quarta-feira, 23 de maio de 2007

Palestras

Semana Acadêmica da ESPM de Porto Alegre. Tema: Meio-ambiente (ou algo assim)

Então, até agora tive quatro palestras, das quais apenas duas foram realmente boas. A primeira foi com o cara que é o chefe do setor ambiental da Gerdau, e ele fez uma das palestras boas. Das grandes empresas que se apresentaram lá, a Gerdau foi a única que conseguiu convencer de que se importa com o meio-ambiente, mesmo o cara tendo falado que grande parte é porque os europeus não compram nada se eles não protegerem (não que eu me importe, o que importa é que eles protegem, e não o porquê).

Depois, teve a palestra da GM, que tentou passar por amiga da ecologia, mesmo estando em um tipo de negócio que não permite isso. Passou a impressão de fazer apenas o que não atrapalha os negócios.

Em seguida, a Aracruz, que foi bastante esperada. Como é uma empresa que produz papel, é impossível não causar danos ao meio-ambiente, e eu me admirei com a mulher que foi falar, que deixou de lado a hipocrisia. Esclaresceu alguns mitos sobre o negócio, como, por exemplo, os danos que o eucalipto causa à vegetação nativa (existem, mas não são o que se costuma ouvir por aí), já que a empresa planta responsavelmente. Falou que, embora as terras que a Aracruz compra para o plantio sejam, na maioria, desocupadas, é responsável por um pouco de êxodo rural, mas também que aumentou os empregos em relação às pessoas que viviam nas áreas (embora os empregos sejam nas cidades vizinhas). O interessante é entender que esse tipo de atividade não pode ser feita sem um dano ao meio-ambiente, e que a única opção é minimizar os danos e não consumir tanto. Uma parte deve ser feita pela empresa, outra pela sociedade como um todo.

Por último, uma palestra sobre transgênicos. Um executivo da Monsanto (maior empresa de transgênicos do mundo) veio de São Paulo para falar, e um professor da UFRGS foi fazer o contraponto. Bastante interessante a discussão. O cara da Monsanto obviamente falou sobre os benefícios dos transgênicos (além de explicar como funciona), e como é tudo lindo e tal. O professor da UFRGS salientou que nao é contra os transgênicos, mas sim contra o uso indiscriminado, colocando produtos no mercado cujos danos a longo prazo, caso existam, são desconhecidos. Disse que defende uma discusão da sociedade em torno do tema, o que é impossível no Brasil, e defendeu uma comissão imparcial para avaliar a segurança das sementes transgênicas. Também disse que o Lula passou uma medida provisória para transformar as decisões da CTNBio em maioria simples, para favorecer as empresas, e disse que o pessoal da do conselho da CTNBio é comprado. Pena que faltou tempo para uma discussão mais ampla, com direito a briga (física) e tudo. E os dois palestrantes concordaram que a introdução da soja transgênica no RS foi feita do pior e mais irresponsável jeito possível. Embora não tenham dito que jeito foi esse, eu acho que, se o cara da Monsanto concorda que foi ruim, deve ter sido feia a coisa.

Enfim, hoje não estou com vontade de dar muita opinião sobre assunto nenhum, mas talvez outra hora eu resolva escrever mais. Talvez eu resolva organizar argumentos mais tarde e tal.
Ah, esqueci de dizer: A Aracruz pode parar de investir no RS caso as licensam ambientais não sejam feitas de uma vez (porque o órgão responsável não tem dinheiro pra nada).
E a Gerdau que impressionou, parece bem legal o que eles fazem.

2 comentários:

Guima disse...

hm.
a gerdau é daonde mesmo?
ah, claro.

bia disse...

é, o lula fez bastante merda em relação aos transgênicos.
e anyway, continuo não gostando!