domingo, 17 de junho de 2007

Babel e a Globalização - SPOILERS


O texto a seguir eu fiz como um trabalho para a aula de sociologia, e, por isso, dáenfoque à globalização, falando pouco do filme como diversão, por exemplo.


O filme Babel, do diretor Alejandro Gonzáles Iñárritu, tem como temas principais a globalização e o problema da falta de comunicação entre as pessoas. O roteiro foge do padrão habitual hollywoodiano por desenvolver três histórias aparentemente desconexas.

A história inicial se passa no Marrocos, onde um homem compra um rifle para que seus dois filhos possam caçar chacais. Para testar o alcance da arma, as duas crianças atiram em um ônibus que passava na estrada, ao longe, e acertam uma turista americana. A segunda história é a de uma babá mexicana que cuida de duas crianças americanas enquanto os pais viajam. Ela quer ir ao casamento de seu filho, no México, mas, como não tem com quem deixar as crianças, leva-as junto. A terceira história se passa no Japão, e mostra o drama de uma adolescente surda-muda e sua total carência afetiva.

Como o filme é bastante longo, com 142 minutos de duração, a história se torna, em certo ponto, previsível, pois indícios sobre a relação entre as três diferentes tramas podem ser encontrados cedo demais. Logo no começo, a babá fala ao telefone com o pai das crianças, que diz que Susan (a mãe, até então não identificada assim pelo espectador) havia levado um tiro. A trama que se passa no Japão, por outro lado, permanece aparentemente desconexa por bastante tempo, mas isso não chega a comprometer o filme, embora a relação da trama japonesa, que, longe de ser ruim, acaba se dedicando mais a problemas como relações pessoais e preconceitos, com as outras seja bastante pequena para justificar tamanha ênfase. Mais tarde, descobre-se que o pai da garota surda-muda foi quem havia dado o rifle ao marroquino que o vendeu para o pai das duas crianças, para que estas pudessem caçar.

A relação entre as tramas acaba por parecer pouco verossímil se for entendido denotativamente pelo espectador, mas é bastante pertinente se pensarmos no conceito por trás da história. O que o filme quer nos mostrar é que qualquer ação, ocorrida em qualquer lugar do mundo, pode interferir, direta ou indiretamente, nas nossas vidas. O japonês que deu seu rifle de presente ao marroquino, em agradecimento por este último ter sido seu guia em uma caçada, jamais poderia imaginar que a arma acabaria sendo usada por uma criança para matar uma turista americana, mesmo sem intenção. Esse conceito se aproxima da famosa máxima da teoria do caos, que diz que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um furacão na Ásia. Ninguém pode saber qual será o resultado de uma ação a longo prazo, nem mesmo em sua vida pessoal, mas o filme mostra que essa incerteza acaba se entendendo para o nível mundial, tanto mais quanto mais relações existem entre os vários lugares do globo terrestre.

Além das inter-relações entre causas e efeitos a nível mundial, o filme mostra também os efeitos da globalização nos diferentes cenários (e dificilmente poderia ser diferente em qualquer filme que mostra cenários atuais em qualquer dos países globalizados – ou americanizados). Os lugares freqüentados pelos jovens japoneses são muito semelhantes aos outros do mundo todo, como lanchonetes e danceterias com música eletrônica (todos com origem americana). Já a pobre região do Marrocos não conhece o American Way of Life, e a chegada do ônibus de turistas, assim como a de um helicóptero, chama atenção da cidade inteira, que pára a fim de assistir à inusitada cena.

Os americanos que param na pequena e pobre cidade marroquina acabam se assustando com o choque cultural, e têm medo de permanecer lá. Há uma desconfiança muito grande dos cuidados médicos dispensados à americana, e mesmo a embaixada americana não permite que uma ambulância marroquina preste socorro à mulher, que precisa esperar horas pelo helicóptero enviado pelo governo americano.

O ataque à americana acaba também desencadeando uma pequena crise de nível mundial, pois o governo americano afirma que os responsáveis pelo atentado foram terroristas marroquinos (o que pode ser até uma certa crítica irônica à política externa praticada pelos Estados Unidos já há muitas décadas), acusação o governo marroquino nega veementemente.

Outro exemplo de choque cultural se dá quando as crianças americanas acham, no mínimo, nojento quando um parente da babá, no México, mata uma galinha com as mãos, já que elas estão mais acostumadas e comprar a galinha, já morta, no supermercado (como a classe média das cidades brasileiras, aliás).

O filme acaba por não dar um julgamento definitivo sobre a globalização, focando-se mais em demonstrar que ela existe e que seus efeitos podem ser mais intensos do que é comumente imaginado. Por último, vale ressaltar que Babel mereceu, sem dúvida, o Oscar de melhor filme do ano conferido, injustamente, para o filme Os Infiltrados, de Martin Scorsese.
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"(...) eu me livrei daquilo que não-faz-parte-de-mim em minha natureza. Não faz parte de mim o idealismo: (...) onde vós vedes coisas ideais, eu vejo - coisas humanas, ah, coisas demasiadamente humanas!" - Friedrich Nietzsche

5 comentários:

Guima disse...

quando eu ver o filme eu leio o texto

Eduardo Cruz disse...

Acabo de fazer um trabalho sobre Babel e a Globalização, este teu post ajudou-me bastante. Aliás está fantástico.

Obrigado

Eduardo

Ana Paula disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Paula disse...

eu tb tinha q fazer um trab d soci
justamente sobre esse filme
e nao sabia como começar..
vlw msm.. me ajudou mt...
d fato a internet
é um coisa fantastica..
só tem uns erros do tipo:
a baba foi no casamento do irmao
e nao do filho, e o parente dela
q corta a cabeça da galinha
é o sobrinho dela.. =)
bjaao..

Vitor disse...

este post me ajudou afazer um trabalho
obrigado