domingo, 2 de março de 2008

Madame Bovary - Gustave Flaubert

Se a praia tem um ponto positivo, é que ela me incentiva a colocar em andamento projetos sucessivamente adiados. Nesse verão, por exemplo, li Madame Bovary. O que é óbvio, porque isso está escrito no título. Mas o que eu quero dizer é que faz tempo que eu queria ler esse livro. E agora eu li. But, again, it’s on the title.

Um breve resumo da idéia central do livro: Emma é uma jovem virgem com lábios de mel e cheiro de natureza e pés de passarinho (essa parte eu inventei(óbvio(dã))). Enfim, é uma jovem nascida no interior da França. Tendo perdido a mãe quando criança, foi criada pelo pai e recebeu sua educação em um convento em Rouen, uma cidade relativamente grande na França. No convento, e, depois, quando volta para a casa do pai, Emma sonha com um casamento perfeito, um romance arrebatador, como aqueles sobre os quais ela lia, escondida, no convento.

Eis então que surge Charles, um jovem médico que tratou do pai de Emma, e se apaixona perdidamente por ela. Ele a pede em casamento, e ela, achando que ele seria o grande amor de sua vida, aceita. Com o passar do tempo, a protagonista percebe que o casamento não é a maravilha com a qual ela havia sonhado, sendo Charles sem graça e não muito brilhante. Emma tem certeza de que a vida é injusta com ela, pois ela com certeza havia sido feita para algo maior. Sonha então com a vida em Paris, na alta sociedade, com seu cavalheiro perfeito num mundo idealizado.

Sempre entediada, e acreditando que a vida foi feita para ser vivida ao máximo, Emma parte em busca de tudo aquilo que ela supõe que a levará ao apogeu eterno. Parte em busca de luxo, das altas camadas sociais, da vida nas cidades e dos grandes amores. Após cada uma das suas conquistas, ela percebe que a realização do sonho não lhe trouxe a satisfação necessária, e assim segue sucessivamente em busca de emoções extremas, encontrando apenas o prazer momentâneo seguido pelo tédio, sem suportar a situação que ela mesma desejou:

“Contudo, não era feliz, nunca o havia sido. De onde vinha, pois, aquele apodrecimento instantâneo das coisas em que se apoiava? [...] Nada, afinal, valia a pena procurar-se; tudo mentia! Cada sorriso ocultava um bocejo de enfado, cada alegria uma maldição, todo prazer o seu desgosto, e o melhor de todos os beijos não deixavam aos lábios senão uma irrealizável ânsia de voluptuosidades mais intensas.”

Quando foi questionado sobre a inspiração para a personagem Emma Bovary, Gustave Flaubert respondeu: Madame Bovary, c’est moi. Então, para pôr em prática o meu hobby favorito de terminar textos com clichês de auto-ajuda, lá vai: talvez todos nós sejamos um pouco Madame Bovary no fundo de nossos corações.

(Eca.)

P.s.: O livro é bom.

_________________________________________________________
(- O que o carbono disse quando foi preso?
- Eu tenho direito a quatro ligações.)
(danke, Bia) =P

2 comentários:

Webcam disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Nico disse...

Oi!
Assista ao filme "Pecados Ìntimos".
O filme é excelente, e tem uma passagem especificamente interessante que tem a ver com o assunto do post.
Bye;D