segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Easy Rider

Esse era outro filme que eu tava há tempos querendo ver e nunca pegava na locadora. Eu não sei por que é que eu achava que esse filme era com o James Dean, aí quando peguei descobri que não, mas descobri também que era com o Jack Nicholson, que é muito melhor. Mesmo não sendo um dos protagonistas, Jack sempre rouba as cenas em que aparece, e isso que nem era pra ele aparecer. Ele era produtor executivo, mas um ator deu pra trás e ele concordou em atuar, e, ironicamente, se tornou mundialmente famoso por causa disso. Ah, sim, o filme é de 1969.

Mas, ao filme: Easy Riders conta a história de Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper), dois motociclistas semi-hippies que fazem uma pequena fortuna traficando cocaína do México para Los Angeles, e de lá partem em uma viagem até New Orleans, cruzando boa parte dos EUA. Wyatt é cool e introspectivo, enquanto Billy é o estereótipo do hippie chapado - mas ambos representam o movimento de contracultura dos anos 60. Com muito dinheiro no bolso e nenhum compromisso, os dois podem ir aonde bem entenderem e fazer o que quiserem – são absolutamente livres. O filme é brilhante ao mostrar isso de um ponto negativo: Wyatt e Billy conquistaram a liberdade com que sempre sonharam, e justamente por isso não têm para onde ir. Representando o desencanto da contracultura do final dos anos 60, os protagonistas passam por uma colônia hippie e por cidades ultra-conservadoras do sul do país, mas, não importando onde estejam, o que acontece com eles é sempre temporário, e as pessoas entram e saem rapidamente de suas vidas. O motivo de sua viagem, se é que existe, não é revelado - eles apenas querem chegar a New Orleans a tempo para o Mardi Gras (o carnaval de lá). E conseguem, mas passam o tempo todo embriagados e drogados com duas prostitutas, o que Billy aprova, quando, deitado no campo, à noite, comemora: “We did it, man! We did it!”. Ao que Wyatt responde: “No, man, we blew it”.

Billy e Wyatt representam a conquista do desejo de liberdade que varreu a juventude norte americana nos anos 60, e o conseqüente desapontamento com os valores que defendiam. Meio que mudando de assunto, eu achei muito tri que dinheiro obtido com a venda da cocaína ficava escondido dentro do tanque de gasolina da icônica Harley Davidson de Wyatt, pintado com a estampa da bandeira americana, assim como as costas de sua jaqueta de couro e o seu capacete.

Os motociclistas encaram também um preconceito crescente conforme se afastam da California, avançando pelo sul conservador. No início do filme, são gentilmente acolhidos em uma fazenda. Depois, são abertamente hostilizados pela população, espancados durante e noite e, por fim, mais adiante, presos por um motivo fútil. Na prisão, conhecem George Hanson (Jack Nicholson), um advogado bem sucedido, porém com um pequeno problema com o álcool. Wyatt convida George a seguir com eles para New Orleans, e ele vai, vestindo na cabeça um capacete de futebol americano. Apesar de ser sem-noção, meio maluco e completamente bêbado, George é bastante conservador para os padrões do filme, assustado e hesitante diante da possibilidade de experimentar maconha. Acho que o George até nem seria tão importante no filme, mas o Jack Nicholson transformar o personagem em uma figura tragicômica, do cara que entrou na onda sem saber direito o que era e acabou se dando mal.


O filme também retrata a reação dos americanos ao movimento de contracultura. Enquanto as garotas acham os motociclistas o top do sexy, os homens os ridicularizam e os hostilizam. Como diz George, “eles vivem exaltando a liberdade individual, mas, quando vêem um indivíduo livre, se borram de medo”.

Para ilustrar bem o espírito do filme, é engraçado ver como é difícil fazer uma sinopse. Algo tipo: Dois motociclistas cruzam o país em busca de... em busca do quê? Eles rodam o país em busca de nada, e não encontram nada – é uma história de decepção. Ou, como diria a Janis, freedom’s just another word for nothing left to lose.

Para finalizar, lá pela metade do filme eu percebi que o óculos que o Peter Fonda não tira dos olhos nem à noite, eu tenho um igual! Nem sei quão velho é o que eu tenho, mas ele já figura em umas fotos da família na Disney, em 1997. Mas agora é meu. Rá!

2 comentários:

Daphne Endress disse...

Me lembro vagamente de ter visto esse filme...

Waick disse...

Nossa, eu adoro comentários construtivos e edificantes =P