quinta-feira, 26 de abril de 2007

Linguagem da Internet

Começo me desculpando pela falta de acentos graves e tils nese texto. Meu teclado nao tem isso. Mas vamos ao que interessa =]

Ando vendo pela Internet muitas discussoes sobre o uso da assim chamada "linguagem de internet", e percebo que a maioria das pessoas pensa que esse tipo de linguagem deturpa a língua portuguesa.

A primeira coisa que gostaria de ressaltar é que nao se pode tratar a linguagem utilizada na Internet como uma coisa única. Posso pensar em pelo menos duas divisoes. A primeira delas é o uso de abreviaçoes com o objetivo de tornar mais rápida a comunicaçao. O segundo tipo é o uso de palavras "estilizadas", ou seja, com erros ortográficos propositais.

A linguagem com palavras abreviadas é comum em programas de troca de mensagens instantâneas, e é uma tentativa de acelerar a conversa, que é muito mais lenta do que a fala. No entanto, essa linguagem ultrapassou as fronteiras do MSN e prevalece hoje no Orkut, em e-mails, em blogs, e até mesmo em sites. Em alguns casos, isso é inofensivo, já que ninguém é obrigado a utilizar a norma culta para escrever um e-mail para os amigos. No entanto, há situaçoes, principalmente em textos mais densos e elaborados, em que escrever de acordo com as regras ortográficas torna o texto mais atrativo, e, principalmente, inteligível.

O uso de palavras estilizadas é o que gera mais discussoes e controvérsias. A estilizaçao vai desde troca de letras (o K no lugar do C, por exemplo), até letras maiúsculas e Hs colocados aleartoriamente no meio das palavras. Nao tendo o objetivo de facilitar a comunicaçao, nao serve a nenhum propósito que nao seja a identificaçao com algum grupo social. Quando essa linguagem é usada entre amigos que compartilham este código, nao há problemas na comunicaçao. No entanto, quando se escreve para pessoas diferentes entre si, ou mesmo de características desconhecidas, deve ser usada a norma culta. Isso porque nem todos sao habituados a estilizaçao do texto, e podem ter problemas para compreender o que um texto estilizado quer dizer.

Tudo é, portanto, uma questao de para quem estamos escrevendo. Ao conhecermos os interlocutores, podemos (e devemos) usar a linguagem com a qual eles se identificam. Um exemplo disso é o presidente Lula, cujos discursos, criticados pelas classes média e altas, sao muito bem aceitos pela populaçao de baixa renda. Ele fala na linguagem do povo, que pode entendê-lo, ao contrário da maioria dos políticos, que deixa o povo "boiando". Em contrapartida, quando nao se conhece os interlocutores, ou quando eles sao muito diferentes entre si, convém usar uma linguagem que todos possam entender, que geralmente (mas nem sempre) é a norma culta.

Além disso, é preciso diferenciar as linguagem abreviada e estilizada dos erros de ortografia. Embora passem despercebidos em textos escritos na "linguagem da Internet", sao gritantes em textos cultos. Nao demonstram nem praticidade nem estilo, e sim uma falta de domínio da língua.

Mesmo assim, pior do que o erro ortográfico, que significa a limitaçao do domínio de uma língua, sao os textos mal organizados, com frases mal construídas e idéias confusas, pois quem escreve textos assim nao vai conseguir escrever bem nem em português nem em língua nenhuma. Isso porque o problema é a incapacidade de organizar idéias em forma de texto. De qualquer modo, ambos os problemas andam juntos, na maioria dos casos, já que decorrem, principalmente, da falta de leitura.

O objetivo desse texto é apenas evitar o preconceito contra a linguagem de Internet, quando usada devidamente, e também para explicar quando é conveniente usar essa linguagem e quando nao é. E vale repetir: O mais importante é saber PARA QUEM estamos escrevendo.

Caso queiram complementar, discordar ou me matar, é só deixar um comentário! =P
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A noçao de tempo é relativa. Dois minutos é muito pouco para se conversar com uma garota interessante, mas tente passar dois minutos sentado sobre o fogao. (A frase nao é bem assim, mas a idéia é essa, e é geralmente atribuída a Einstein. Mas o que vale é conceito, bem utilizado no texto acima: tudo é relativo (o que nao tem nada a ver com a Teoria da Relatividade, por favor...)

domingo, 15 de abril de 2007

Vários Filmes

Assisti finalmente a todos os outros filmes que comprei, então vamos a breves comentários sobre eles:

A Lista de Schindler: Filme que todo mundo já tinha visto, menos eu. Bom, pra quem ainda não viu, é sobre um cara (o Schindler) que, durante a Segunda Guerra Mundial, mantinha trabalhando em sua fábrica mais de mil judeus para livrá-los do extermínio. É muito bom o filme, embora seja bastante comprido (como a maioria dos filmes do Spielberg).

Cidadão Kane: Outro filme que queria ver faz muito tempo, e que me surpreendeu. Pensei que fosse ser chato, parado, mas não. Fala sobre um cara (o Kane), que é milionário e gasta sua fortuna em um jornal com causas sociais. No entanto, ele começa a ganhar dinheiro, compra vários outros meios de comunicação e esquece dos seus princípios. Mas é foda, muito foda. É sobre o poder dos meios de comunicação, ou pelo menos o poder que eles achavam que os meios de comunicação tinham naquela época.

O Silêncio: Filme sueco de 1963, do diretor Ingmar Bergman. Parece ser interessante, apensar de muito parado, mas não deu pra prestar bem atenção, já que estávamos todos conversando enquanto víamos o filme. Quando eu assistir a ele de novo eu posto outro comentário.

Além disso, assisti ontem a Clube da Luta, que é muito foda. Embora o estilo do filme não seja apreciado por todo mundo, a idéia por trás é bem interessante. É sobre um cara que trabalha para uma companhia de automóveis, e um dia o apartamento dele explode. Aí ele encontra um cara que vive numa casa abandonada e suja, e se muda pra lá também, e muda completamente seu jeito de viver. Ele e o amigo formam o tal do clube da luta, onde vários homens lutam por diversão apenas, e o projeto cresce e se espalha por todo o país, e é a partir daí que fica bem legal a coisa. Ok, não foi um resumo muito bom, é verdade, mas o filme é muito foda. Assistam!


A Lista de Schindler (Schindler’s List)

Estados Unidos

1993

195 minutos


Cidadão Kane (Citizen Kane)

Estados Unidos

1941

119 minutos


O Silêncio (Tystnaden)

Suécia

1963

96 minutos


Clube da Luta (Fight Club)

Estados Unidos

1999

139 minutos

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"He who controls the past controls the future. He who controls the present controls the past" - Geroge Orwell, em 1984 (o livro, nao o ano)

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Eu odeio gente burra. Desculpem, podem achar que é preconceito ou o que quiserem, mas não suporto gente idiota. Não falo de gente que tem dificuldades pra aprender algo, mas gente que não aprende por vagabundagem, gente com opiniões idiotas (o problema da democracia é que todos podem ter as opiniões que quiserem!), gente que não se importa com nada nem ninguém. Gente que tem acesso a tudo e não aproveita nada, e fica vendo o Big Brother e a novela, e se acha culta porque leu o Código da Vinci, a Veja da semana e a Zero Hora do dia.

Não que eu tenha algo contra O código da Vinci, eu mesmo li e achei legal. Mas as pessoas não podem se dar conta de que é só um livro de ficção, feito pra entreter, e que não deixa ninguém mais culto? E aquela teoria é ficção. Ponto.

E todo o dia eu tenho que agüentar pessoas que cada vez mais comprovam a teoria de que não há limites para a estupidez humana. Gente com dinheiro, com acesso à educação, a livros, filmes, cinema, teatro e tudo mais, e que mesmo assim não pensa em nada. E pensam que pensam (o que é pior). Sinceramente, por que é que algumas pessoas simplesmente não morrem?

Desculpem o texto meio raivoso e sem conteúdo, mas às vezes não dá pra suportar. Mas tanto faz, acho que ninguém vai se ofender com o texto, e todos vão concordar (um ponto positivo pra quem discordar ou concordar porque entendeu).

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"O bom senso é o que há de mais bem distribuído no mundo pois cada um pensa estar bem provido dele." - René Descartes

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Potemkin, Chico Buarque e Caetano Veloso


Hoje resolvi torrar economias, fui lá na Cultura e comprei 4 filmes, que queria ver há bastante tempo. Um deles é "O Encouraçado Potemkin", filme soviético de 1925, do diretor Sergei Eisenstein. Para quem nao sabe, o filme é considerado um clássico do cinema por técnicas inovadoras de cinema e todo esse negócio do qual nao entendo nada. O filme é muito parado, tem cenas repetitivas demais, e é cansativo. Ta, ele é chato, no geral, mas na época deve ter sido a última bolacha do pacotinho. E tem cenas muito boas fodas, como a do exército na escadaria, que eu nao vou contar como é, caso alguém queira ver o filme.

Bom, o filme é também uma propaganda comunista descarada, é claro, mas nao dá pra entrar em detalhes pra nao estragar o filme pra ninguém que queira ver.

Além disso, ouvi o CD ao vivo do Chico e Caetano ao vivo, e é uma viagem. Partido Alto e Tropicália estao muito legais, bem devagares, com o Caeteno cantando bem chapado (aparentemente, ao menos). É legal pra quem gosta desse tipo de música.

Por último, gostaria de dizer que o texto de hoje nao tem til nem crase por causa desse teclado, e é um saco ficar procurando expressoes com crase e palavras com til no google pra poder colar aqui. Além disso, o texto tá meio superficial, mas eu to com pressa, tenho umas coisinhas pra terminar aqui ainda. E depois posto aqui um comentário sobre os outros filmes que comprei e ainda nao vi!
=]

O Encouraçado Potemkin (título original russo nao disponível por falta de alfabeto)
1925
74 minutos

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"Os homens muito moralistas, geralmente são hipócritas. As mulheres muito moralistas, geralmente são feias." - (Oscar Wilde) - Nao é pra ser um comentário machista, é só uma crítica ao moralismo (é o que eu acho, ao menos)

Tudo Acontece em Elizabethtown


Quem sou eu? O que é preciso para se alcançar a felicidade? Essa pergunta dificilima é tema do incrível filme "Tudo Acontece em Elizabethtown". O filme lembra muito os ótimos "Hora de Voltar" e "Flores Partidas", mas não deixa nada desejar.

O filme conta a história de um jovem empresário (Orlando Bloom) que fez sua empresa perder aproximadamente 1 bilhão de dólares. Ele está prestes a cometer suicídio quando recebe um telefonema avisando-lhe que seu pai morreu. Blablablá. Ele tem que ir pra cidade natal de seu pai para as cerimônias fúnebres e no avião conhece uma aeromoça um tanto esquisita (Kirsten Dunst).

Vemos o personagem ter de lidar com sua fama na cidade (a notícia que conta que ele foi o responsável pela perda de dinheiro da firma ainda não fora divulgada) e seu desconforto com ela. Ele, uma pessoa muito solitária (apesar de ter namorada), tendo de conviver com uma família que foi jogada em cima dele. Ele enfrenta a dor de ter perdido seu pai, mas ele percebe que não conhecia bem seu pai e esse tipo de coisa.

Elizabethtown é um filme tocante, com cenas muito bonitas. A cena do discurso/apresentação da mãe de Bloom (Susan Sarandon) para os parentes que a odiavam, no final do filme, é emocionante. E vemos também como Bloom vai se encontrando ao conversar com Dunst. Vemos que tudo o que ele precisava era conversar, só isso. Ter um(a) amigo(a). E a cena da viagem de volta em que ele finalmente encontra a versão dele do seu pai e finalmente se solta é comovente.
Aliás, o filme conta com uma incrível atuação do Orlando Bloom. Sinceramente, acho que ele não trabalha bem, mas, depois desse filme, mudei minha visão. Ele trabalhou muito, mas muito bem. Tá certo que o papel talvez tenha ajudado (um cara caladão com cara de deprimido), mais até do que o Legolas de "O Senhor dos Anéis", mas mesmo assim, foi convincente pacas. Só que não foi só ele, a Kirsten Dunst também convenceu como a aeromoça estranha. E outra atriz que não aparece muito, mas no pouco que aparece, principalmente no final, cativa o espectador é Susan Sarandon; sua cena, já citada, em que ela faz um discurso é incrível.

Bom, um filme que lida delicadamente com os sentimentos dos personagens. O diretor soube dosar muito bem o drama, a comédia e o romance e fez um filme que deveria ser visto por muita gente (e não deixem de assistir "Hora de Voltar" e "Flores Partidas" também!).

PS.: A cena do enterro ficou muito bonita. Percebam que Bloom é o único sem óculos escuros.
Elizabethtown
Estados Unidos
Drama, comédia, romance
xxx minutos
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"Aprendi o segredo da vida vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar" - Medo da Chuva - Raul Seixas

sábado, 7 de abril de 2007

Irã x Reino Unido

Acho que todos os meios de comunicação já falaram algo a respeito da prisão dos quinze oficiais britânicos no Irã. Os britânicos praticamente demonizam o presidente iraniano, porque ele prendeu os militares e tal, muito embora eu duvide que os militares iranianos tenham consultado o presidente antes de efetuarem a prisão (nem acho que eles teriam conseguido se quisessem, mas não vem ao caso).

Os jornais iranianos, por sua vez, endeusam o presidente, enfatizando como ele foi bonzinho e caridoso com os britânicos invasores, e como o resto do mundo é injusto e não compreende a boa vontade do país (na verdade, os jornais iranianos não devem ter muita liberdade de expressão, pelo que se pode ver nesse link).

É claro para qualquer um que, assim como o Reino Unido conseguiu atrair a solidariedade mundial para o seu lado devido à péssima imagem do Irã no cenário internacional por causa da questão nuclear, o presidente iraniano se aproveitou descaradamente da situação para tentar conseguir a simpatia tanto do seu próprio povo quando da comunidade internacional.

Entretanto, nenhum dos jornais nos quais eu pesquisei sobre o assunto se foca naquela que eu considero a principal questão:

A embarcação britânica estava ou não dentro do território iraniano, e o que ela estava fazendo lá?

Os militares britânicos dizem que estavam em território iraquiano, mas não dizem o que estavam fazendo tão perto do Irã, e o governo iraniano diz que a embarcação estava sim no território deles. No entanto, nenhum dos lados apresenta qualquer prova disso, e nenhum governo, no mundo inteiro, pode averiguar a questão (com a quantidade de satélites artificiais que rodeiam a Terra, alguns deles devem ter fotos da tal embarcação).

O caso é que, caso os militares britânicos estivessem em águas iranianas, a prisão estaria justificada. Talvez fosse uma atitude exagerada, mas um país tem o direito de exercer sua soberania territorial quando uma embarcação militar estrangeira entra sem aviso em seu território. Caso seja esse o caso, então os britânicos têm muito a explicar.

Se, por outro lado, a embarcação não estava em território iraniano, independentemente da atividade que estava realizando, a prisão pode ser caracterizada como um ataque, sem qualquer justificativa possível.

Não vou julgar a situação, já que falta uma informação essencial para tanto. Mesmo assim, acho que, qualquer que seja o caso, o Irã deveria tomar mais cuidado com o que faz, já que os Estados Unidos, aliado do Reino Unido, está morrendo de vontade de entrar em guerra contra o país asiático, e a imagem do mesmo já não é muito positiva.

Além disso, também acho que as pessoas devem parar de olhar para o
Irã como o vilão e para o Reino Unido como a pobre vítima, sem antes ter conhecimento de todos os fatos do conflito, só porque o país é mostrado como "malvado" pela grande mídia da maior parte do mundo. Mas aí já é outra questao, e bem mais complicada...

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"Esperto é o homem que acredita apenas em metade do que lhe dizem. Genial é o homem que sabe em que metade acredita". - Autor desconhecido

quinta-feira, 5 de abril de 2007

300


A história dos 300 de Esparta (os soldados que "derrotam" um exército muitíssimo numeroso nas Termópilas) contada num filme de classificação etária 18 anos significa uma coisa: se você não gosta de violência não vá ver esse filme.

Banhado em sangue, o filme "300" afirma no cinema o estilo de filmes baseados em graphic novels iniciado com "Sin City" há dois anos atrás. O estilo "quadrinesco" de contar uma história é elevado a um tal patamar que parece que estamos lendo um quadrinho ao invés de na sala de cinema.

Contando com participação de Gerard Butler, David Wenham e Rodrigo Santoro, nenhum dos atores deixou a desejar em suas atuações, que, por sinal, foram muito convincentes. O único lado ruim foi que em alguns momentos eu tive a impressão de que Santoro fora dublado. Talvez até tenha sido, por ele mesmo, mas ficou esquisito. Aliás, a voz dele tá muito legal, apesar desse probleminha.

Uma bela história de bravura, que consegue aquilo que o filme "Tróia" tentou transmitir, mas sem sucesso: morrer por glória, a mensagem principal, para os personagens, nos dois filmes. Através de Leônidas (Butler) nos sentimos cativados pela arrogância dos espartanos. Morte para a glória. E rumo à História!

Porém, a conversinha de "estar lutando pela liberdade", "pelo povo" fica um tanto irritante e óbvia na trama secundária que se trata da rainha que fica em Esparta. Seu discurso soa meio repetitivo, beirando o clichê. Entretanto, a cena é tão curta que até dá pra agüentar.

O visual do filme é incrível, esplendoroso. Cenas sombrias com pontos de luz belíssimos. (A lua gigantesca que aparece no início do filme é muito legal). Fotografia muito bonita e a direção de arte faz jus a ela. As vestimentas dos espartanos (basicamente a capa vermelho-sangue) ficaram muito legais. Já a roupa dos persas, apesar de esquisitas, se encaixam de tal forma aos personagens que nem nos importamos, e parece muito natural que o deus-rei Xerxes use correntes e piercings de ouro.

Cenas chocantes e um diretor sem medo de mostrar cruamente a violência em todo seu apogeu. (A árvore de mortos, pilhas de gente morta sendo usada como "cimento" da muralha, etc)

O filme é foda.



300
Estados Unidos
Aventura
117 minutos

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"A verdade é um mito que surge quando a necessidade é muita" - por mim mesmo

O Segredo


Para estrear o blog, vou escrever sobre o filme a que assisti ontem à noite.

O Segredo estreou nessa semana nos cinemas, e eu aconselho todo mundo a não ver. Trata-se de um documentário, que apresenta à platéia uma "teoria". Diz o filme que o grande segredo do universo, conhecido por todos os grandes gênios da humanidade, como Da Vinci, Shakespeare, Einstein, Newton e muitos outros, é a Lei da Atração. Essa lei diz que atraímos para nós tudo o que pensamos, não importando se pensamos "positivamente" ou "negativamente'. Por exemplo, ao pensar que eu não quero, de jeito nenhum, ter meu carro roubado, eu estou atraindo o roubo (o filme usou esse exemplo, só que com uma bicicleta. Juro!).

Bom, depois disso, o documentário nos dá algumas "provas" "científicas" da lei de atração. Não vou nem entrar em detalhes sobre os exemplos para não ofender a inteligência do leitor.

Tenho certeza de que não consegui demonstrar aqui a quantidade de asneiras que eu tive que agüentar só nos primeiros quinze minutos de filme, mas eu juro que fiquei um bom tempo só olhando pra tela e não acreditando no que estava vendo. De tão ruim.

Além do conteúdo absolutamente imbecil do documentário, a parte artística deixa a desejar. Nas cenas em que há atuação (geralmente quando explicam-se os exemplos), o filme parece com uma daquelas propagandas do Polishop, e faz o espectador se perguntar onde foi que eles arranjaram aqueles atores.

Porém, o alvo dessa crítica não é o filme em si, e sim os produtores. O filme foi idealizado por uma mulher, cujo nome não me recordo agora, que queria compartilhar com o mundo sua crença na lei de atração. Até aí tudo bem, porque todos têm o direito de manifestar suas crenças, mesmo que não concordemos com elas. Além disso, a intenção da mulher era boa. Entretanto, como ela mesmo disse em entrevistas, o filme foi modificado e exagerado pelos produtores, obviamente para fazer mais sucesso. Quer dizer, o filme diz que é possível ficar rico pensando em dinheiro, e que se consegue tudo na vida só com pensamento positivo. É evidente que as pessoas adoram acreditar nesse tipo de coisa, e muitas acreditam nas baboseiras científicas que o filme apresenta para justificar a "teoria". Dá vontade mesmo de acreditar, essa tal lei faz a vida parecer tão mais fácil! Assim, os produtores aumentam as idéias da autora para que o filme se torne um sucesso fácil.

Para mim, isso se assemelha muito à Igreja Universal do Reino de Deus, pois ambos se aproveitam da crença e da ignorância das pessoas para enriquecer às custas delas. Acho isso desprezível, e espero que as pessoas não contribuam para isso. Basta não assistir a essa porcaria no cinema.


O Segredo (The Secret)
Austrália/Estados Unidos
Documentário
90 Minutos

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“O que eu espero, senhores, é que depois de um razoável período de discussão, todo mundo concorde comigo.” - Winston Churchill