segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Avatar, 3D e efeitos especiais [boceeeejo]

Em 1997, eu vi na Disney um curta-metragem dos Muppets em 3D, daqueles com os óculos de plástico com lentes vermelhas e azuis. Não seria nada demais, não fosse pelo fato de que o 3D que eu vi há mais de doze anos ser muito superior aos que temos hoje nos cinemas do Brasil, que cobram pelo menos R$ 20 pelo ingresso. Lá, as pessoas realmente pulavam pra trás, achando que os bichinhos iam pular na cara delas. O 3D da Pequena Sereia também era fantástico, parecia mesmo que a gente estava no fundo do mar, dava pra enxergar a “superfície” olhando pra cima. Claro, a Disney tem mais recursos que o GNC pra fazer esse tipo de coisa, mas peraí, já se passou mais de uma década de avanços tecnológicos.

Mas tudo isso é uma introdução nada a ver pra falar sobre esse buzz sobre o Avatar, o novo filme do James Cameron que supostamente tá saindo mais caro do que um rancho no Zaffari. Com câmeras desenvolvidas especialmente para o filme, mostrinhos azuis e sei lá o que mais, tão falando que o filme vai ser um breakthrough na história do cinema.

Não que eu tenha visto o filme pra poder criticar, eu nem sei muito bem qual será a história, mas por que as pessoas ficam tão obcecadas com um monte de efeitos especiais. Uns anos atrás, foi todo um bafafá porque a nova trilogia de Star Wars não iria ter nenhum cenário real, e seria tudo feito por computador, com os efeitos especiais mais incríveis. Olhem o filme dois! É um lixo! E os outros não são muito melhores.

Efeitos especiais não são substitutos aceitáveis para bons roteiros. Com uma tecnologia muito inferior, a trilogia original de Star Wars era muito melhor do que a nova, pra não falar nos bons e velhos filmes que só contavam com atores e cenários. Eu comecei esse texto pretendendo dizer que os produtores de Hollywood não sabiam de nada e que as pessoas dão mais atenção a boas histórias do que a efeitos especiais, mas percebi que não é verdade. É só ver como as pessoas lotam as salas de cinema pra ver filmes como 2012. Qual é o problema dessa gente?

Argumenta-se que os filmes em 3D fazem com que o espectador “mergulhe” na história, tenha um envolvimento maior, o que até pode ser verdade, mas só enquanto os filmes em três dimensões forem novidade. Do mesmo jeito que o rádio era mais envolvente que o jornal, e que a TV era mais envolvente que o rádio. E agora estão todos perdendo pra internet, que tem interação real por parte do usuário.

Não que eu tenha nada contra o 3D, eu até achei muito tri ver os Muppets pulando pela sala de cinema e não entendendo nada porque eu tinha 7 anos e não falava inglês, mas as pessoas vão ver qualquer porcaria que tenha efeitos especiais bonitinhos e tenha custado centenas de milhões de dólares. Daqui a dois anos, quem é que ainda vai estar falando em 2012 (o filme, não o ano)? Bom, talvez a Globo coloque umas cenas de destruição pra exemplificar o fim do mundo na última edição do Fantástico de 2011. Olhando agora, alguns dos melhores filmes desse ano tiveram orçamentos relativamente baratos e, mesmo que se leve em conta apenas o sucesso de bilheteria, o filme Atividade Paranormal parece estar sendo (com uso correto do gerúndio) um grande sucesso, apesar de ter custado só uns poucos mil dólares. Claro, muito mais gente vai ver esse Avatar, talvez até eu (damn peer pressure), mas olha o tempo e o dinheiro que colocaram nesse filme.

Quase toda a atratividade do cinema em três dimensões se deve ao fato de ainda ser novidade por aqui, e ainda está para sair um filme que se utilize dele como uma ferramenta relevante para contar a história - todos os filmes que saem em 3D saem também no tradicional 2D, sem nenhuma perda para a obra.

Se criassem uma guitarra de 15 cordas que se tocasse sozinha, as músicas não iam ficar melhores, tenho certeza. Poderiam refilmar 2001, do Kubrick, hoje, com todos os efeitos especiais do mundo, e eu duvido que fosse ficar melhor que o original. Isso porque efeitos especiais não são inovação, são simplesmente avanço tecnológico – traz potencial para explorar um roteiro de formas diferentes e inovadoras, mas não é uma melhora por si.

Não que alguém se importe, é claro. Afinal, it’s soooo shiiiiny!!

Um comentário:

testrefe disse...

ola eu vi o avatar 3d hoje no cinemark e axei os efeitos mto bons porem moderados. tb ja assisti 3d na disney em 1996 e lembro q na epoca vc tomava susto, nao faltava emocao. os objetos pulavam na sua cara.