ritmo que ocorre funciona muito bem e só adiciona ao espírito poético do filme, a montagem ficou, portanto, muito boa, pois conseguiu transmitir o que o diretor pensou, tornando o lirismo imaginado por Bertolucci mais tangível ainda. O espectador consegue sentir o impacto daquela morte e como a sociedade está corroída e, na visão pessimista do diretor, sem uma solução aparente. Aspecto que também é ressaltado pela bela música de Piero Piccioni e Carlo Rostichelli, que tem uma melodia bonita, mas depressiva.

A morte, com todo o seu lirismo, sua crítica social e movimentos de câmera ousados e planos-seqüência interessantes, conseguiu, por isso, dar início à carreira do brilhante diretor Bernardo Bertolucci. O filme pode não ter sido um sucesso nas críticas italianas, que acharam o filme “pasoliniano” demais, mas a crítica internacional aclamou o filme, dizendo que era uma obra fantástica e que entraria para a história do cinema italiano. A crítica internacional estava corretíssima, e A morte é um filme que se tornou indispensável para quem quer entender e estudar o diretor italiano e a sociedade da época.

A morte
Drama
Itália, 1962
93 min
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Frankly, my dear, I don't give a damn - Frase clássica do ...E o vento levou.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Munique

Um dos melhores filmes de Steven Spielberg, Munique conta a história de um grupo de assassinos contratados pelo governo israelense para vingar o ataque à comitiva deles nas Olimpíadas de Munique em 1972.

O diretor soube contar a história de seu filme muito bem. Não poupa o espectador, fazendo tomadas cruas e violentas. Inclusive uma um tanto morbidamente bela, em que o sangue se mistura com o leite derramado. Spielberg recriou o estilo narrativo do cinema da década de 70, com muitos zooms e imagem, às vezes, meio tosca. O diretor soube intercalar muito bem cenas do ataque à vila olímpica, cenas de arquivo e o filme em si. Ele mostrou, com tudo isso, por que é considerado um dos melhores diretores de todos os tempos.

Entretanto, Spielberg não tabalhou sozinho e teve o habitual apoio de Janusz Kaminski, diretor de fotografia, para recriar o ambiente anos 70 já citado. Kaminski fez planos muito bonitos (o do reflexo no carro). Escolheu negativo de tungstênio (suposição minha baseado no que estou aprendendo na puc - o que interessa é o efeito do filme), deixando a imagem azulada em vários momentos e com superexposição, o que causa um efeito de agonia. Outras passagens amareladas também são interessantes. E o curioso é a parte em que Avner vai conhecer o papa, lá na casa de campo a imagem fica sem efeito algum, o que pode ser interpretado de diferentes formas... (pra mim é só a visão da família que estava faltando ao protagonista).

Além desses aspectos técnicos, não podemos deixar de falar dos atores, ressaltando o trabalho de Eric Bana como Avner. Desde Tróia eu o considero um puta ator e nesse filme tive a oportunidade de confirmar; ele trabalhou muitíssimo bem (a cena em que ele fala com a filha pelo telefone é comovente, a conversa com um terrorista intrigante). A mulher que interpretou Golda Meir, a primeira-ministra de Israel naquela época, também consegue cativar com pouquíssimo tempo na tela. Daniel Craig não fez mais do que o suficiente. E o cara que fez o presidente russo nA Soma de Todos os Medos atuou tri bem também.

Mas deixemos de puxar o saco da equipe... Reflitamos!

Nessa obra de arte, Spielberg ao invés de delimitar, como fizera em outros filmes, o bem e o mal, faz com que não saibamos que lado apoiar. Seria muito fácil um diretor judeu apoiar Israel, mas ele foi corajoso e mostrou os dois lados sem tomar partido (na verdade, eu até acho que ele foi um pouco contrário à causa isralense na última cena do filme, mas infimamente). Causando um desconforto crescente conforme o tempo (do filme) passa e vemos o protagonista, Avner, também ter essas dúvidas de caráter moral. Várias perguntas são postas no decorrer do filme e todas sem resposta, inquietando-nos. Será que o uso da violência para revidar é válido? Será que a violência sequer pode ser utilizada? Quem será que está por trás das informações que o prot. recebe? Como manter a integridade quando nenhum Estado parece manter? Até que ponto uma retaliação pode ser feita sem exagero? Etc, etc, etc...

Essas e muitas outras questões angustiantes são apresentadas no filme, mas o que mais me chamou a atenção (e que certamente foi o principal do filme) foi o conflito Israel x Palestina. Em certos momentos de brilhantismo da montagem e do diretor vemos que várias ações que de início consideramos corretas (devemos nos vingar dos brutais terroristas!) também estão sendo praticadas pelos "heróis", os terroristas serão mais vítimas do conflito milenar, como também foram os atletas mortos. Evidentemente, o diretor não mostra de forma alguma quem começou a briga e faz questão de ressaltar o fato de que isso é um ciclo, um revida o golpe do outro de forma mais violenta ainda (o próprio atentado nas Olimpíadas não seria uma retaliação a bombardeios israelenses?) mostrando que a cada assassinato cometido pelo grupo de Avner, os terroristas matavam mais gente ainda. (Quando é que isso terá um fim?!) Um ciclo vicioso de medidas mais cruéis conforme o tempo passa.

Essas atitudes impiedosas exemplificadas pelo filme têm, porém, motivações. E o incrível do filme, é que ele mostra o quão parecidas as motivações dos dois lados são. Em certos momentos parece que estamos vendo o terrorista falando pela boca de uma personagem isralense (só queremos uma terra para viver, sermos felizes. Devemos morrer por isso...). E essa semelhança torna a questão sobre quem está correto ainda mais difícil de ser respondida - se é que pode ser, né.

Bom, Munique é um filme brilhante. Deve ser assistido por todo o mundo, principalmente pelos isralenses e pelos palestinos. Eu ainda gostaria de dizer, a favor do Cinema, que esse filme me fez mudar minha visão sobre o conflito daquela região. Antes eu apoiava, por razões culturais, os israelenses e, ao contrário do que eu achava que aconteceria após um filme do Spielberg, eu mudei a minha opinião. Obviamente não concordo com as ações terroristas dos palestinos, mas acho que a causa deles é tão ou mais importante do que a de Israel e a de muitos outros países/nações. A pergunta deixada em aberto no filme e que causa a inquietação geral é: Será que há legitimidade nos ataques de ambos os lados? Será que se pode matar em nome de uma causa maior e legítima? Arre, esse filme é inquietante e abre muitas perguntas, não saciando o espectador, deixando-nos aflitos.

Munique
EUA
Drama
quase 3h
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Eu tinha uma frase legal do Voltaire pra colocar aqui, só que eu a esqueci, lembrem-me disso que depois a coloco!

sábado, 9 de junho de 2007

A Arte de Escrever - Arthur Schopenhauer

O livro A Arte de Escrever, de Arthur Schopenhauer, não é um livro. São cinco textos retirados de outra obra dele. Os títulos dos textos são: Sobre a erudição e os eruditos (über Gelehrsamkeit und Gelehrte); Pensar por si mesmo (Selbstdenken); Sobre a escrita e o estilo (über Schriftstellerei und Stil); Sobre a leitura e os livros (über Lesen und Bücher); Sobre a linguagem e as palavras (über Sprache und Worte).

Por enquanto, eu li apenas os dois primeiros textos, e, apesar de eu já ter pensado algumas das idéias presentes no livro, outras são, para mim, novas e bastante interessantes.

O primeiro texto diferencia os verdadeiros cientistas e pensadores dos “falsos eruditos”, ou seja, aqueles que decoram tudo sobre determinado assunto e pegam apenas pensamentos prontos através de livros e de outras pessoas.

Em seguida, critica a crescente não-utilização do latim no meio científico. A princípio, o argumento me pareceu um tanto absurdo, e eu cheguei a pensar: por que diabos uma língua morta deveria ser usada para o conhecimento científico? Mas, conforme o autor foi apresentando os argumentos, percebe-se que ele tem razão. Ele defende o latim e o grego porque eram as línguas usadas pelo meio científico na época dele, mas os motivos para a utilização de uma língua única permanecem atuais. Através do uso de uma língua universal e imutável, os cientistas e pensadores do mundo todo poderiam entender o que seus colegas escrevem sem depender de uma tradução, que sempre distorce, em maior ou menor grau, o que o autor realmente quis dizer. Hoje em dia, pode-se dizer que o inglês está assumindo esse papel, mas, ao invés de o autor escrever seu texto naturalmente em inglês, o texto é traduzido por terceiros.

No segundo texto, pensar por si mesmo, Schopenhauer diz que o verdadeiro pensador pensa sozinho e tem suas próprias idéias, enquanto o erudito de enciclopédia pega pensamentos prontos dos outros e remenda todos em um conjunto heterogêneo e distorcido. Diz que o pensamento próprio é o único que realmente se integra ao sistema de pensamentos da pessoa, além de ser o único que a pessoa consegue compreender plenamente. Com isso, eu concordo bastante, e já pensava assim antes de ler, apesar de nunca ter visto isso formalizado, ou ter formalizado eu mesmo. Às vezes, podemos até achar interessante o que lemos, mas acabamos nos esquecendo posteriormente, enquanto as conclusões a que chegamos com esforço próprio acabam se fixando na nossa mente e fazendo parte do nosso modo de enxergar o mundo. Por isso, Schpenhauer diz que o excesso de leitura (ou seja, o excesso de pensamento alheio) pode prejudicar a capacidade do pensamento próprio, embora de jeito nenhum o autor despreze a leitura. Ele apenas afirma que o pensamento próprio tem muito mais valor para a pessoa do que algo que ela pega de outra.

Sobre o estilo de escrever do autor, acho que às vezes ele usa analogias para explicar conclusões a que ele chegou, mas não apresenta os argumentos que levaram à conclusão. Eu consegui compreender as analogias justamente por já estar familiarizado com o pensamento do autor, já que já tive essas idéias antes, mas isso acaba prejudicando seriamente o entendimento do conteúdo do livro, tanto ou mais do que as traduções que ele tanto critica (apesar de eu mesmo estar lendo os textos traduzidos).

Quando eu ler os outros três textos, eu posto sobre eles aqui (a não ser que eu ache que são muito ruins, mas acho isso improvável).

Por último, gostaria apenas de dizer que o tradutor do Word é uma bosta e que eu acho que the Cure é um saco e que a estética deles é péssima. Mas não levem a mal, é apenas a minha opinião (e de quem mais poderia ser? Duh!).

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"Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!" - Arthur Schopenhauer, sobre os "eruditos de enciclopédia"

terça-feira, 5 de junho de 2007

Moloch

Hoje eu assisti ao filme Moloch, que fala sobre a vida pessoal de Hitler e Eva Braun em um final de semana de 1942. Antes de mais nada, gostaria de colocar que o filme é uma bosta deixa a desejar em alguns momentos. Ou em todos os momentos, sei lá.

Bem, a cena inicial mostra a Eva Braun dançando pelada na mureta de um terraço de uma casa gigante no topo de uma montanha no inverno alemão, durante uns 5 minutos. Seria a cena mais interessante do filme, se a Eva não fosse feia e gorda.

O Hitler é mostrado como um idiota incapaz de articular duas idéias, e o Goebbels parece um anão de circo, em todos os sentidos. As conversas seguem um roteiro básico: primeiro, os personagens se encontram, e ninguém fala nada; em seguida, alguém fala alguma coisa bem idiota; os personagens permanecem em silêncio, cada um pensando na resposta mais absurda e incoerente possível; então, todos falam ao mesmo tempo e, por último, o Hitler fica puteado furioso e dá um discurso sobre como os alemães são superiores (ou sobre por que os tchecos têm bigodes que crescem pra baixo).

O filme é insuportável, tem várias cenas que não fazem sentido nenhum, e o roteiro não parece seguir nenhuma lógica definida. Se as cenas fossem mostradas na ordem inversa, do final para o começo, não faria absolutamente nenhuma diferença, tirando o fato de que o Hitler iria embora da casinha antes de chegar.

Comparado com “A Queda” (der Untergang), o filme é um lixo. Mas se não comparar, é um lixo também. Além disso, vale comentar que durante todo o filme ninguém diz um único “Heil Hitler!”, nem nada semelhante. E o discurso do Hitler de camiseta regata e bermuda foi absolutamente ridículo. A cena do Hitler hipocondríaco foi digna do Zorra Total. O filme é um saco não correspondeu às minhas expectativas.

Moloch

Alemanha/Rússia

1999

+- 105 minutos

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Campanha Anti-bloqueio

Vi por aí um site contra o bloqueio de celulares, que impede que os aparelhos comprados em uma operadora sejam habilitados nas empresas concorrentes. Como tinha gente famosa nas fotos do site, logo vi que deveria ser ação de alguma operadora. Não errei. Lá embaixo, em um quadradinho que diz "Defendem esta causa" está escrito "Oi".

Genial. Além de passar a imagem de empresa boazinha e altruísta pra ganhar um monte de clientes (vai ganhar mesmo), acaba forçando as concorrentes pararem de bloquear os celulares (ou perderem clientes). Independentemente dos objetivos (financeiros), a idéia é interessante para a sociedade em geral. O bloqueio dos celulares é um saco, e aqui em casa mesmo tínhamos um aparelho da Claro, e teríamos de pagar 40 reais para podermos usá-lo pela Tim.

O que falta agora é uma operadora que respeite os clientes. Para quem não sabe, a maioria dos casos no Tribunal de Pequenas Causas tratam de abusos das operadoras de celular, e o mesmo vale para as reclamações no Procon. E isso nunca vai sair na mídia, pois as operadoras anunciam em todo veículo possível.

Mas já é um começo.

O Enigma de Kaspar Hauser

Hoje aluguei esse filme alemão, do diretor Werner Herzog. Definitivamente, não é um filme no estilo blockbuster, e a maioria das pessoas o consideraria chato. A história (baseada em fatos reais) é sobre um homem que vivia em cativeiro, até que seu “dono” (pois ninguém sabe exatamente a sua origem) o levou para o centro da cidade de Nuremberg e o largou lá, apenas com uma carta na mão explicando que o homem nunca tinha convivido com ninguém. Depois de passar um tempo com uma família simples, ele se muda para a casa de um homem, cujo nome não me lembro, que o ensina a falar, ler, escrever, tocar piano, etc.

Kaspar, que nunca havia tido contato com a sociedade, estranha as convenções sociais, que, devido a seu pensamento ingênuo e infantil, acaba escandalizando as pessoas da alta sociedade. Kaspar não entende porque deve freqüentar a igreja; diz que acha os cantos horríveis e não vê sentido no que o pastor fala. Há muitas passagens nesse sentido, mostrando como o personagem principal enxergava o mundo de ser modo diferente e, podemos dizer, imparcial.

No final do texto, eu conto aqui algumas das passagens mais interessantes, que beiram o cômico, já que, dos quase ninguéns que vão ler este texto, provavelmente nenhum vai se prestar a ver o filme.

O filme traz algumas cenas legais de paisagem, alguma música clássica (a música tema é o Cânone de Pachelbel – clichê máximo), e os cenários são legais – os campos, paisagens e a cidade antiga (o filme se passa em mil oitocentos e mais ou menos trinta). O título original do filme, em alemão, pode ser traduzido como “cada um por si e Deus contra todos” (Jeder für sich und Gott gegen alle), mas os tradutores brasileiros são geniais, e criam os melhores e mais criativos títulos do mundo.

Bom, não sou muito bom em escrever críticas de cinema, então vou colocar aqui as passagens mais interessantes:

1) Cena da Maçã – O homem que acolheu Kaspar tenta explicar a este o amadurecimento da fruta, mas seu protegido diz-lhe que as maçãs estão cansadas e desejam dormir. O homem explica que as maçãs não são vivas, e fazem apenas o que os homens querem, e atira a maçã, que rola e entra no meio de alguns arbustos. Kaspar diz então que a maçã fugiu para o mato. Em uma nova tentativa, o homem pede para seu amigo colocar o pé no caminho da maçã, para que ela não fosse para o mato, e demonstrasse o poder dos homens sobre a natureza. Ele atira a maçã, que bate no chão e passa por cima do pé do outro. Kaspar então exclama, maravilhado: “Mas esta é uma maçã muito esperta!”.

2) Cena da Lógica – Um homem que deseja estudar Kaspar faz-lhe uma pergunta lógica para analisar sua capacidade de raciocínio. A questão é mais ou menos assim: existem duas aldeias; em uma, todos falam a verdade, e, em outra, todos mentem. Se alguém encontra um homem, e deseja saber de qual cidade ele vem, só podendo fazer uma pergunta, qual pergunta seria essa?

Quando Kaspar não responde, o homem diz a resposta, que é algo que envolve uma pergunta com dupla negação. Kaspar então diz que há outra pergunta possível. Ele perguntaria para o homem: “você é uma rã?”, e a resposta do cara esclareceria de qual aldeia ele era. O estudioso, então, fica irritado, e diz que a resposta de Kaspar não é lógica e é inaceitável.

3) Carinha da Burocracia – Um dos personagens não toma partido em nenhum acontecimento, mas apenas registra tudo. Enquanto todas as situações acontecem, ele toma nota de tudo, não deixa passar um detalhe, mas não se envolve em absolutamente nada. No final do filme, ele se gaba, pois vai fazer o mais perfeito registro de ocorrência jamais feito. Não tem o mesmo efeito contando, mas é bem cômico.


O Enigma de Kaspar Hauser (Jeder für sich und Gott gegen alle)
Alemanha
1974
Pouco mais de uma hora e meia

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"Mas que maçãs espertas!" - Kaspar Hauser

sábado, 2 de junho de 2007

Peixe grande e suas histórias maravilhosas

Depois de muito tempo querendo ver esse filme de Tim Burton, bom, eu o finalmente vi. E posso dizer, sem sombra de dúvida, que o filme é fantástico (em todos os possíveis sentidos), superou e muito minhas expectativas.


O filme conta a história de Edward Bloom, um homem sempre confiante e otimista que conta histórias de sua vida com muita fantasia. Entretanto, é justamente por isso que seu filho Will briga com ele, pelo fato de não saber de nenhuma história "real" sobre seu pai. E o conflito vai por aí... O filho querendo descobrir quem é o pai, quando este está morrendo.


Não sei como contar/resenhar essa história sem talvez contar algo importante, mas creio que não há problema, não pra esse filme. Mas vou deixar no final os comentários que talvez envolvam detalhes do final...


O roteiro é belíssimo (cada passagem é mais incrível que a outra), a fotografia também, aliás, sublime. A direção de arte é ótima. E a direção não deixa por menos... As cenas são muito bonitas visualmente e tudo isso é coroado com interpretações magnânimas dos atores (Ewan McGregor interpreta Eddie Bloom jovem).

Arre, como eu já fiz várias vezes antes: dane-se a coesão textual.

O filme é muito bonito, retratando a imaginação de Edward Bloom. Como a vida simples dele não tinha graça, como ele pensava mais alto... claro, tudo isso tá no filme, mas o que eu acho principal é o fato da relação entre pai e filho. Edward sempre contou pro filho as histórias fantásticas sobre sua vida, porque queria "proteger" o filho da verdade, mostrar como a vida é incrível, tudo o que ele fez foi para mostrar o quão especial a vida é, esse tipo de coisa. E isso é admirável. Além disso, quando Will insiste em saber a "realidade", ele não percebe que as histórias que seu pai conta é que são a realidade, a realidade dele tanto como vontade quanto uma realidade de pai afetuoso que quer o melhor pro filho.

E... Quando ele...
Bah... Não posso escrever mais do que isso sem contar o final e, por conseguinte, sem me emocionar, pois o final é muitíssimo bonito e, confesso, não pude segurar as lágrimas ao vê-lo... Vale muito a pena ver esse filme. E, é claro, depois disso, abraçar seu pai.


Big Fish
EUA
+/- 120min


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"... Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais." - Elis Regina em "Como nossos pais"

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Cartaz

Fiquei sabendo hoje que a ESPM aqui de Porto Alegre está fazendo um concurso em que os participantes precisam fazer um cartaz sobre consciência ecológica que leve as pessoas a agirem. Me interessei, mas logo fiquei sabendo que o prazo de inscrição é meio apertado. É hoje, pra ser mais exato.
Eu tive uma boa idéia pro cartaz, mas não tive tempo pra fazer do jeito que eu queria. Fiz do jeito que deu, e me inscrevi igual, já que só tem outras 5 pessoas concorrendo. Não ficou como eu queria, mas, considerando que eu tive uma tarde pra fazer tudo, tá até bonzinho.
Clique na imagem para ver grande.


quarta-feira, 23 de maio de 2007

Palestras

Semana Acadêmica da ESPM de Porto Alegre. Tema: Meio-ambiente (ou algo assim)

Então, até agora tive quatro palestras, das quais apenas duas foram realmente boas. A primeira foi com o cara que é o chefe do setor ambiental da Gerdau, e ele fez uma das palestras boas. Das grandes empresas que se apresentaram lá, a Gerdau foi a única que conseguiu convencer de que se importa com o meio-ambiente, mesmo o cara tendo falado que grande parte é porque os europeus não compram nada se eles não protegerem (não que eu me importe, o que importa é que eles protegem, e não o porquê).

Depois, teve a palestra da GM, que tentou passar por amiga da ecologia, mesmo estando em um tipo de negócio que não permite isso. Passou a impressão de fazer apenas o que não atrapalha os negócios.

Em seguida, a Aracruz, que foi bastante esperada. Como é uma empresa que produz papel, é impossível não causar danos ao meio-ambiente, e eu me admirei com a mulher que foi falar, que deixou de lado a hipocrisia. Esclaresceu alguns mitos sobre o negócio, como, por exemplo, os danos que o eucalipto causa à vegetação nativa (existem, mas não são o que se costuma ouvir por aí), já que a empresa planta responsavelmente. Falou que, embora as terras que a Aracruz compra para o plantio sejam, na maioria, desocupadas, é responsável por um pouco de êxodo rural, mas também que aumentou os empregos em relação às pessoas que viviam nas áreas (embora os empregos sejam nas cidades vizinhas). O interessante é entender que esse tipo de atividade não pode ser feita sem um dano ao meio-ambiente, e que a única opção é minimizar os danos e não consumir tanto. Uma parte deve ser feita pela empresa, outra pela sociedade como um todo.

Por último, uma palestra sobre transgênicos. Um executivo da Monsanto (maior empresa de transgênicos do mundo) veio de São Paulo para falar, e um professor da UFRGS foi fazer o contraponto. Bastante interessante a discussão. O cara da Monsanto obviamente falou sobre os benefícios dos transgênicos (além de explicar como funciona), e como é tudo lindo e tal. O professor da UFRGS salientou que nao é contra os transgênicos, mas sim contra o uso indiscriminado, colocando produtos no mercado cujos danos a longo prazo, caso existam, são desconhecidos. Disse que defende uma discusão da sociedade em torno do tema, o que é impossível no Brasil, e defendeu uma comissão imparcial para avaliar a segurança das sementes transgênicas. Também disse que o Lula passou uma medida provisória para transformar as decisões da CTNBio em maioria simples, para favorecer as empresas, e disse que o pessoal da do conselho da CTNBio é comprado. Pena que faltou tempo para uma discussão mais ampla, com direito a briga (física) e tudo. E os dois palestrantes concordaram que a introdução da soja transgênica no RS foi feita do pior e mais irresponsável jeito possível. Embora não tenham dito que jeito foi esse, eu acho que, se o cara da Monsanto concorda que foi ruim, deve ter sido feia a coisa.

Enfim, hoje não estou com vontade de dar muita opinião sobre assunto nenhum, mas talvez outra hora eu resolva escrever mais. Talvez eu resolva organizar argumentos mais tarde e tal.
Ah, esqueci de dizer: A Aracruz pode parar de investir no RS caso as licensam ambientais não sejam feitas de uma vez (porque o órgão responsável não tem dinheiro pra nada).
E a Gerdau que impressionou, parece bem legal o que eles fazem.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Blog tri

Eu ia postar hoje sobre o filme "Um Crime de Mestre" (ou algo assim), a que assisti ontem. Encontrei, entretanto, um blog muito engraçado tirando com os comunistas. Todos os clichês do Revolucionário de Shopping, muito bem explorados. Inclusive eu garanto que muitos dos Camaradas do POVO que compram camiseta do Che no Iguatemi levam o blog a sério. Na verdade, eu mesmo não tive certeza quando vi, conhecendo os pseudo-intelectuais comunistas.

Ps.: Eu não odeio todos os comunistas. Eu amo a maioria. Por "amor", entenda-se "desprezo". Mas, falando sério, falo dos comunistas de modinha, e, embora não concorde com o comunismo, não vejo problema em ser comunista "de verdade".

E aliás, falando em Iguatemi, lembrei que o Barra-Shopping em Porto Alegre deve ficar legal. Tinha que ter uma Livraria Cultura maior ainda. E, sei lá, mais coisas diferentes, os shoppings de São Paulo são tão mais legais.
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O ópio é o ópio do povo - Fernandinho Beira-Mar

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Mistério de Natal - Jostein Gaarder


Livro publicado em 1999 na Noruega e em 2006 no Brasil, Mistério de Natal, escrito pelo já famoso Jostein Gaarder, é uma lição a ser aprendida por cada um dos 6 bilhões de habitantes do planeta.

O livro conta a história de um menino que compra um calendário de Natal, daqueles comuns na Europa que têm portinhas para serem abertas a cada dia de dezembro, e de dentro das portinhas ao invés de doces saem trechos de uma história misteriosa.

Talvez seja um tanto bobo o livro, eu mesmo acho que é bobinho, mas mesmo assim, a mensagem é muito bonita. O livro obviamente fala do nascimento de Jesus e do Presépio e tal, coisas cristãs desde sua origem. Entretanto, a mensagem, como o próprio livro diz, não se aplica somente àqueles que acreditam ou não em Jesus, se têm outra religião ou se sequer possuem uma.

A mensagem do livro é basicamente a de que o que Jesus ensinou transcende credos e opiniões, raças e etnias. Não importa se tu acreditas ou não que ele era filho de Deus ou se tu sequer achas que ele tenha existido (apesar de já existirem provas). O que ele nos transmitiu é válido para qualquer um: a bondade e generosidade. Coisas que são das mais difíceis de se fazerem, pois vão contra a natureza do ser humano (na minha opinião!).

A mensagem do livro é muito mais importante do que a história em si, que, como já disse, é bobinha. Essa mensagem deveria ser escutada por todos. Mas não só escutada, mas compreendida. E não só compreendida, mas posta em prática também.

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"Um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais uma com as outras para variar (...)" - Douglas Adams

sábado, 12 de maio de 2007

Ensino e Democracia

Eu acho que democracia é uma bosta. Ta, desculpem, eu disse isso só pra criar polêmica, pra ver se alguém se presta a ler. Mas, a grosso modo, é isso aí mesmo.

Não que eu seja a favor de um governo totalitário, seja fascista, comunista ou sei lá o que mais. Só acho que as pessoas simplesmente não estão aptas a decidirem o futuro dos seus países. Nosso Brasil serve de exemplo perfeito. Não digo que o povo não tenha capacidade mental de tomar esse tipo de decisão, mas acho que não está preparado.

Digo isso porque os brasileiros, assim como os povos da maioria dos países, não têm a menor preparação para a política. Nosso sistema de ensino não inclui absolutamente nada sobre política e economia. As aulas de filosofia são como recreio para os alunos, e a sociologia, que está sendo incluída no currículo, tende a seguir pelo mesmo caminho. E em filosofia e sociologia, dificilmente se estuda problemas contemporâneos, e sim biografias e bibliografias que os alunos só precisam (ou nem precisam) decorar.

Somando-se isso ao fato de que grande parte do povo brasileiro não é nem mesmo escolarizado, não é de se espantar que a democracia no Brasil acabe do jeito que está. As pessoas votam no candidato com o qual elas mais se identificam, no candidato com a melhor campanha eleitoral. Podemos perceber isso claramente durante as campanhas eleitorais, nas quais os candidatos sempre dizem que vão melhorar tudo, mas nunca dizem como. Não existem mais propostas concretas, porque isso não traz votos.

Por isso, esse post não tem como objetivo ser um ataque à democracia, e sim uma crítica ao sistema de ensino brasileiro. Não adianta querer colocar todos os jovens na escola e aumentar o currículo em um ano, se a escola não presta. Mesmo nas escolas particulares, os alunos podem se formar sem terem nada na cabeça além de um amontoado de nomes, datas e fórmulas para passar no vestibular. Seria muito mais vantajoso “encolher” disciplinas como química, física e biologia, para que englobassem um conhecimento básico e aplicável no dia-a-dia, e não se estendessem por três anos de fórmulas e cálculos. Dessa maneira, poderiam ser incluídas aulas de verdade sobre a situação do país, sobre política, economia, sociologia e filosofia, englobando não somente a História, mas também a aplicação dos conceitos na sociedade contemporânea.

Se o governo não tem a capacidade para fazer uma reforma de verdade no ensino brasileiro, as universidades poderiam tomar a iniciativa de cobrar conceitos sérios sobre esses assuntos, e não só temas de redações com uma suposta preocupação social onde o que se percebe como resultado é um festival de clichês.

Aulas bem ministradas das já citadas disciplinas tendem a ser muito mais interessantes para os alunos, principalmente para os alunos de escolas públicas, que, justamente por serem socialmente desfavorecidos, podem enxergar nelas uma maneira de mudar a situação em que se encontram. E, na verdade, isso poderia mesmo acontecer, já que estaríamos formando um povo com consciência política, que, durante o período de eleições, saberia dar mais importância às propostas do que à publicidade.

Apesar de tudo isso parecer muito utópico, a saída para o problema é muito mais simples do que se imagina. Como dizem milhares de clichês por aí, a saída é o aeroporto.
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E o que acontece em minhas raras horas de alegria, o que é deleite,
vivênca, êxtase e elevaçao para mim, as pessoas procuram principalmente
na poesia. Na vida, elas acham maluco. (Hermann Hesse, em O Lobo da Estepe - tradução meia-boca feita por mim)

"Und was hingegen mir in meinen seltenen Freudenstunden geschieht, was für mich Wonne, Erlebnis, Ekstase und Erhebung ist, das kennt und sucht die Welt höchstens in Dichtungen, im Leben finden sie es verrückt."

terça-feira, 8 de maio de 2007

Notícia bombástica

Incrível! Depois de quase 3 anos usando este computador, acabo de perceber que o teclado tem til e crase! Na mesma tecla! àààà ããããã! Levei quase 3 anos pra perceber isso! Mas também, que tipo de idiota põe uma tecla dessas à esquerda da barra de espaço? Tudo culpa desses porcos capitalistas...

E explodem violentas manifestações em Paris, em protesto à eleição (democrática) de Nicolas Sarkozy. Liberdade de pensamento e de expressão são ótimas, e que bom que eles não concordam com as idéias do novo presidente. No entanto, foi uma eleição justa, democrática, e protestos violentos não se justificam. Se fossem pacíficos eu até apoiaria (não que alguém se importe com o meu apoio), mas o que os manifestantes querem, afinal? Que as eleições sejam invalidadas porque o candidato deles não ganhou? Eu, hein...

E eu estou bem curioso pra ver o que vai sair desse governo.

E desculpem os posts sobre política francesa (se é que alguém lê isso aqui...), mas é tão mais "legal" que a brasileira, por falta de uma palavra melhor (não que nao exista, mas to com preguiça de pensar). E é um país mais expressivo no cenário mundial, claro.

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"The biggest argument against democracy is a five minute discussion with the average voter." - Winston Churchill

Aceito doações de citações (que nojo, rimou...)