sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Top 5 de tudo

Os shoppings de Porto Alegre já estão exibindo suas decorações de Natal, e, para entrar no espírito de fim de ano, nada como uma retrospectiva de 2009, incluindo tanto os consagrados Top 5 quanto o seu primo pobre, o Bottom 5, uma lista dos mais toscos do ano. Os filmes, músicas e livros não se limitam ao que foi lançado em 2009, principalmente devido ao fato de eu viver no passado no que se refere a músicas e livros. Tudo o que eu vi, ouvi e li em 2009 foi devidamente catalogado em um banco de dados seguro, na Holanda. Tá, não, mas que eu anotei, eu anotei. No Word.

Top 5 filmes 2009

1. Deixa Ela Entrar - Filme de vampiro sem terror, drama, filme do ano – dos que eu vi, pelo menos. Comprei o livro depois de ver, e o filme é melhor.

2. Perfume de Mulher - Al Pacino, demorei pra ver, muito foda.

3. Goldfinger - Estrelando Sean Connery e um Aston Martin DB5. Clássico.

4. Veludo Azul – que viagem.

5. Paris, Texas - Alguém ainda não viu?

Eu ia incluir O Poderoso Chefão, que eu sempre revejo, mas se alguém ainda não viu esse, não é bem-vindo aqui.

Bottom 5 filmes 2009

1. Be Kind, Rewind – A sinopse mostrava potencial, mas é tão ruim que chega a ser constrangedor.

2. Sete Vidas - Não que eu esperasse muito de um filme do Will Smith, mas esse foi patético.

3. Inimigo Público – A história de um criminoso que escapou da justiça por décadas devido ao seu incrível poder de fazer a audiência dormir.

4. Bobby – Não tem história. Não que a história seja ruim, ele simplesmente não tem história. O que é incrível, se tratando de um documentário.

5. Perfume – Um monte de gente gostou, mas eu achei completamente previsível e óbvio.

Top 5 livros 2009

1. A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera. Esse é sempre o livro do ano. Quem não leu, deveria.

2. In Cold Blood – Truman Capote. Relato jornalístico de um assassinato num fim de mundo no Kansas, a partir de centenas de horas de entrevistas com os habitantes locais e os assassinos.

3. Let the Right One In – John A. Lindqvist . Livro que deu origem ao filme Deixa Ela Entrar. Não foi publicado no Brasil, mas o site da Cultura vende o importado em inglês, e nem é caro. Não é tão bom quanto o filme – o roteiro, adaptado pelo próprio autor, condensa anarrativa evidenciando seus pontos mais relevantes.

4. O livro dos Insultos – H. L. Mencken. Apesar do título ridículo, é uma compilação de pensamentos, opiniões e resmungos sobre tudo o que estava acontecendo no mundo quase um século atrás, e continua atual, em sua maior parte.

5. The Historian - Elizabeth Kostova. Superficial, não acrescenta em nada para a pessoa. Mas é tão legal!

Por serem coletâneas, eu deixei de fora os contos do Capote e do Fitzgerald – são todos ótimos, tirando o do Benjamin Button, que foi uma grande decepção.

Não vou fazer uma lista com os piores livros, que livro ruim eu largo pela metade.

Top 5 músicas 2009

1. Since I’ve Been Loving You – Led Zeppelin. Perto dessa música, Stairway to Heaven parece coisa do Netinho.

2. Hallelujah – Jeff Buckley. Apesar do nome parecer religioso, a melodia e a letra são demais, e se combinam perfeitamente. A música original é do Leonard Cohen, mas essa é a versão definitiva.

3. Piazza, New York Catcher – Belle & Sebastian. Dá pra passar uma tarde inteira no Google decifrando todas as referências culturais dessa música.

4. The Drugs Don’t Work – The Verve. Classificada por uma pesquisa britânica como a música mais depressiva da história, faz a gente pensar como a nojentinha e enjoativa Bittersweet Symphony é a música mais famosa do Verve.

5. Born to Run – Bruce Springsteen. ‘Cause tramps like us, baby we were boooorn to ruuuuun!

Notem que nenhuma das músicas é desse ano. Na verdade, só uma é dessa década. Mas eu ouvi elas muito esse ano, e são as melhores.

Bottom 5 músicas 2009

1. I kissed a girl – Kate Perry. Nem sei se é desse ano, mas esse chiclete mental me atazanou muito em 2009. E a letra então, parece que ela escreveu em prosa e só encaixou na melodia depois.

2. Friday I’m in Love – The Cure. Não que tenha me incomodado nese ano, particularmente, mas essa música é tão tosca que parece piada, então eu tive que incluir.

3. Unchained Melody – Righteous Brothers. Não que a música seja ruim, é até bem legal. O problema é que depois de anos a vendo em listas de top isso e top aquilo, resolvi baixar, só pra descobrir que era a música do Ghost. Não que isso seja culpa dos Righteour Brothers, a música é bem mais antiga que o filme.

4. C'era Un Ragazzo Che Come Me Amava I Beatles E I Rolling Stones – Gianni Morandi. Essa vernsão original italiana de Era um garoto… é tão ruim que chega a ser engraçada.

5. Black Eyed Peas. Pelo conjunto da obra.

Top 5 coisas legais que eu comprei 2009

1. Coca Zero – foi a coisa que eu mais comprei em 2009.

2. Kit Kats – foi a coisa que eu queria ter comprado mais em 2009.

3. Presente de aniversário da Bruna – Kit Portátil de Satanismo, incluindo velas vermelhas, isqueiro, galinha de plástico, cutelo, manual de satanismo e pipoca de microondas, embrulhados em uma linda toalha negra.

4. Rede de dormir – coloquei no meu quarto.

5. Guerra e Paz – versão em inglês, mais de 1.000 páginas, 12 reais na Cultura. Vale a pena só pela quantidade de papel.

Top 5 coisas idiotas que eu comprei 2009

1. Atestado de matrícula da ESPM – seis reais por um pedaço de papel. Duas vezes.

2. Alfajores Cadbury – resolvi inovar e trouxe uma caixa gigante dessa porcaria, em vez de comprar o bom e velho Punta Ballena.

3. Mouse da Genius – bonitinho, diferente e ligeiramente destrutivo para os túneis carpais.

4. Caderno – não sei por que que eu compro, eu nunca uso.

5. Dólares – pra depois descobrir que era mais barato pagar no cartão.

Top 5 lugares que eu fui 2009

1. Fortaleza – venderam o apartamento que a gente tinha alugado, então nos colocaram em um melhor. Bem melhor. 4 suítes, beira da praia, 18º andar. Foi a primeira vez em anos que eu gostei de ir pra praia.

2. Rivera – boas compras, pizzas melhores ainda.

3. Rio de Janeiro – e andar na beira da praia, sempre.

4. Arteplex/Cultura – programa típico de final de semana.

5. Capão da Canoa – detesto Capão no verão, mas adoro não ter nada pra fazer e ficar coçando um mês inteiro.

UPDATE: Esqueci de botar a viagem pro Festival de Publicidade de Gramado, que a @thaiscansan me lembrou pelo twitter!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Resenhas de livros que não li - parte 1

Em Do Contrato Social, obra-prima que figurou por 34 semanas no top 10 da Veja para livros de não-ficção, o pensador iluminista Jean Jaques Rousseau define um conjunto de regras pelas quais os cidadãos devem se guiar para alcançar uma convivência pacífica. A aceitação dessas regras, ou, como o autor diz, o Contrato, torna possível que seja mantida a paz nas diversas ocasiões da vida cotidiana.

Não obstante ter sido públicado como folhetim na versão francesa da Reader's Digest do século XVI, a obra-prima de Rousseau mantém-se, em sua maior parte, atual, muitas de suas regras podendo ser aplicadas nos dias de hoje.

Hoje, poucos sabem que foi Rousseau quem primeiro publicou a regra universal de convivência em veículos: quem dirige mexe no rádio. De forma sucinta e objetiva, o pensador francês define o caminho para o futuro Manual de Convivência em Automotores e o papel de cada indivíduo, sancionado posteriormente na Convenção de Genebra.

No âmbito do lar, Rousseau determinou que quem cozinha não lava a louça, o que diminuiu em 34 % o número de brigas pós-refeição e aumentou em 42% a qualidade média das refeições, constituindo o principal fator que levou ao reconhecimento internacional da gastronomia francesa.

Ainda no âmbito da cozinha, foi o pensador iluminista que determinou as Duas Regras Imutáveis da Culinária, que, de forma resumida, dizem que não existe prato salgado que não possa ser melhorado através da adição de queijo, o mesmo ocorrendo em relação aos pratos doces e o chocolate.

Naturalmente, muitas das regras postuladas no livro já faziam parte da etiqueta da elite francesa, cabendo ao autor apenas compilá-las em um único volume, que causou controvérsia, atraindo críticas do cantor, filósofo e ex-BBB François-Marie Arouet, mais conhecido pelo seu nome artístico, Voltaire. Este último questionava a ausência de certas normas deixadas de fora do trabalho apenas porque seriam inconvenientes para o autor. Rousseau rebateu as acusações com sua mais famosa citação: Deixei de fora mesmo, e o primeiro que botar a mãozinha pra atravessar na faixa eu galopo por cima.

A contribuição dessa obra para a evolução moral da humanidade foi reconhecida através da entrega do Prêmio Nobel da Paz, desbancando o próprio Alfred Nobel, inquestionável favorito a todos os prêmios durante a sua vida. Após o sucesso estrondoso da versão paperback entre o proletariado francês, Jean-Jaques escreveu os menos famosos O Contrato Social da Felicidade e O Contrato Social das Pessoas Ricas, o primeiro dos quais garantiu ao autor um Prêmio Jabuti e o título de patrono da Feira do Livro.