segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Avatar: tudo o que você precisa para não sair decepcionado do cinema (e sair assim mesmo)

Recentemente, fui convidada a ir ao cinema assistir a nova estréia do James Cameron (que, para quem não sabe, dirigiu também "Titanic"). Ao entrar na sala do filme, minutos antes da exibição, confesso que não tinha nenhuma expectativa (positiva ou negativa) a respeito de nada que não os tão comentados efeitos especiais. Admito, no entanto, que diferentemente das críticas que li a respeito, não fiquei "deslumbrada" com o mundo de Avatar. Na verdade, pesando todos os fatores em questão, fiquei até um pouco decepcionada. Um pouco bastante. O motivo não seria outro além do roteiro simplesmente não se equiparar ao restante do filme de nenhuma maneira. Eis o porquê:

Tudo em Avatar é feito para impressionar. Desde o cenário exuberante do mundo paralelo criado por Cameron até os personagens em si, gerados (impecavelmente) para o filme. No entanto, a narrativa desenvolvida a partir disso é algo absolutamente previsível. Não há nada, na história de Avatar, que impressione ou surpreenda. De um modo geral, se você acha que um fato irá acontecer, ele acontece. Se você acha que um personagem tomará determinada atitude, ele toma. Se você acha que alguém vai morrer, morre. A despeito de algumas pequenas surpresas, o filme é tão óbvio que acaba por se prender apenas nas explosões ou cenários digitalmente criados para capturar a atenção do espectador. Nenhuma grande virada, nenhuma atuação marcante. Truth be told, analisando a história de Avatar, podemos perceber que ela já foi contada na história do cinema muitas vezes, e de maneira muito melhor. Não, peraí. Eu quis dizer MUITO melhor.

Outra coisa que me irritou deveras foi o voice over em todas as partes complicadas. Quando o roteirista percebe que a realidade na tela é algo simplesmente inverossímil ou complexo demais para o público "comprar", resolve o problema colocando um voice over que (supostamente) elimina o problema. Acontece que não elimina. O roteiro tem furos demais, e resolver isso colocando uma frase da cabeça do protagonista não ajuda em nada (até ajuda... a me irritar).

Outra: A questão dos detalhes que não se explicam de nenhuma maneira. Alguém pode dizer que são apenas detalhes, e que isso deve ser relevado em prol da história como um todo. No entanto, normalmente essas pessoas querem dizer isso especificamente para Avatar. Ninguém acha que seria aceitável um filme como Central do Brasil colocar a Dora usando uma bolsa Prada e o Josué com um tênis da Nike. Ninguém acharia plausível, num filme como The Young Victoria, colocar a Emily Blunt vestindo farrapos. Por que motivo, então, com Avatar seria diferente? Mas ninguém parece se importar que o protagonista do longa use uma cadeira de rodas do século passado e seja paraplégico porque "a operação é muito cara". Pelo amor de Deus! A quantos anos no futuro se passa a história? Como assim, muito cara? O tio é levado para uma mega central do governo em outro planeta para ajudar o seu país, enquanto o irmão morreu sendo um estudioso de renome (sendo que o Avatar do irmão custou uma grana preta) e ele é o único que pode comandar o negócio... e ninguém se presta a arrumar as pernas dele? PORQUE É MUITO CARO? For God's sake, people!!
Mais: da primeira vez que transportam o protagonista pro Avatar, ele simplesmente pira, não escuta nenhuma ordem e sai quebrando tudo. E ninguém o repreende de nenhuma maneira. Aliás, outro ponto: ao longo do filme inteiro, tudo o que o protagonista faz é se meter em uma burrada maior que a outra (o que, convenhamos, para um militar, que preza a disciplina acima de tudo, é algo extremamente implausível. Talvez seja assim que ele tenha perdido o movimento das pernas... Bem feito). E ninguém parece se importar, sendo que ele nunca é repreendido por nada, só quando passa a ser conveniente para a história. Ai que ódio!

Depois de tudo isso (e não é pouca coisa), ainda tem a questão da fonter ridícula que usam quando o povo nativo de Pandora fala. Não sei de quem é a responsabilidade pela mudança da fonte: se o James Cameron usou na versão americana e o pessoal copiou por aqui, ou se a idéia brilhante adveio dos nossos próprios tradutores. Só que, novidade, é tosco. Ao ler aquela fonte diferente que veio do nada (DO NADA!), a minha reação foi: "quê????... pffff".

Enfim... Fora isso (o roteiro ruim, previsível, já trabalhado em outros filmes -MELHOR-, a falta de atenção nos detalhes, furos implausíveis e uma fonte ridícula que vem do nada e causa estranheza), o filme até que é legal. Tem hm... enquadramentos legais (y).
Elogios: Ok, só pra não parecer uma chata, termino o post com algumas considerações positivas acerca do filme.
Os cenários são lindos, bem trabalhados e incrivelmente criativos. O povo de Pandora é muito bem feito, as expressões dos personagens digitais impressiona. A maneira como a história foi filmada com certeza vai causar impacto em produções futuras, tanto pela tecnologia nova quanto... pela tecnologia nova.

Não sei terminar posts. Sem mais. Tchau.

36 comentários:

Waick disse...

Eu ainda acho que tu tá dando crédito demais pros efeitos especiais. Pode até ser tudo perfeitinho, mas mesmo o 3d é só uma curiosidade, só é legal porque é novo.

Além disso, tu não falou do mais gritante problema do roteiro: quando eles estão perdendo a guerra e todos os animais do planeta começam a ajudá-los, porque eles pediram ajuda a deus. Sério, eles fecham a história com a intervenção direta de deus! É muita preguiça, sério...

O filme por si já é ridículo, mas a decepção é ainda maior por causa do falatório e das expectativas.

Só pra complementar, ontem eu vi um filme em preto e branco, com 4 atores, sem efeitos especiais e que deve ter custado uns 7 dólares pra produzir, e humilhou avatar. E não, não é atividade paranormal.

De resto, concordo com a tua crítica, principalmente coma parte que tu diz que é bem feito que aquele imbecil perdeu as pernas.

Alexandre Guterres disse...

O roteiro, mesmo não sendo original (vide Dança com Lobos; O Último Samurai - apesar de que, em nenhum dos casos, foi MUITO melhor contada, só foi diferentemente construída), é uma história perfeitamente estruturada e verossímil que funciona muito bem, ainda que seja o ponto mais fraco da obra. Seus voice-overs são completamente orgânicos, uma vez que é tudo um flash-back, o que funciona para poupar tempo de certos detalhes (explicar que uma operação custa caro é melhor que filmar uma cena do protagonista no banheiro olhando o preço de cirurgias).

Quanto aos furos descritos, basta dizer que qualquer pessoa que viu, no mínimo, os documentários do Michael Moore, sabe que o exército americano (como qualquer outro exército no mundo) está cagando para os soldados mais rasos, como é o caso do protagonista, fato que não vai mudar nos próximos 200 anos. Além disso, é completamente aceitável uma cirurgia como essa custe caro, uma vez que todo o avanço médico é seguido de perto por interesses econômicos - e em nenhum momento o filme demonstra que o Obama e a Hilary conseguiram implantar o sistema de saúde pública nos EUA.

Porém, é óbvio que o filme tem furos. O maior deles é colocarem o protagonista nessa missão complicada sem que este tenha passado por nenhum tipo de treinamento formal. Além disso, há certos diálogos ruins, como a briguinha inicial do casal no seu primeiro encontro. Entretanto, qual roteiro é perfeito (além do de Brilho Eterno)? Quer dizer, se até o Rosebud é uma "falha" grotesca, significa que toda e qualquer trama pode e deve utilizar "furos" para prosseguir sua história, o que diferencia é a maneira que é contada e sua relevância para o todo.

Quanto ao uso do 3D, considero que Avatar foi um grande passo em direção ao bom uso do recurso, que, obviamente, ainda não é eficazmente utilizado por ser recente. A trama pareceu ser mais envolvente com o terceira dimensão, mesmo que não seja ainda o ideal. E, diferente de algumas opiniões, o objetivo dessa tecnologia não é dar a impressão de que os objetos estão pulando no espectador, mas sim criar um realismo maior, assim como foi o uso do som e da cor.

Bom, resumindo, Avatar é um filme muito bom, apesar de ter o roteiro como seu calcanhar de Aquiles. As cenas de ação são perfeitas, como não poderia deixar de ser em uma obra do James Cameron, as atuações são sólidas do elenco inteiro e, momento clichê, os efeitos são fantásticos, mesmo que não ache que possam ser considerados revolucionários (afinal, ele é nada mais que um ótimo avanço ao que já havia sido feito no Senhor dos Anéis, e não uma revolução).

Alexandre Guterres disse...

Só um adendo: O "realismo" que o 3D deve trazer não é o real, mas sim o "real" da própria trama, ajudando a contar a história proposta.

Daphne Endress disse...

Olha, Alexandre... Sinceramente. Só porque tu é formado "tecnólogo" e usa palavras como "orgânico" e "calcanhar de Aquiles" no teu comentário, isso não torna o que tu diz verdade, muito menos te dá razão em coisas que tu obviamente entendeu de maneira equívoca. Eu nunca falei que o fato de usar o voice over fosse um erro (e nunca falei que não fosse "orgânico" - usar palavras bonitinhas para falar uma coisa sem contexto não é exatamente regra por aqui), eu falei que o fato de usar voice over para explicar coisas na história que simplesmente não tem cabimento é um erro. Não estou reclamando da apresentação pelo voice over em si, estou dizendo que o roteiro tem furos gigantes, e que o roteirista acha que perceber esses erros e colocá-los na boca do protagonista com uma frasezinha a título de elucidação ao público vai funcionar. Mas o fato é que, diferentemente de ti, nem todo mundo fica feliz em escutar qualquer coisa. Se tu acha que é plausível que, em 2100, haja tecnologia para construir naves gigantes, habitar outro planeta, criar seres combinando dois tipos diferentes de DNA, transportar mentes de um corpo para outro (tecnologias que, atualmente, não estão nem ao menos prototipadas) e que uma simples operação envolvendo células tronco seja "cara" e inacessível, mesmo que a um soldado raso, me desculpa, mas tu tá sozinho. Acredito que, no mínimo, seria um serviço disponibilizado pelo até pelo SUS, posto a gravidade da "doença". Não esquecendo que ele era um soldado, alguém que definitivamente precisaria do uso das pernas (caso isso também seja difícil de entender). Não é a questão de "poupar" ao público certos detalhes, é apenas que pessoas como tu deixam esse tipo de "detalhe" passar batido, e se contentam com qualquer explicação que o roteirista acredite válida.
Outra:
O roteiro explora mal a relação entre os personagens principais, e vou exemplificar para ti dois casos: a relação do protagonista com Neytiri acontece de maneira muito rápida; e a relação do amigo pesquisador, que passa por uma fase de ciúmes, é mal e mal citada, tu nem entende direito a transição (o protagonista fala dela duas únicas vezes apenas: uma para dizer que o ciúme existe, e a outra para informar que ele foi dissipado).
Outra coisa: atuações sólidas? Não totalmente, já que eclipsadas pelo cenário e efeitos visuais. Não há, durante o filme, nenhum destaque para as atuações, a menos que tu esteja falando do povo de Pandora que, vamos combinar, não são exatamente atores pura e simplesmente.
Se tu pretende me dizer que Avatar sequer chega perto de Dança com Lobos, bom, daí é um problema além da minha capacidade de persuação: Basta tu alugar o DVD e perceber o quão melhor foi trabalhada a história lá. Era de se presumir que, já é uma história batida, Avatar fosse ser uma superação de algo ja feito. No entanto, além de não melhorar em nada, ainda piora: é previsível e enfastiante: não agrega, por ser óbvio; não contribui, por contar a mesma história; e não inova, por se sobressair apenas com os efeitos visuais. Falar que o roteiro de avatar não é fraco e furado é estar tapando o sol com a peneira, e é um exercício de auto-convencimento que tu parece estar exercendo muito bem.
Pode falar o que tu quiser dos efeitos especiais e das cenas de luta, mas, na questão do roteiro, citar Sicko não vai te levar a lugar nenhum...
Outra coisa, como o Waick bem disse, esqueci totalmente do final ridículo, no qual todas as criaturas são "chamadas" pelo deus Tupã deles, que, de fato, foi muita preguiça. Eles poderiam ao menos tirar um pouquinho do que tu chama de "cenas perfeitas de batalha" (uuuuh, até poderiam ser perfeitas, se inseridas num bom roteiro... não é o caso aqui) para elaborar um final melhor, não? Mas claro, tu pode simplesmente ficar aí na frente do teu PC e rezar pra Deus que talvez ele te permita escrever uma crítica válida sobre esse roteiro podre. E, se ele for realmente solidário, ele vai mandar animaizinhos te ajudar, uhuuul zo/

Waick disse...

Eu nem to muito aí pro fato da tecnologia avançada demais e coisas assim, isso é uma premissa que a gente aceita pra história, assim como a gente aceita a máquina de apagar lembranças do Brilho Eterno.

Além do que eu já tinha citado, eu não gostei do universo criado. Não tecnicamente, afinal, a tecnologia é perfeita, ou quase perfeita, sem muito espaço pra discussão. Mas o povo azul é um apanhado de clichês e estereótipos. Eles amam e respeitam a natureza, dormem em árvores, estão em sintonia com o planeta e compreendem tudo melhor do que os humanos, sendo mostrados como moralmente superiores. O resultado disso é um longo e profundo bocejo.

Tudo bem que o filme tem uma moral ecológica, mas eles criaram um povo cuja cultura se resume a adorar a natureza e rezar para a tal deusa.

Também achei fraco o drama do personagem. Antes disposto a enganar os smurfs pra destruir o lugar onde eles viviam, ele passa a defendê-los. Não que não devesse, esse é o desenvolvimento lógico da história, mas a maneira que isso se dá tornou irrelevante a conflito do personagem. Mais especificamente, não há conflito: ele simplesmente muda de lado. Não que seja isso que tenha tornado o filme ruim, mas poderia ser muito melhor explorado.

E, voltando para o 3D, os efeitos especiais e a tecnologia são muito legais, mas dá pra fazer uma analogia com os video games: o playstation 3 tem gráficos muito melhores do que os do wii, por exemplo, mas isso não quer dizer nada quando os jogos da nintendo são muito mais divertidos. E jogos com tecnologias mais antigas, como o Mario original, Goldeneye ou Zelda 64 continuam sendo tão bons quanto eram antes. Não que a tecnlogia não seja legal, mas não é essencial e, mais importante, não é suficiente.

Enfim, fui um pouco off-topic. To com preguiça de continuar, tchau.

Waick disse...

E poxa, quando ódio no coraçãozinho de vocês...

Daphne Endress disse...

muito ódio! :P
concordo no que tu falou de eles serem estereotipados, mas esqueci de comentar no post!! isso foi o que mais me incomodou a história toda, mas esqueci de comentar totalmente.
não tem ninguém mau ou ruim no povo deles, sabe? o segundo líder passa por um princípio de ciúmes que é rapidamente superado devido a alta moral que eles têm...nada é ruim pra eles, ninguém tem atitudes repreensíveis, nem aparece qualquer conflito que eles tenham com outros povos de Pandora...

Alexandre Guterres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre Guterres disse...

Bom, ainda não entendi quais são as cenas "importantes" que o voice-over explica, já que ele explicar que um lado parece real e o outro sonho não é uma explicação, e sim o sentimento de alguém que não dorme e não come direito há dias. Além disso, a mudança de lado dele não é súbita, está dentro da história de maneira bem estruturada e lógica, de modo que acho difícil alguém, na situação dele, não passar pela mesma transição, ainda mais com a ida que ele levada, paraplégico e num mundo destruído.

Sobre o povo estereotipado, o filme puxou muito, sem esconder, dos índios, que se limitavam a sobreviver (mais uma vez o pecado está na falta de originalidade, e não em "falhas"). Mesmo assim, fica entendido que eles guerreavam entre as tribos, o que os coloca no nível dos humanos. E dizer que eles compreendem melhor que o humanos é dúbio. Eles só compreendem melhor o planeta deles, o que é somente natural. Talvez tivesse ficado melhor mesmo desenvolver outros aspectos deles, mas não enxergo isso sem tirar a atenção do protagonista, afinal, o filme já é longo assim.

Sobre o final, é um deus ex-machina com certeza. Acho que aí entra num ponto pessoal e indiscutível, porque depende da opinião própria, de como o filme se construiu na cabeça de cada um, uma vez que os filmes são o que são mais o que somos. Para mim, o final funcionou, não por ser bem pensado nem nada, mas por ter sido bem feito, mérito maior da direção que do roteiro.

Continuando o paralelo do video-game, não poderia concordar mais, mas com um detalhe: o wii representa uma nova tendência, que é uma integração maior do que apertar botões, por isso todo o sucesso. Isso não torna o aparelho melhor ou pior que o Super Nintendo ou o atari, mas abre novas possibilidades que têm que ser exploradas, assim como o 3D. É óbvio que a tecnologia não é suficiente, mas ela é com certeza essencial, e é o trabalho dos diretores utilizarem bem essas ferramentas, conforme a história pedir. Tenho certeza que até os irmães Lumieres adorariam ter usado uma câmera que filma durante mais de um minuto.

A pedidos, também achei a mudança de fonte ridícula e mais distrai que ajuda.

Waick disse...

na verdade, o filme cria um universo raso, superficial. Quando tu cria um mundo do nada, tu pode fazer o que tu quiser, tem muito potencial. O mundo do Senhor dos Anéis conseguiu explorar isso: tem povos diferentes, com características marcantes, história e cultura, e interagem entre si. Em Avatar, existe um povo cuja vida se resume à religião (porque o contato com a natureza se resume à religião). O Jake é o primeiro a conseguir reunir as tribos em muito tempo, mas isso é só ligeiramente mencionado. As outras tribos nem são mostradas, com exceção dos navis que aparecem lutando e que são iguais aos da tribo "principal". Ninguém diz por que é que eles não se juntam em tanto tempo, até porque, quando um povo é tão limitado como são os navi, eles nem têm sobre o que discordar ou brigar com as outras tribos.

O meu problema com o filme, além da minha necessidade quase patológica de discordar dos outros, não é só pelo que tem nele, mas com o que não tem. Quando um cara tem mais de 200 milhões de dólares pra criar um mundo do jeito que ele bem entender, ele tem a obrigação de fazer direito. Tudo bem que eu citei o Sr. dos Anéis, cujo universo já estava criado previamente pelo Tolkien, mas mesmo assim, Pandora is just plain lazy.

Waick disse...

Exatamente, o Wii consegue explorar uma nova tecnologia de forma a melhorar a diversão, que é o objetivo de um video-game! É relevante!

Quanto à fonte, me lembrou aquela cagada do Quatum of Solace, em que cada novo cenário mostra uma legenda com fonte "étnica", ou com design que remete ao país mostrado. O que nos leva de volta à questão fundamental: qual é o PROBLEMA dessa gente?

Alexandre Guterres disse...

Não acho que o universo seja raso, acho que faltou tempo para desenvolver a personalidade do povo, sem sacrificar o mais importante, que é o crescimento do protagonista. Falta de criatividade não é, já que a fauna criada em Pandora é riquíssima.

Mesmo o SDA, se tu desconsiderar os livros, não podemos tirar muitas conclusões de nenhum povo. O elfos são seres superiores e honrados que cagam pros humanos. Os anões são metidos a besta e palhaços. Os orcs são do mal, e por aí vai (estou falando do que o filme consegue mostrar em 3 horas, não dos livros!!!).

Sobre o video game ainda, a mesma coisa se aplica ao 3D: Não é somente um novo brinquedo para substituir o roteiro e enfeitar, mas sim um novo recurso que vai possibilitar explorar os roteiros de maneira que o 2D não permite. O problema ainda é descobrir como.

Daphne Endress disse...

O James Cameron poderia ter tirado um pouquinho das "cenas perfeitas de luta" para explicar mais sobre a riqueza do mundo e dos povos que habitavam Pandora. Além do mais, o crescimento do protagonista está intimamente ligado à Pandora.

Acredito que, dentro do aprendizado dele, os Navi tenham explicado, em algum ponto, o porquê de estarem ou terem estado em conflito com outros povos. Isso não apenas teria enriquecido o universo (abrindo ainda a possiblidade de uma continuação, tão comum para blockbusters) como a própria história do Jake.

Como eu disse antes, até mesmo a relação dele com a Neytiri seria muito melhor embasada se mostrasse, por exemplo, o interesse dele pela saga do povo dela. Talvez seja isso que tenha faltado ao roteiro. Não acredito que necessariamente seja uma escolha de "sacrificar a história do povo" para focar no crescimento do protagonista. Um elo de ligação, se estabelecido, teria aberto incontáveis opções de enriquecer a narrativa.

tio_do_buteco disse...

O filme não é a revolução dita, fato.
Eu concordo com o Alexandre em 90%, fato.
Comparar Persona do Bergman com Avatar é a coisa mais ridícula já feita, fato.

Criticar os detalhes do filme sem notar o detalhe QUE APARECE EM TODOS OS VIDEOLOGS é amadorismo, fato. O filme se passa em 2154.

Como o diretor disse, é um filme feito pra ser visto em 3D, ele não quer que seja visto em 2D, só é comercializado como tal para dar mais dinheiro, mas se dependesse do Cameron só teria em 3D. Não é a toa que as pré-estréias foram apenas nessa plataforma, ou vocês acham que é mais barato o transporte e lançamento em 3D.

É uma história superficial, feita para ser superficial. É contada igual a muitas histórias. Têm as intervenções divinas (aka Deus Ex-Machina) e é um filme americano. Querem ver algo diferente, vejam Zé do Caixão, o gênio brasileiro, ou Kieslowski, o polonês maldito. Ou melhor, se um filme em preto e branco que custou 7 dólares é melhor, vejam A Chegada do Trem, dos Irmãos Lumière, assim vocês economizam o tão brilhante tempo de vocês.

tio_do_buteco disse...

Em relação a fonte ridícula, não dá pra tecer comentários previamente. Talvez não fosse a intenção do Cameron, vejamos a versão original em inglês pra ver como realmente é a coisa. Os legendadores (é assim?) brasileiros bem como os dubladores em sua grande maioria não têm a menor formação técnia ou estética para manter a originalidade dos filmes então vai ver os caras inventaram qualquer coisa e que assim seja. O que afinal não faz a menor diferença, são apenas letras para serem lidas, se tu não conseguiu ler o problema está na alfabetização talvez.

Não explorar todo o mundo de Pandora é certamente intencional. Assim sendo ele vai poder explorar essas coisas que tu sentiu falta nas próximas continuações do filme. E aí recomendo que veja em 3D ou que gaste teus 7 dólares do ingresso fazendo um filme melhor em preto e branco.

E voltando lá em cima, quanto a ninguém reprimir ele quando ele sai aloka por aí. Ora, o negócio foi caro pra fazer, imagina se dá algum problema naquilo, o gasto seria imenso pra consertar, sem contar a falta de tempo que é bem expressa pelo filme.

E ele se emociona por poder voltar a andar, e ah, que que eu quero discutir Avatar. Vou lá ver Incipt Vita Nuova, que com 7 dólares consegue ser melhor que Avatar.

Daphne Endress disse...

Quem me disse que o filme se passava em 2100 foi o Alexandre. Perdão se eu não anotei na minha mão durante a sessão o ano em questão, estava mais interessada na história propriamente dita. O fato de se passar 54 anos depois não muda em nada nenhum dos comentários anteriores, élvio ¬¬.
A questão não é querer ver alguma coisa diferente. Sair presumindo que é um filme superficial contado de forma superficial faria com que eu nem fosse ao cinema. Mas, em todo o caso, felizmente não fui eu quem pagou a entrada :)

Waick disse...

A fauna riquíssima nada mais é do que um monte de bichos inventados. A flora também. Os seres vivos são diferentes dos reais, mas muitas vezes análogos. Aquele bicho que eles montam poderia muito bem ser um cavalo, e o primeiro bicho gigante poderia ser um rinoceronte. Tirando aquele pássaro que eles montam, que é uma idéia legal, a fauna (ou a flora) não é riquíssima, são apenas diferentes sem ser inovadores.

Sim, eu sei que o Senhor dos Anéis tem muito mais tempo pra explorar o mundo, já que são três filmes, e que mesmo assim não é tão rico quanto nos livros (e nem tem como), mas mesmo assim se pode perceber que há uma interação entre os povos e as "tribos", que os povos têm um passado que, mesmo que não possa ser mostrado no tempo limitado do filme, existe. Eu não reclado que o filme não tenha mostrado todos os detalhes da vida e da história e da cultura dos navi, é óbvio que não tem como, mas o que acontece é que não fica nem implícito que existe algo mais em pandora além do que foi mostrado. Não é o fato de não mostrar toda a cultura do povo, mas de reduzi-la a quase nada. Não sei se isso ficou muito claro, mas tá.

O Daphne, nunca um post aqui gerou tanta controvérsia, agora me sinto obrigado a escrever sobre religião, filosofia ou futebol. Política não, porque ninguém aqui é comunista... (espero)

Waick disse...

Mas eu termino de escrever um comentário e já aparecem mais 5!

Eu comparei Persona com Avatar não porque os dois "compitam" ou pretendam ser equivalentes, mas só pra ilustrar que efeitos especiais não são fundamentais para um filme, embora ajudem pra caramba quando a história é boa. A primeira trilogia do Star Wars é muito melhor que a segunda, apesar das limitações técnicas relativas.

Quando à mudança da tipografia, eu acho que não foram os tradutores brasileiros, até porque estas legendas também devem estar presentes na versão original em inglês, já que é uma língua extraterrestre.

Sim, os legendadores do Brasil, ou sei lá qual o nome da profissão, são péssimos, e os piores são contratados pra traduzir as séries da Warner.

Outra coisa, se o universo de pandora não é explorado de forma proposital, acho que o problema continua tão grande quanto antes. Se o universo não é explorado, o roteiro é previsível e (discordando do alexandre) o crescimento do personagem principal também não é lá essas coisas (embora exista), não sobra muita coisa.

Alexandre Guterres disse...

Tenho certeza que os designers de produção iriam querer te crucificar se tu dissesse que o trabalho deles foi fraco. Desde aqueles bichinhos coloridos que flutuam até o bicho alado, dá para ver que tudo lá é extremamente bem pensado para ser o mais real e orgânico possível, ainda que não tenha um resultado "inovador", um conceito completamente subjetivo e utópico.

Mostrar mais a saga do povo poderia ter sido interessante, é verdade.

Quem comparou o Avatar com Bergman?

Daphne Endress disse...

daonde que um resultado inovador é algo utópico?

Alexandre Guterres disse...

Inovador como algo nunca antes visto. Nada é 100% original

Waick disse...

Quando eu falei do filme em preto e branco que eu vi, era Persona, que eu vi ontem de noite, (o élvio sabe porque estávamos juntos, na cama, sob os lençóis), mas só pra exemplificar que efeitos especiais e produção multimilionária não são o mais importante do filme.

Eu não digo que os bichos ficaram toscos. Aliás, como eu já disse, a parte "técnica", visual, é ótima, sem dúvidas. Na verdade, eu nem tenho nenhum problema com a fauna ou com a flora, eu só não acho que seja fantástica, ou que mereça destaque.

Bruno Guima disse...

Yawn. O filme é muito bom apesar de todas as falhas minuciosamente apontadas por vocês, e é isso que interessa.

Waick disse...

Eu concordaria contigo, se eu concordasse. Quer dizer, se o filme fosse bom apesar de todas as falhas, eu nem reclamaria. Mas ele é simplesmente entediante. Yawn.

Waick disse...

Get together hoje de noite no Guimarães, resolver isso na porrada.
Tá, não. Mas o get together sim. Pelas 8 e pouco. Waick e Gabriela confirmaram.

tio_do_buteco disse...

Élvio confirmou também, há boatos que se Alexandre e Daphne não confirmarem ficará claro que ou um matou o outro ou que ambos estão com medinho do debate.

Daphne Endress disse...

Eu e o Alexandre vamos!! Mas diz o Alexandre que vai chegar atrasado... (novidade não é, né)

Daphne Endress disse...

que fique claro que, a menos que a Gabriela me ofereça carona no seu crossfox, eu v ou com o Alexandre e, portanto, também chegarei atrasada.

Waick disse...

a gabriela tem um crossfox? mas ela nao vai te oferecer carona, porque eu vou dar carona pra ela no meu spacefox. Que não é cross. E que não é meu.

O POVO disse...

Que bom que ficou decidido que Avatar é um ótimo filme.

Anônimo disse...

lamentável...

Waick disse...

o que que é lamentável? O filme, suponho.

arieloliveira disse...

lol, devia ter seguido o conselho do guime e ter vindo ler isso aqui antes!

tá muito engraçado!

(e, se eu já não estivesse previamente convencido a não assistir avatar, essas discussões teriam me convencido. waick e daphne ganharam a discussão, =P e o guima não falou nada de útil)

tio_do_buteco disse...

isso só pode ser coisa do Waick
http://cinema.terra.com.br/interna/0,,OI4188195-EI1176,00-Avatar+e+acusado+de+ser+propaganda+politica+da+esquerda.html

Waick disse...

Vou ter que admitir: apesar de não ter gostado do filme, como propaganda política de esquerda, avatar é bem mais eficaz que aqueles anúncios com imagens pixeladas do PCO.

=P

André disse...

o filme é bom.
nao é ótimo.
é previsível mas é bom.
encerrem a discussão!