sábado, 9 de junho de 2007

A Arte de Escrever - Arthur Schopenhauer

O livro A Arte de Escrever, de Arthur Schopenhauer, não é um livro. São cinco textos retirados de outra obra dele. Os títulos dos textos são: Sobre a erudição e os eruditos (über Gelehrsamkeit und Gelehrte); Pensar por si mesmo (Selbstdenken); Sobre a escrita e o estilo (über Schriftstellerei und Stil); Sobre a leitura e os livros (über Lesen und Bücher); Sobre a linguagem e as palavras (über Sprache und Worte).

Por enquanto, eu li apenas os dois primeiros textos, e, apesar de eu já ter pensado algumas das idéias presentes no livro, outras são, para mim, novas e bastante interessantes.

O primeiro texto diferencia os verdadeiros cientistas e pensadores dos “falsos eruditos”, ou seja, aqueles que decoram tudo sobre determinado assunto e pegam apenas pensamentos prontos através de livros e de outras pessoas.

Em seguida, critica a crescente não-utilização do latim no meio científico. A princípio, o argumento me pareceu um tanto absurdo, e eu cheguei a pensar: por que diabos uma língua morta deveria ser usada para o conhecimento científico? Mas, conforme o autor foi apresentando os argumentos, percebe-se que ele tem razão. Ele defende o latim e o grego porque eram as línguas usadas pelo meio científico na época dele, mas os motivos para a utilização de uma língua única permanecem atuais. Através do uso de uma língua universal e imutável, os cientistas e pensadores do mundo todo poderiam entender o que seus colegas escrevem sem depender de uma tradução, que sempre distorce, em maior ou menor grau, o que o autor realmente quis dizer. Hoje em dia, pode-se dizer que o inglês está assumindo esse papel, mas, ao invés de o autor escrever seu texto naturalmente em inglês, o texto é traduzido por terceiros.

No segundo texto, pensar por si mesmo, Schopenhauer diz que o verdadeiro pensador pensa sozinho e tem suas próprias idéias, enquanto o erudito de enciclopédia pega pensamentos prontos dos outros e remenda todos em um conjunto heterogêneo e distorcido. Diz que o pensamento próprio é o único que realmente se integra ao sistema de pensamentos da pessoa, além de ser o único que a pessoa consegue compreender plenamente. Com isso, eu concordo bastante, e já pensava assim antes de ler, apesar de nunca ter visto isso formalizado, ou ter formalizado eu mesmo. Às vezes, podemos até achar interessante o que lemos, mas acabamos nos esquecendo posteriormente, enquanto as conclusões a que chegamos com esforço próprio acabam se fixando na nossa mente e fazendo parte do nosso modo de enxergar o mundo. Por isso, Schpenhauer diz que o excesso de leitura (ou seja, o excesso de pensamento alheio) pode prejudicar a capacidade do pensamento próprio, embora de jeito nenhum o autor despreze a leitura. Ele apenas afirma que o pensamento próprio tem muito mais valor para a pessoa do que algo que ela pega de outra.

Sobre o estilo de escrever do autor, acho que às vezes ele usa analogias para explicar conclusões a que ele chegou, mas não apresenta os argumentos que levaram à conclusão. Eu consegui compreender as analogias justamente por já estar familiarizado com o pensamento do autor, já que já tive essas idéias antes, mas isso acaba prejudicando seriamente o entendimento do conteúdo do livro, tanto ou mais do que as traduções que ele tanto critica (apesar de eu mesmo estar lendo os textos traduzidos).

Quando eu ler os outros três textos, eu posto sobre eles aqui (a não ser que eu ache que são muito ruins, mas acho isso improvável).

Por último, gostaria apenas de dizer que o tradutor do Word é uma bosta e que eu acho que the Cure é um saco e que a estética deles é péssima. Mas não levem a mal, é apenas a minha opinião (e de quem mais poderia ser? Duh!).

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"Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!" - Arthur Schopenhauer, sobre os "eruditos de enciclopédia"

2 comentários:

bia disse...

nao li ainda, mas como tu falou dele, eu nao vou ler o que tu escreveu pq eu quero ler :P

R.t.M disse...

The cure? Ahn?

HAUEHAEA

Foi ótimo o texto sobre o Schops.