segunda-feira, 4 de junho de 2007

O Enigma de Kaspar Hauser

Hoje aluguei esse filme alemão, do diretor Werner Herzog. Definitivamente, não é um filme no estilo blockbuster, e a maioria das pessoas o consideraria chato. A história (baseada em fatos reais) é sobre um homem que vivia em cativeiro, até que seu “dono” (pois ninguém sabe exatamente a sua origem) o levou para o centro da cidade de Nuremberg e o largou lá, apenas com uma carta na mão explicando que o homem nunca tinha convivido com ninguém. Depois de passar um tempo com uma família simples, ele se muda para a casa de um homem, cujo nome não me lembro, que o ensina a falar, ler, escrever, tocar piano, etc.

Kaspar, que nunca havia tido contato com a sociedade, estranha as convenções sociais, que, devido a seu pensamento ingênuo e infantil, acaba escandalizando as pessoas da alta sociedade. Kaspar não entende porque deve freqüentar a igreja; diz que acha os cantos horríveis e não vê sentido no que o pastor fala. Há muitas passagens nesse sentido, mostrando como o personagem principal enxergava o mundo de ser modo diferente e, podemos dizer, imparcial.

No final do texto, eu conto aqui algumas das passagens mais interessantes, que beiram o cômico, já que, dos quase ninguéns que vão ler este texto, provavelmente nenhum vai se prestar a ver o filme.

O filme traz algumas cenas legais de paisagem, alguma música clássica (a música tema é o Cânone de Pachelbel – clichê máximo), e os cenários são legais – os campos, paisagens e a cidade antiga (o filme se passa em mil oitocentos e mais ou menos trinta). O título original do filme, em alemão, pode ser traduzido como “cada um por si e Deus contra todos” (Jeder für sich und Gott gegen alle), mas os tradutores brasileiros são geniais, e criam os melhores e mais criativos títulos do mundo.

Bom, não sou muito bom em escrever críticas de cinema, então vou colocar aqui as passagens mais interessantes:

1) Cena da Maçã – O homem que acolheu Kaspar tenta explicar a este o amadurecimento da fruta, mas seu protegido diz-lhe que as maçãs estão cansadas e desejam dormir. O homem explica que as maçãs não são vivas, e fazem apenas o que os homens querem, e atira a maçã, que rola e entra no meio de alguns arbustos. Kaspar diz então que a maçã fugiu para o mato. Em uma nova tentativa, o homem pede para seu amigo colocar o pé no caminho da maçã, para que ela não fosse para o mato, e demonstrasse o poder dos homens sobre a natureza. Ele atira a maçã, que bate no chão e passa por cima do pé do outro. Kaspar então exclama, maravilhado: “Mas esta é uma maçã muito esperta!”.

2) Cena da Lógica – Um homem que deseja estudar Kaspar faz-lhe uma pergunta lógica para analisar sua capacidade de raciocínio. A questão é mais ou menos assim: existem duas aldeias; em uma, todos falam a verdade, e, em outra, todos mentem. Se alguém encontra um homem, e deseja saber de qual cidade ele vem, só podendo fazer uma pergunta, qual pergunta seria essa?

Quando Kaspar não responde, o homem diz a resposta, que é algo que envolve uma pergunta com dupla negação. Kaspar então diz que há outra pergunta possível. Ele perguntaria para o homem: “você é uma rã?”, e a resposta do cara esclareceria de qual aldeia ele era. O estudioso, então, fica irritado, e diz que a resposta de Kaspar não é lógica e é inaceitável.

3) Carinha da Burocracia – Um dos personagens não toma partido em nenhum acontecimento, mas apenas registra tudo. Enquanto todas as situações acontecem, ele toma nota de tudo, não deixa passar um detalhe, mas não se envolve em absolutamente nada. No final do filme, ele se gaba, pois vai fazer o mais perfeito registro de ocorrência jamais feito. Não tem o mesmo efeito contando, mas é bem cômico.


O Enigma de Kaspar Hauser (Jeder für sich und Gott gegen alle)
Alemanha
1974
Pouco mais de uma hora e meia

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"Mas que maçãs espertas!" - Kaspar Hauser

2 comentários:

Guima disse...

Tá... E tuas opiniões sobre o filme? De que ano é?

bia disse...

ha, ia ser foda ver :P