sábado, 5 de dezembro de 2009

Paprika


É um filme que tá entre os lançamentos da locadora aqui perto há alguns meses (é, eles não lançam muita coisa), e eu sempre ficava na dúvida se eu assistia ou não. É uma daquelas sinopses que indicam um filme ou genial ou lixo completo, então fiquei um pouco receoso. Aí um dia estava eu, bem feliz, lá na locadora, e resolvi que ia tirar esse, mas deixei na prateleira enquanto escolhia outros, porque eu sempre aproveito a viagem e pego uns três ou quatro filmes por vez. Então, depois de escolher todos os outros, voltei pra pegar o primeiro, e descobri que o cara que estava saindo pela porta naquele exato momento tinha levado! Eu entenderia se fosse o último filme do Harry Potter, ou algo assim, mas eu nunca imaginei que alguém fosse realmente locar uma animação surrealista japonesa.

Ontem, consegui pegar o filme e assistir. A história é a seguinte: uma companhia desenvolveu um aparelho que permite que duas pessoas compatilhem o mesmo sonho, além de gravá-los em um computador. O que acontece é que o protótipo do DC Mini (o tal aparelho) é roubado, e, como os desenvolvedores ainda não tinham colocado o código que restringia o acesso, o que significava que os sonhos do ladrão seriam implantados na mente de todos os que já haviam utilizado o treco. Ok, isso não faz nenhum sentido, mesmo presumindo como verossímil a existência do aparelho, mas como o filme tem uma proposta bem surreal, a gente meio que aceita, mas eu não gosto dessas explicações sem sentido que existem só pra justificar a história.

Os funcionários da tal firma então tentam descobrir quem roubou o DC Mini, mas, como todos já o haviam utilizado previamente, os sonhos do criminoso são projetados na mente de todos, mesmo quando não estão dormindo. Eu esqueci de falar que o objetivo do DC Mini é ajudar no tratamento psiquiátrico, facilitando a interpretação de sonhos. Para isso, o aparelho inclui nos sonhos Paprika, um alter-ego de uma das cientistas da empresa. Paprika interage com as pessoas dentro de seus sonhos, ajudando-as a interpretarem os elementos e descobrirem algo sobre si próprias.

Os sonhos dos personagens mostram imagens fantásticas, que certamente são o ponto alto do filme. Tem a assustadora marcha dos símbolos culturais (da estátua da liberdade à semáforos, passando por pórticos japoneses e personagens de desenho), que atravessa o país e leva junto tudo o que encontra pela frente, com uma música e uma atmosfera ao mesmo tempo festiva e sombria. Outras imagens exploram os medos dos personagens, suas angústias, e a maneira como se enxergam, como enxergam os outros e como gostariam de ser. Paprika, por exemplo, é o alter-ego da cientista Atchko (ou algo assim, não lembro dos nomes). Mas Paprika é jovem, enérgica, simpática, voa pelos sonhos como um símbolo de liberdade, enquanto Atchko é mostrada como uma cientista reprimida, sempre séria, sentindo-se responsável por tudo (eu acho que a palavra que a define é uptight, mas não achei uma tradução adequada para o português).


Em um certo ponto, os sonhos de todos os que já utilizaram o DC Mini se fundem em um só, e o criminoso o está controlando. Quando os personagens são capturados dentro do sonho, entram em uma espécie de coma e não conseguem acordar. Eles precisam então lutar contra o inimigo misterioso dentro do próprio sonho, e, no processo, fazem descobertas sobre si mesmos.

Essa é a parte genial do filme, é muito legal mesmo. O problema é que o roteiro é completamente bagunçado, e o filme acaba perdendo sua já frágil verossimilhança interna. Em determinado momento, os sonhos começam a se fundir com a realidade sem qualquer explicação aparente. Talvez seja uma metáfora sobre como o nosso inconsciente influencia as nossas ações, mas, se for isso, ficou mal contado, o salto interpretativo é muito grande.

O filme tem momentos incríveis, e os personagens devem ser interpretados não a partir de suas ações e de seus diálogos, como geralmente acontece no cinema, mas sim das imagens que aparecem em seus sonhos, e os próprios personagens se conhecem através delas. O lado negativo é que, unindo algumas cenas brilhantes encontra-se um enredo fraco, que leva a momentos de tédio e a momentos de “mas que merda é essa?”.

E foi isso o que impediu que Paprika ganhasse 5 estrelas na listinha que eu faço no word dos filmes que eu vejo. Mas quatro estrelas ainda é bom, e eu recomendo esse filme pra quem estiver procurando algo mais subjetivo e diferente. Mas tem que estar no clima pra ver um filme desses, só isso. Bom, seguindo a minha tradição de não saber como concluir textos, tchau.

Um comentário:

arieloliveira disse...

oh, man!

nunca vi!

agora tenho q ver! XD