segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Insustentável Leveza do Ser [2]

Tá, faz tempo que não escrevo aqui, então essa vez vai ser pra encher o saco mesmo.
Esse finde li o tal livro do MK por causa do último post do waick que falava sobre ele. E bem... isso resume:

Um romance chato travestido de filosofia barata com traços perigosos de autoajuda.

Tá, exageros à parte, o livro é interessante, mas maçante (pelo menos a leitura flui, então passa rápido). O melhor do livro não é a filosofia, nem o romance, mas sim a crítica do autor ao regime comunista da Tchecoslováquia tanto antes quanto depois da invasão russa. As divagações sobre a política são muito legais mesmo. Outra coisa boa, que não deixa de ser uma parte disso, é a descrição da vida no país assolado pela maldição do comunismo ( ;P ).

Fugindo do conteúdo: a forma também é chata. Talvez irritante seja um melhor adjetivo para descrevê-la, mas, enfim, deixa pra lá. O preocupante dela é que de vez em quando ela me fazia lembrar de Clarice Lispector, e qualquer coisa que me faça lembrar dela é péssima - a não ser que seja sarcástica -, então já viu né...

Por fim, esse é um livro que eu não vou reler nos próximos cinco anos, mas quem sabe depois (quando a China virar uma democracia).

Não foi dessa vez que Senhor dos Aneis deixou de ser o melhor livro já escrito.

Avatar: tudo o que você precisa para não sair decepcionado do cinema (e sair assim mesmo)

Recentemente, fui convidada a ir ao cinema assistir a nova estréia do James Cameron (que, para quem não sabe, dirigiu também "Titanic"). Ao entrar na sala do filme, minutos antes da exibição, confesso que não tinha nenhuma expectativa (positiva ou negativa) a respeito de nada que não os tão comentados efeitos especiais. Admito, no entanto, que diferentemente das críticas que li a respeito, não fiquei "deslumbrada" com o mundo de Avatar. Na verdade, pesando todos os fatores em questão, fiquei até um pouco decepcionada. Um pouco bastante. O motivo não seria outro além do roteiro simplesmente não se equiparar ao restante do filme de nenhuma maneira. Eis o porquê:

Tudo em Avatar é feito para impressionar. Desde o cenário exuberante do mundo paralelo criado por Cameron até os personagens em si, gerados (impecavelmente) para o filme. No entanto, a narrativa desenvolvida a partir disso é algo absolutamente previsível. Não há nada, na história de Avatar, que impressione ou surpreenda. De um modo geral, se você acha que um fato irá acontecer, ele acontece. Se você acha que um personagem tomará determinada atitude, ele toma. Se você acha que alguém vai morrer, morre. A despeito de algumas pequenas surpresas, o filme é tão óbvio que acaba por se prender apenas nas explosões ou cenários digitalmente criados para capturar a atenção do espectador. Nenhuma grande virada, nenhuma atuação marcante. Truth be told, analisando a história de Avatar, podemos perceber que ela já foi contada na história do cinema muitas vezes, e de maneira muito melhor. Não, peraí. Eu quis dizer MUITO melhor.

Outra coisa que me irritou deveras foi o voice over em todas as partes complicadas. Quando o roteirista percebe que a realidade na tela é algo simplesmente inverossímil ou complexo demais para o público "comprar", resolve o problema colocando um voice over que (supostamente) elimina o problema. Acontece que não elimina. O roteiro tem furos demais, e resolver isso colocando uma frase da cabeça do protagonista não ajuda em nada (até ajuda... a me irritar).

Outra: A questão dos detalhes que não se explicam de nenhuma maneira. Alguém pode dizer que são apenas detalhes, e que isso deve ser relevado em prol da história como um todo. No entanto, normalmente essas pessoas querem dizer isso especificamente para Avatar. Ninguém acha que seria aceitável um filme como Central do Brasil colocar a Dora usando uma bolsa Prada e o Josué com um tênis da Nike. Ninguém acharia plausível, num filme como The Young Victoria, colocar a Emily Blunt vestindo farrapos. Por que motivo, então, com Avatar seria diferente? Mas ninguém parece se importar que o protagonista do longa use uma cadeira de rodas do século passado e seja paraplégico porque "a operação é muito cara". Pelo amor de Deus! A quantos anos no futuro se passa a história? Como assim, muito cara? O tio é levado para uma mega central do governo em outro planeta para ajudar o seu país, enquanto o irmão morreu sendo um estudioso de renome (sendo que o Avatar do irmão custou uma grana preta) e ele é o único que pode comandar o negócio... e ninguém se presta a arrumar as pernas dele? PORQUE É MUITO CARO? For God's sake, people!!
Mais: da primeira vez que transportam o protagonista pro Avatar, ele simplesmente pira, não escuta nenhuma ordem e sai quebrando tudo. E ninguém o repreende de nenhuma maneira. Aliás, outro ponto: ao longo do filme inteiro, tudo o que o protagonista faz é se meter em uma burrada maior que a outra (o que, convenhamos, para um militar, que preza a disciplina acima de tudo, é algo extremamente implausível. Talvez seja assim que ele tenha perdido o movimento das pernas... Bem feito). E ninguém parece se importar, sendo que ele nunca é repreendido por nada, só quando passa a ser conveniente para a história. Ai que ódio!

Depois de tudo isso (e não é pouca coisa), ainda tem a questão da fonter ridícula que usam quando o povo nativo de Pandora fala. Não sei de quem é a responsabilidade pela mudança da fonte: se o James Cameron usou na versão americana e o pessoal copiou por aqui, ou se a idéia brilhante adveio dos nossos próprios tradutores. Só que, novidade, é tosco. Ao ler aquela fonte diferente que veio do nada (DO NADA!), a minha reação foi: "quê????... pffff".

Enfim... Fora isso (o roteiro ruim, previsível, já trabalhado em outros filmes -MELHOR-, a falta de atenção nos detalhes, furos implausíveis e uma fonte ridícula que vem do nada e causa estranheza), o filme até que é legal. Tem hm... enquadramentos legais (y).
Elogios: Ok, só pra não parecer uma chata, termino o post com algumas considerações positivas acerca do filme.
Os cenários são lindos, bem trabalhados e incrivelmente criativos. O povo de Pandora é muito bem feito, as expressões dos personagens digitais impressiona. A maneira como a história foi filmada com certeza vai causar impacto em produções futuras, tanto pela tecnologia nova quanto... pela tecnologia nova.

Não sei terminar posts. Sem mais. Tchau.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Insustentável Leveza do Ser

Acho que eu nunca escrevi dois posts seguidos, mas, como disse há 20 segundos no post anterior, sobre bares e amigos secretos, eu não venho escrevendo sobre livros e música, que é o que eu conheço mais. Mais do que filmes, pelo menos. Não contem pra ninguém, mas eu nunca vi Casablanca.


Resolvi começar então com livros. Mais especificamente, com o meu livro preferido, A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera. Apesar do título pomposo, a leitura é simples e rápida, mas sem perder em profundidade. Releio uma vez por ano, sempre nas férias. Mas vamos ao livro:


A maior parte da história se passa na Praga do final dos anos 60. Na primavera de Praga, pra ser mais exato, quando a União Soviética invade a Tchecoslováquia, ocupando a capital com tanques de guerra, como o Google Imagens nos mostra a um clique de distância.

Eu não vou entrar muito na história em si, que trata principalmente do relacionamento entre o casal Tomas e Teresa, e também do relacionamento de cada um com os outros e com o mundo. O autor explora de forma fantástica as diferenças que afastam as pessoas, e como a mesma palavra pode ter significados diferentes para duas pessoas diferentes, criando uma série de desentendimentos sem que nenhuma consiga perceber o porquê.


Para Tomas, fidelidade significa permanência, significa voltar sempre para a mesma mulher. Para Teresa, que se sentia repugnada pela promiscuidade de sua mãe, fidelidade significa exclusividade, e, mesmo sabendo que Tomas ama apenas a ela e aceitando racionalmente o fato de ele se envolver superficialmente com outras mulheres, sente-se repugnada pelo cheiro de suas amantes, lembrando-se do comportamento da mãe durante a sua infância. Pelo mesmo motivo, Teresa enxerga o sexo e o seu corpo como algo sagrado e que deve ser protegido e tratado com cuidado, enquanto Tomas acredita que o sexo seja apenas um instinto a ser saciado, com pouca relação com o amor romântico, que sente exclusivamente por Teresa. O escritor segue explorando o múltiplo significado das palavras e dos gestos para cada pessoa, e como eles podem criar abismos entre os indivíduos mais próximos, e como o sentimento pouco é influenciado pela razão.


Milan Kundera aborda também a questão dos princípios, quanto Tomas precisa escolher entre declarar apoio a um governo autoritário e manter sua profissão de prestígio ou se recusar e ser rebaixado para um subemprego. O tema em si não é tão interessante quanto o do parágrafo anterior, mas é relevante por dois motivos. Primeiro, porque reflete as decisões do próprio autor, um tcheco exilado na França, e, segundo, porque começa a adentrar na principal questão da obra: como as nossas decisões influenciam nas nossas vidas?


Segundo Kundera, cada decisão só pode ser feita uma vez, e nós jamais poderemos saber o que teria acontecido se tivéssemos tomado o outro caminho. Assim, cada escolha é um passo no escuro: em apenas uma vida, nunca saberemos o resultado das alternativas rejeitadas, e isso leva à conclusão de que as nossas decisões são fundamentalmente irrelevantes. De nada adianta nos preocuparmos com escolhas difíceis se não temos como saber qual alternativa é a melhor e se jamais vamos descobrir se o caminho que não escolhemos teria sido melhor ou pior. Por isso, somos leves. Todas as nossas decisões são uma chance de 50%, e durante toda a vida caminhamos de olhos vendados. Por isso, a insustentável leveza do ser.


Talvez a minha explicação tenha ficado um pouco complicada demais, mas na verdade não é. O livro é fantástico, apesar de certos colegas de blog que insistem que o melhor livro do mundo é o Senhor dos Anéis. Recomendo a leitura para todo mundo, o que é óbvio, já que eu abri dizendo que este é o meu livro preferido.

Amigo secreto, barzinho e divagações

Só ando escrevendo sobre filmes, ultimamente, mas hoje vou fazer um mix de amigo secreto com resenha gastronômica e generalidades. Hoje foi o amigo secreto da empresa, que foi muito bom para a média dos amigos secretos, principalmente porque todo mundo escolheu o que queria ganhar. Tudo bem, perde a surpresa, mas pelo menos ninguém ganhou meias. Eu, aliás, dei trabalho para o meu amigo secreto com a minha escolha, mas vou aproveitar bem o filme (Persona, do Bergman).

A gente foi no El Basco Loco, um barzinho pequeno e aconchegante no Bom Fim, do qual eu nunca tinha ouvido falar. O ambiente é bem legal, com uma decoração que até que poderia ser cenário de filme. Mobília rústica (não gosto dessa palavra, mas...), teto coberto com panos coloridos e azulejos desencontrados, acompanhado de uma comida boa, ainda que em porções muito pequenas. Como foi por conta da empresa, eu não cheguei a ver os preços, mas imagino que não seja barato, já que o lugar possui bem poucas mesas.

As garçonetes são muito divertidas e simpáticas, fazendo promessas aos cozinheiros para conseguir os nossos pratos mais rapidamente, ainda que depois se esquecessem de trazê-los à mesa. O cardápio é interessante, fugindo de pratos tradicionais e clichês, mas, infelizmente, as cervejas uruguaias estavam em falta, sendo oferecidas no dia apenas Bohemia, Serramalte e mais uma outra que eu não me lembro. Nem bebi muito, até porque tava de carro (mas olha só, que menino responsável). Eu não experimentei os camarões, que, para bichinhos nojentos, laranjas e com anteninhas, até estavam bem bonitos. Sigo fiel à minha determinação de não comer nenhum animal com mais de quatro patas. Ok, essa foi uma resenha gastronômica em que o resenhista não experimentou os pratos, mas, pra quem já fez resenha de livro sem ler, tanto aqui no blog como piada quanto a sério na faculdade, só estou ampliando meu campo de atividade.

Ponto negativo para a falta de papel toalha no banheiro, algo imcompatível com o nível do lugar. Para secar as mãos, um rolo de papel higiênico daqueles bem vagabundos, de um papel meio acinzentado que, de tão fino, dá pra enxergar do outro lado.

De modo geral, o evento estava bem divertido, e é legal como a gente ainda se surpreende positivamente com as pessoas, coisa rara hoje em dia.

Mudando completamente de assunto, eu até queria fazer um post sobre Anticristo (o filme do Lars von Trier, não o demônio), mas não tenho competência. Destinado a ser um fracasso de público em um país como o nosso, o filme traz algumas cenas muito fortes (no sentido artístico), e outras muito fortes (no sentido nojento). O filme tem imagens poderosas, sensacionais, mas em alguns momentos talvez não precisasse ser tão explícito. Não por moralismo, mas... enfim. De qualquer modo, é um filme que merece ser visto de novo daqui a um tempo, até porque teve algumas partes que eu realmente não entendi. Ah, e apesar de ser classificado como um filme de terror, não tem nada a ver (porque sempre tem um perdido que vai ver achando que é um Jogos Mortais da vida e depois reclama que não gostou).

E então eu percebi que eu vivo escrevendo sobre filmes, mas, tirando uma postagem que eu fiz de um álbum dos Looney Tunes cantando Beatles (Patolino arrebentando em Yesterday, vale a pena), eu nunca escrevi sobre música, que é algo que eu conheço muito melhor que filmes. Então em breve vou escrever sobre música. E livros, livros também! Aguardem, ou não.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dexter


Não, esse post não é sobre o Laboratório de Dexter, que também é muito bom, ou pelo menos eu achava quando era pequeno. Falo de Dexter, série da Showtime que vai para a quinta temporada no ano que vem, que, por sinal, já está chegando e eu ainda tenho que comprar um presente de amigo secreto – oh crap!

O Dexter da série é um cara de uns 30 anos que trabalha para o departamento de homicídios da polícia de Miami. E é um serial killer. Os episódios têm narração do próprio personagem, que afirma ser um psicopata sem sentimentos e sente uma necessidade irrefreável de matar pessoas, o que ele chama de seu dark passenger.

Só que é o seguinte: Dexter só mata criminosos que escaparam da justiça, geralmente invadindo as casas dos suspeitos para obter provas de sua culpa. Mas ele próprio afirma que não faz isso pra combater o crime ou para fazer o bem, mas porque é mais seguro matar pessoas com histórico criminal, cujo sumiço não vai despertar o interesse da polícia. Isso faz parte do código, um conjunto de regras que o personagem segue sempre que vai matar alguém, e que lhe foi ensinado por Harry, seu pai adotivo que descobriu que o filho matava pessoas e, sendo um policial de renome, lhe ensinou como nunca ser pego.

A primeira temporada gira em torno do passado de Dexter, e narra a história de um assassino em série conhecido como Ice Truck Killer, que transporta os corpos de suas vítimas em um caminhão frigorífico. Impressionado com a astúcia do assassino, Dexter decide matá-lo por conta, investigando o caso sozinho e despistando seus colegas da polícia. Conforme Dexter se aproxima de descobrir a identidade do “colega”, vai também descobrindo sobre o seu próprio passado, e o porquê de sua necessidade de matar pessoas.

Apesar de seu auto-intitular um psicopata e de atuar convincentemente em todo tipo de situação social, as ações de Dexter às vezes contrariam, mesmo que parcialmente, suas próprias afirmações. Só podemos conhecer realmente bem um personagem através das escolhas que ele faz, principalmente as difíceis. Dexter sofre por ter que esconder sua verdadeira natureza o tempo inteiro – e por ser assim -, mas, apesar disso, abre mão de aceitar sua personalidade e de poder compartilhá-la com alguém para colocar o bem-estar de outra pessoa em primeiro lugar, algo que ele acreditava ser incapaz de fazer.

Para quem acha que essas questões que adentram um pouco a psicologia são complexas demais e que isso é tudo coisa de viado, a série também tem muito sangue e pessoas cortadas em pedacinhos, colocadas em sacos pretos e jogadas no mar.

As duas primeiras temporadas são muito fodas, daquelas que fazem a gente largar os trabalhos da faculdade e dormir às três da manhã e considerar a possibilidade de comprar uma conta no Rapidshare. A terceira é morna, com uma melhorada na quarta, cujo último episódio traz enormes expectativas para a quinta. E hoje é sexta, to indo pra casa, acho que vou pra piscina, tchau pra vocês.