sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

As legendas da Warner

Como a Bruna gentilmente nos lembrou nos comentários do post do Guima sobre as propagandas da Warner, as legendas da Warner merecem um post dedicado. Ou, devo dizer, um post uiasf¨&%8ydsb?

Sim, porque essas coisas às vezes aparecem na minha televisão, e, embora inglês não seja minha língua nativa, eu tenho quase certeza que não foi isso o que o Chandler disse. Deve ser um jogo que eles têm lá na Warner, tipo “bata sua cabeça no teclado e poste o que sair”.

Tirando esses problemas bizarros e inexplicáveis dos caracteres aleatórios que aparecem nas legendas, os problemas de tradução da Warner são tantos que eu não sei nem por onde começar. Bom, vamos começar pela seletividade.

Porque a Warner não traduz tudo o que os personagens falam. Vai ver eles acham que os personagens falam demais e que o texto passaria muito rápido e o brasileiro médio não teria tempo de ler. Então, quando o personagem fala algo que é ao mesmo tempo engraçadouma frase de 10 segundos, a legenda tem duas linhas, o que, em termos de legenda, é equivalente às dublagens de filmes japoneses. Qualquer humor, ironia, sarcasmo ou emoção que o personagem expressou fica absolutamente perdida na tradução.

Depois disso, tem a parte em que os tradutores não falam inglês. Desde expressões idiomáticas traduzidas de forma iliteral que não fazem nenhum sentido mas os tradutores nem se coçam, até a confusão entre palavras que soam parecido em inglês e que os tradutores ouvem e traduzem errado, fazendo que a frase não faça nenhum sentido mas os tradutores nem se coçam. Eu suspeito que o pessoal lá use o Google Translator como ferramenta de suporte.

Daí tem as piadas. Aquelas risadas falsas que tem em séries como Friends e Two and a Half Men serve para indicar às pessoas que não entendem inglês que foi feita uma piada, e que aquele é o momento em que eles devem rir para não parecerem idiotas. Porque as traduções de piadas nunca fazem nenhum sentido, eles não conseguem. Eu sei que traduzir piadas pode ser difícil, mas eu consigo pensar em pelo menos cinco traduções melhores pra cada piada que eles fazem nas séries, e o triste é que eu não sou pago pra isso.

Eu só posso pensar que as séries de televisão não tenham metade da graça para quem não entende o que está sendo dito, e é uma pena que a gente pague a mensalidade da NET pra um canal como a Warner, que, além de não produzir nenhum conteúdo próprio (já que só passa filmes e séries americanas), ainda é mão de vaca o suficiente para economizar nos tradutores.

Pelo lado positivo, a Warner nos incentiva a nos virarmos sem legendas…

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

iPad

O que é o que é: se parece com um iphone, faz a mesma coisa que um iphone, mas é maior do que um iphone? Isso mesmo, é um iPhone gigante!

Depois de meses de buzz e boatos sobre o suposto tablet da Apple, ontem o Steve Jobs finalmente lançou o iPad, ignorando que pad também significa absorvente. Ou ele achou que ia ser engraçado, sei lá.

Toda vez que a Apple lança um produto, o Steve Jobs fica lá em cima falando que o iStuff vai mudar a maneira como as pessoas se relacionam com a tecnologia, de tão maravilhoso e inovador que é a tecnologia do iStuff. E os milhões de macmaníacos imbecis engolem tudo. Mas não sem alguma razão: o iPod revolucionou a maneira como as pessoas ouvem música, ainda que não tivesse nenhuma tecnologia nova. Daí veio a iTunes Store e revolucionou a maneira como as pessoas compram música. Não no Brasil, é claro, aqui a gente baixa. Daí veio o iPhone, que também revolucionou o celular, ainda que, de novo, não tivesse nenhuma tecnologia inédita (porque apesar do blablablá, nos anos 90 a minha mãe já tinha um Palm com touchscreen). São produtos fodas e muto bons (tirando a Apple TV, que ninguém sabe ainda pra que que serve), e com um design legal.

Daí chega o iPad, que não traz nenhuma novidade. Nem tecnológica, nem de uso. Sério, entrem no site da Apple: todas as utilidades apresentadas pra ele são iguais às do iPhone. Escreva e-mails. Veja sites. Leia fotos (mas não tire, porque não tem câmera). Veja vídeos. Ouça músicas. Jogue jogos. O dos jogos é o pior, porque o próprio exemplo de jogo é igual aos jogos que já existem pro iPhone. Calendário, notas, e-books, mapas, home screen, é tudo exatamente igual ao iPhone. O desempenho deve ser melhor (é o mínimo…), mas ele não tem nada de inovador. Ele não pode rodar dois aplicativos ao mesmo tempo, e ele não tem aquela canetinha. Me chamem de obsoleto, mas um tablet que se preze tem que ter a canetinha pra fazer anotações na super tela multi-touch.

É óbvio que o iPad não substitui um computador de verdade. Nem um mac. Isso até já dava pra imaginar, porque é um tablet. Mas ele não tem nenhuma função que o iPhone (ou, pior, o iPod touch) não tenha. Eu não consigo imaginar nenhuma utilidade prática pra esse tablet. Sério.

E o pior é que é caro. Quem tem dinheiro pra gastar em um tablet que não é nem um celular e nem um computador, tem dinheiro pra comprar um notebook decente (ou um macbook), pequeno, leve e muito melhor.

Se o iPad tem um ponto positivo, é que, na página do site onde eles dizem que o iPad serve pra ver filmes (não serve), ele tá passando Star Trek, com um still da cara do Spock.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Warner Channel parte 1

Quem não tem tv a cabo, por favor, nem precisa ler. Tchau. Quem nunca viu um programa ou filme na Warner Channel? Tá. Há anos esse é o meu canal preferido, afinal passa Two and a half men (TAHM) e outros seriados menos engraçados. Sempre fui fiel, acompanho uns 60% de todas as porcarias que eles passam com o pretexto de esperar TAHM. Porém, recentemente tenho perdido a vontade de assistir qualquer coisa nesse canal. Motivo? Propagandas excessivas (em filmes), assaz longas (em tudo) e tremendamente repetitivas.

Antes as propagandas eram repetitivas sim, mas eram de um tamanho tolerável. Entretanto, de dezembro pra cá elas tão ficando cada vez maiores e insuportáveis. Tudo começou com aquela música do Black Eyed Peas, para a qual fizeram um clipe com imagens das séries exibidas pela Warner. Inicialmente era quase legal: a música é "boa" e tava na modinha ainda. Só que ela é grudenta. Bom, não vou discutir mais o mérito dela. O que importa é que desse ponto em diante, as propagandas da Warner começaram a ficar compridas, longas, pantagruélicas. Há umas duas semanas, pra irritar ainda mais os espectadores, eles ainda começaram a botar um relogiozinho exibindo o tempo de propaganda, com isso tu vê que tu perde até 5min com UMA ÚNICA PROPAGANDA (ongs ambientais, mainly). Somem a isso todas as outras de um mesmo intervalo. Dura mais que um episódio de Clone Wars.

Além disso, aquele Inside the Series/Movie que dura uns bons 3min no mínimo e que era quase raro de ver há uns meses atrás (lembro que eu ansiava por ver uns há anos atrás e quase não passava) agora é toda hora. Sério, só nos intervalos do TAHM passam três (Avatar, Onde vivem os monstros, Vampire Diaries), ou seja, tem um pra cada intervalo. É capaz dos intervalos durarem mais que o programa...

Fora isso, ainda tem a repetição. Juro que hoje passou três vezes a mesma propaganda num mesmo intervalo. Só me faz ficar com mais ódio do canal, porque as que mais repetem são justamente as que alardeiam a própria programação... E não me dão vontade de ver.

Nescau ou Toddy – os resultados e as implicações

Depois do sucesso estrondoso da primeira enquete desta gloriosa webpage, a equipe do Reclamando de Tudo tem a honra de apresentar os resultados, acompanhados de uma rigorosa análise sociológica e política, investigando as razões e as conseqüências da mentalidade do brasileiro em relação à questão proposta.

Para quem não sabe, a enquete convidava os participantes a responder qual dos dois produtos estaria mais de acordo com seu gosto pessoal, incluindo variáveis como aparência, aroma, consistência, cor, sabor, solubilidade e resultado final da bebida: Nescau ou Toddy.

Os resultados são os que se seguem:



Como se pode ver, a população prefere, em larga escala, o produto denominado Toddy, enquanto o Nescau se revelou como sendo um produto de nicho: cruzamentos de dados revelaram que os indivíduos que preferem Nescau possuem ascendência nordestina, assistiram a uma média de 4,8 edições do Big Brother e votam em partidos de esquerda.

O Toddy, por outro lado, é mais comumente consumido por famílias brancas de classe média que possuem 1,6 crianças no lar, que votam no PSDB e que assistem furtivamente ao programa do Faustão, embora o neguem veementemente em situações sociais.


Os típicos consumidores de Toddy

Alguns dos entrevistados expressaram confusão em relação às duas últimas alternativas: “Nesquick de Morango” e “Hitler”. Esclarescemos aqui que estas alternativas estavam presentes com o objetivo de mensurar a quantidade de leitores com distúrbios mentais que acessam o Reclamando de Tudo. Felizmente, os resultados revelam que nenhum pesquisado expressou preferência por Nesquick de morango, de onde se conclui que o público leitor é mentalmente são, ainda que os resultados não possam ser estendidos para os colaboradores do blog.

Um número pequeno - porém expressivo – de entrevistados afirmou preferir Hitler como seu achocolatado matinal, o que não surpreendeu os pesquisadores. “É sabido que em tempos de turbulência econômica a incerteza em relação ao futuro leva os cidadão a direcionarem suas crenças políticas a partidos tipicamente de direita, que prometem ordem, segurança e Lebensraum para o Vaterland”, diz o professor emérito da universidade de Frankfurt, Dr. Astolf Hibbler.


 A incerteza dos tempos de crise levam a uma guinada à direita nas questões de Großdeutschland, diz o Dr. Hibbler.

No âmbito social, os resultados da pesquisa colocam em evidência o abismo da desigualdade no país, uma vez que as pessoas que preferem Nescau se diferenciam das que preferem Toddy por possuírem níveis baixos de renda, escolaridade e paladar, além de se concentrarem em regiões geográficas definidas – ou, como prefere o professor J. Malthus, da Universidade Estadual do Acre, os “guetos do Nescau”.


 “O povo que toma Nescau tem menas (sic) oportunidades do que os burgueses que tomam Toddy”, afirma Erivaldo de Souza, auxiliar de pedreiro.

A cúpula do PT declarou que está atenta aos resultados, e que os mesmos “jogaram um pouco de luz sobre questões que ainda estavam por definir do plano de campanha de Dilma Rousseff”, afirmou um deputado que preferiu não ser identificado. Apesar disso, o partido não está preocupado com o índice de preferência por Hitler no mercado dos achocolatados. Existem, inclusive, boatos não confirmados nos corredores do Senado que dizem que o governo Lula planeja um novo programa social para combater a desigualdade dos produtos alimentícios para o café da manhã do brasileiro.


 Em coletiva, Dilma evitou comentar sobre o suposto Bolsa Nescau.

Os resultados da pesquisa, acompanhados de um relatório mais extenso que explica com maior profundidade os temas aqui abordados, além de adentrar pelas questões psicológicas e psico-sexuais da questão, foi enviado para universidades e ONGs do Brasil e do mundo. Enquanto isso, o Reclamando de Tudo já está elaborando o questionário para uma nova pesquisa, cujo tema será divulgado em uma aguardada coletiva de imprensa, em breve.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Up in the Air

Então eu fui ver Up in the Air, já com um pouco de preconceito por causa da tradução do título. Sério, é embaraçoso o indivíduo chegar no guichê e pedir ingressos pra ver Amor Sem Escalas. Não só é um título que causa náuseas, não tem nada a ver com o filme. Quem for assistir atraído por esse título estará sendo enganado. Mas tudo bem, porque pessoas que vão ver filmes com títulos como Amor Sem Escalas merecem ser enganadas.

Só depois de assistir ao filme é que eu descobri que o diretor (Jason Reitman) é o mesmo de Juno e Obrigado Por Fumar, o que foi uma surpresa, já que a trilha sonora me lembrou muito a de Juno, só que utilizada moderadamente, sem causar enjôo por “excesso de indie” como em Juno (que redação de frase vergonhosa, mas tô com preguiça mental).

Pra quem não sabe, o George Clooney é um cara que viaja pelos Estados Unidos demitindo as pessoas para os chefes que não têm coragem de fazer iss. Além de passar mais de 300 dias por ano viajando, ele dá palestras sobre como as pessoas devem se livrar das amarras dos bens materiais e relacionamentos. O personagem possui cartões de fidelidade de todas as empresas imagináveis, e seu sonho era juntar 10 milhões de milhas com a American Airlines.

Com a chegada do casamento de uma de suas irmãs (a Rose de Two and a Half Men), ele começa a perceber que está sozinho e que se tornou um estranho para a própria família, etc etc drama. Apesar de essa epifania do personagem ser previsível desde a sinopse do filme, ela se desenrola evitando clichês, principalmente em relação ao final da história. Além disso, a maneira como é mostrada essa transformação do personagem não é óbvia e previsível.

Apesar disso, o filme teve um momento que eu fiquei olhando e pensando que eu era muito burro e não tava entendendo. Quando uma nova a de Ryan (que é o nome do George no filme) viaja com ele como parte do seu treinamento, ela começa a chorar repentina e convulsivamente no meio do saguão do hotel, mas é um choro tão forçado, mal feito e tosco, que parecia dublado.

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Mas qual é o problema das pessoas que traduzem títulos, fazem sinopses e criam frases para os cartazes?

Mesmo assim (e com alguns outros buts que eu não vou listar aqui), o filme é bom e eu recomendo.

Falando em cinama, semana que vem estréia Preminoção 4, que provavelmente vai ser um lixo como todos os outros. Mas, como agora é em 3D, eu simplesmente tenho que ver. Aposto como vai ser melhor que Avatar, pelo menos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

The What - O Documentário: Plano de Vôo

Integrantes da mítica banda The What se reuniram, conforme havia sido noticiado neste mesmo blog, para discutir os rumos do tão esperado documentário com a história do grupo.

Fontes confiáveis afirmam que o encontro iniciou-se mais tarde que o esperado, devido principalmente a sucessivas rodadas de Battlefield multiplayer, mas também porque um membro não identificado estava de ressaca. A reunião também contou com a presença do balalado diretor Élvio e de uma suposta funcionária de um serviço de acompanhantes, a fim de aliviar a tensão sexual do encontro.

Apesar dos contratempos, a reunião foi prolífica: mesmo optando-se por não fazer um roteiro completo para preservar a espontaneidade dos depoimentos e por ser muita mão, foi definido uma storyline preliminar, dividindo a trajetória da banda em fases distintas e, por vezes, obscuras e ainda desconhecidas do grande público.

Membros da equipe adiantam que a película finalmente revelará as atividades dos integrantes durante o hiato da banda, mas se recusaram a comentar os boatos de que o grupo teria enviado um Boeing 747 carregado com CDs da banda para aliviar a tensão espiritual no Haiti.

Uma equipe de historiadores contratados exclusivamente para o projeto cuidou da busca e restauração de imagens de arquivo, incluindo entrevistas inéditas e flagrantes do processo de composição da banda.

imageImagem inédita de um suposto projeto cancelado por razões jurídicas. Os pauzinhos da biblioteca são fictícios, e quaisquer semelhanças com a realidade não passam de mera coincidência.

O trabalho estafante foi finalmente interrompido para o preparo de sanduíches e, na seqüência, uma sessão cinematográfica com o objetivo de reunir referências visuais para o projeto.

O porta-voz do The What declarou que o documentário ainda não possui data de estréia, mas adiantou que o escritório de RP da banda planeja uma premiére em um “festival de grande renome”. O escritório, no entanto, se recusou a confirmar ou desmentir especulações de que tal festival poderia ser a Fenadoce ou a Oktoberfest da Sogipa.

O meio musical se mostra ansioso e expressa curiosidade sobre os rumos da produção. Enquanto isso, a equipe do blog se compromete a buscar novas informações sobre o filme, e, em caso de indisponibilidade das mesmas, inventá-las. Mais nos próximos posts.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

The What – O Documentário: Expectativas

Os boatos já rolam há algum tempo no meio artístico, e a assessoria de imprensa da banda vem recebendo incessantes ligações e e-mails a respeito, mas é só por meio deste post que o The What faz o anúncio oficial dos planos de produção do seu próprio documentário.

Para quem não sabe, o The What é uma banda surgida no Colégio Pastor Dohms, em Porto Alegre, e cujo inconfundível estilo musical inspirou clássicos de artistas como os Rolling Stones, David Bowie e Fala Mansa. Com seus protestos ácidos contra as injustiças do ambiente escolar, clássicos como Queimem as Tias da Biblioteca e Minha Namorada Era Bi rapidamente saíram de Porto Alegre para conquistar o Brasil e o Mundo.

Depois do sucesso retumbante do álbum de estréia, a banda formada por Cel. Bordini (guitarra e violão), Sir Guima (sinos e bateria imaginária) e este que vos fala (baixo) saiu em uma exaustiva turnê que incluiu, além de apresentações do Hollywood Bown e no Madison Square Garden, dois shows no Festival de Bandas do Colégio Pastor Dohms. Após longas férias, onde os membros da banda torraram os bilhões arrecadados em bebida, mulheres e polenta em uma ilha particular na costa de Tramandaí, foi produzido um novo álbum com sons mais experimentais e fusões de estilos, mas que mesmo assim produziu hits e refrões clássicos, como a inesquecível Minha Vó é Lésbica.

Com o término da vida escolar dos integrantes, os músicos partiram para projetos individuais, exceto Bordini, que passou sete meses internado em um instituto psiquiátrico. Apesar de reuniões esporádicas com show caça-níqueis ao redor do mundo (que mesmo assim renderam gravações memoráveis, como o solo de reco-reco-de-cu-de-burro no show de Berlim), a banda apenas recentemente se reuniu para discutir a possibilidade da gravação do tão esperado documentário.

Trazendo revelações bombásticas dos bastidores do The What, o filme, com título e roteiros ainda a definir, mesclará entrevistas, imagens de arquivo e material original para desvendar o misterioso processo criativo da banda, suas influências musicais e boatos da suposta trissexualidade de um dos membros.

A história do The What é também marcada por excessos, brigas e festas fantásticas, uma das quais chegou a figurar na segunda página do Pravda de Moscou, com imagens chocantes de uma celebração ocorrida no Kremlin onde vários líderes mundiais, em companhia da banda, aparecem abraçados a uma cabra dançando mambo. Em uma ocasião, os músicos passaram cerca de quinze anos sem se falarem, devido principalmente ao fato de ainda não se conhecerem.

As primeiras reunião oficial para tratar da produção do documentário ocorrerá amanhã, na residência de vosso humilde narrador, com a presença ainda incerta de Ariel, o mítico e misterioso empresário da banda, e de Élvio, um dos diretores cotados para o projeto.

Desnecessário dizer que todo o trabalho será acompanhado através deste blog, uma vez que, tendo gasto todo o dinheiro em orgias pansexuais, a situação financeira da banda não permite a criação de um hotsite.

Au revoir!

Windows Live Writer

Então eu baixei esse tal de Windows Live Writer, que supostamente deixa com que eu possa visualizar os posts do blog enquanto estou escrevendo, e publica automaticamente pra mim quando eu terminar. Como o editor de textos do blogger é um lixo, impossível de usar, com uma telinha minúscula, e que ainda por cima publica tudo errado. Por isso, e também porque eu não tenho nada melhor pra fazer, resolvi baixar esse tal de Live Writer pra experimentar. Além disso, é uma oportunidade única de fazer uma resenha em tempo real, já que estou escrevendo nele agora mesmo.

Não que alguém queira ler uma resenha sobre o Windows Live Writer, mas eu não achei nada de mais útil pra postar. Não que eu vá me estender sobre o assunto. Só vou dizer que A) É melhor que o editor do blogger; B) Mesmo assim continua sem a possibilidade de editar o espaçamento – tem que fazer no Word e colar aqui, daí funciona; e C) Eu não vou editar esse post depois de publicado, como eu faço com os outros depois de mandar pelo editor do blogger, portanto, se a formatação sair toda torta, é porque o programa não presta.

Mas, mudando de assunto, comecei a baixar ontem o Battlefield. O primeiro mesmo, de 2002. Porque eu descobri que é muito mais fácil baixar jogos com uns 5 ou 6 anos de atraso, já que assim não é necessário comprar um computador de última geração pra poder jogar. Daqui a uns cinco anos, eu vou baixar o GTA IV, me aguardem.

Daí eu deixei baixando a noite inteira, mas não adiantou nada, porque o computador entrou em espera em meia hora. Eu odeio quando o windows faz isso. Wrah!

Mudando de novo de assunto, tá todo mundo falando daquele cara que tatuou um Ray Ban no rosto. Se esse não é um motivo pra bater em alguém de óculos, eu não sei o que é.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sem luz

As crianças de hoje jamais terão a experiência de um blecaute. Hoje, já não é mais a mesma coisa do que quando eu era pequeno, e eu não sou tão velho assim. Hoje faltou luz aqui em casa, a tarde toda. Caiu ao meio dia, voltou às quatro da tarde, e, nem meia hora depois, caiu de novo.


(abre parenteses)


Aproveito pra reclamar da CEEE, que levou quatro horas pra vir até a esquina de casa apertar um botão pra ligar o transformador, conseguiu fazer errado e levar mais quatro horas pra arrumar de novo.


(fecha parenteses)


Daí eu me lembro que, até poucos anos atrás, quando faltava luz, a única opção era ler, se por sorte fosse dia. À noite, acendiam-se velas, porque as lanternas nunca tinham pilha. E não eram velas comuns, porque dessas a gente nunca acha em casa. Eram velas de natal, de aniversário, de cheiro, de macumba, qualquer coisa que aparecesse, e sempre colocadas em cima de uma louça de porcelana ou vidro. Mesmo assim, eu nunca vi muito sentido em acender as velas, porque não é como se desse pra fazer alguma coisa com elas. No meu tempo, quando faltava luz de noite, a gente ia dormir.


Hoje, nem tem mais nada disso. Dá última vez que faltou luz, eu passei a tarde vendo House no notebook. Não bastasse isso, a internet 3G permite que as pessoas fiquem postando coisas como “faltou luz, não encontro velas” ou “OMG to sem microondas como que vou tomar meu toddy” no twitter. Pra essas pessoas, eu digo que pegue uma frigideira, esquente leite até ficar quente ao toque (sim, leite na frigideira, é assim mesmo) e adicionem o chocolate. Chocolate de verdade, ralado, meio-amargo. Aí é só misturar devagar em fogo baixo até o chocolate derreter e se misturar completamente. A única coisa chata é depois passar pra uma caneca. Quem for fresco pode colocar açúcar, mas fica melhor sem.


Mas acho que fugi um pouco do assunto. Voltando às velas, hoje são desnecessárias. Celulares e ipods iluminam muito mais, duram mais, e o iphone inclusive tem um app que é só uma tela branca bem iluminada pra servir de lanterna (tem o botão do strobe também, que faz a tela piscar pra quem quer fazer uma rave dentro de casa).


Mas daí hoje eu decidi não passar a tarde no computador vendo House, e fiquei lendo. Que era o que eu ia fazer se tivesse luz, maaaaaaaas, eu li sem a luz de leitura, o que já nos leva quase para o estilo de vida do século XIX. E eu fiz comida também! Sem luz! Sem microondas! Sem gosto! Tá, eu fiz massa com feijão. Porque o feijão era a única coisa que tinha pronta na geladeira. Maaaaaaaaaaaaas eu esquentei em uma panela, e não no microondas. Fiz pipoca de panela também; não que eu costume fazer no microondas, mas a panela de pipoca tava com um parafuso perdido e não dava pra usar, então eu fiz numa panela com tampa de vidro pra ver a pipoca estourando. E nem queimei as do fundo, vê só.


Daí eu ia continuar escrevendo sobre como às vezes é legal tentar passar o dia sem internet e eletricidade – NÃO que eu seja um daqueles hippies que gostariam de viver no mato e vender artesanato na redenção, que eu tenho até twitter e facebook. Mas daí eu fiquei com preguiça, acho que vou ver um filme. Ou House, talvez. Auf Wiedersehen!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Agatha Christie

Quem leu meus últimos posts já sabe que Capão da Canoa não é a primeira escolha para a minha viagem dos sonhos, e, no entanto, lá estava eu, novamente, em mais um final de semana de tédio paralisante. Exceto que dessa vez eu dei carona pra minha avó até a biblioteca, que fica no prédio da Câmara de Vereadores, e resolvi tirar um livro pra mim. Algo pra passar o fim de semana, só, porque eu já estou lendo Guerra e Paz, ainda que muito vagarosamente. Quero ainda dizer que me senti como um jovem delinqüente ao utilizar indevidamente o estacionamento dos vereadores. E nem coloquei o carro em uma vaga, só larguei no meio do caminho, na porta da biblioteca. Muito contraventor. Mas ninguém entrou ou saiu da Câmara no período, então não teve tanta graça. Preciso tentar isso em algum lugar de Porto Alegre. Mas enfim.


A biblioteca de Capão da Canoa, além de ser quase menor que a minha, só possui os livros clichês: básicos da literatura brasileira, Sydney Sheldon, Robin Cook, Danielle Steel, Rosamunde Pilcher, e, é claro, uma grande coleção da Agatha Christie, uma autora que eu não lia desde o Ensino Fundamental.


Agatha foi a primeira autora de mistério que eu li, o que acabou setting the bar tôo high do gênero para mim. Procurei uma tradução para a expressão, mas não achei, sinto muito. Mentira, não sinto nada. Mas depois de ler Agatha Christie a gente não aceita mais aqueles livrinhos paperback com histórias de detetives toscas. Acho que nenhum autor tinha uma mente tão doentia e twisted (ó, de novo) como ela pra criar plots e finais tão inesperados. Não que eu leia muitos romances policiais, mas, dos que eu conheço, só Raymond Chandler chega perto, e por outros motivos.


O livro que eu peguei em Capão foi O Caso dos Dez Negrinhos, mais conhecido pelo título da edição americana, And then there was none, um dos clássicos muito bem recomendados e que eu ainda não tinha lido (vale lembrar que Agatha Christie ocupa umas duas prateleiras inteiras da biblioteca da Sogipa, de tanto que ela escreveu). Dez hóspedes que não se conhecem são convidados, sob diferentes pretextos, para uma semana de férias na isolada Ilha do Negro e, chegando lá, não encontram os anfitriões. Não vou explicar com detalhes, mas o que acontece é que, durante o primeiro jantar, todos são acusados de assassinato por uma voz misteriosa. São assassinatos que não podem ser levados para a justiça: omissões deliberadas, acidentes irresponsáveis, prática bêbada da medicina etc. Então, um a um, os hóspedes começam a morrer, seguindo a letra da nursery rhyme dos dez negrinhos, pendurada nas paredes de todos os quartos. Os personagens então precisam se unir para tentar sobreviver, mas não conseguem impedir os assassinatos, que parecem impossíveis de terem sido perpetrados, já que não há mais ninguém na ilha. É claro que ficam todos desconfiados uns dos outros – a história se parece com um reality show em que os participantes são literalmente eliminados.


É claro que o mistério é elucidado no final, mas é um final tão absurdamente bizarro e inesperado que, mesmo com as pistas que são dadas ao longo da história, jamais poderia ser adivinhado pelo leitor. Eu acho que a única falha da história é que, ao ler a explicação e descobrir o culpado, a gente não pensa “ah, claro, agora faz sentido!”. Não que não faça, mas é que as pistas são tão poucas que a solução só pode ser narrada pelo próprio assassino, o que tira um pouco a graça. É o único fator que impede que o livro ganhe 5 estrelas na Escala Waick de classificação de obras artísticas. Não que a Agatha Christie se importe, porque ela já está bilionária. E morta.


Assim que cheguei em casa ontem, peguei o meu favorito de todos os livros dela que já li: Os Cinco Porquinhos. Outro título, aliás, oriundo de nursery rhymes, e olha que não são os únicos dois. Admito que ainda não li O assassinato de Roger Ackroyd, que dizem ser a obra-prima da autora, mas, pra mim, Os Cinco Porquinhos é o melhor que ela já fez ou poderia ter feito. Investigando um crime ocorrido dezesseis anos antes, já solucionado e cujo criminoso já havia sido condenado e até morrido, tudo leva o nosso saudoso Poirot a pensar que a assassina havia mesmo sido a esposa. É claro que não foi, porque daí o livro ia ser muito tosco, mas a gente não consegue imaginar que tenha sido nenhum dos outros cinco envolvidos, não só pelas provas contra a condenada, mas pela falta de motivo. O final é genial, muito genial, não vou dizer mais pra não estragar.


Mudando um pouco de assunto, a Bélgica é um país tão sem celebridades que Hercule Poirot foi eleito como o belga mais famoso de todos os tempos. Apesar de fictício, Poirot foi mais votado do que Van Damme, que ninguém sabe que é belga. Além disso, o detetive que aparece em acho que mais de 50 livros da Agatha foi o único personagem fictício a ter recebido um obituário no NY Times, quando da publicação de Cai o Pano.


Mas voltando: assim que chegar em casa hoje, pelas 6h30 da tarde, vou correndo pra biblioteca da Sogipa, que fecha ás 7h, para tirar mais livros dela. A mulher é demais. E eu desafio vocês a, sem olhar no Google, se lembrarem do nome de cinco belgas famosos, podendo incluir o Van Damme e o Poirot. Duvido que consigam. Eu não consegui, pelo menos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Tim Burton

Reclamando de tudo, então vou reclamar do Tim Burton. Mas antes, é preciso deixar claro que eu adoro os filmes dele e acho que o trabalho dele é, na maioria das vezes, genial. Só que eu quero reclamar dele. Mesmo gostando.
Primeiro: ele tem que mudar o visual "gótico" dos filmes dele. Cansou. Deixar, pra variar, que outras pessoas desenhem os prédios, personagens e coisas assim. É sempre bonito, legal, muito tri. Só que é sempre o mesmo! Do primeiro curta dele, passando por Batman, Peixe grande (um dos meus filmes favoritos) e até agora no Alice. Ficar repetindo dá nos nervos.
Segundo: ele tem que se separar da Helena Bonham Carter, sua esposa. Vai dizer, a HBC só sabe interpretar um mesmo personagem, não interessa o filme. Comparem Marla do Clube da Luta com a guria/bruxa do Peixe grande ou a amante do Sweeney Todd: sempre igual com cabelo desarrumado com uma cara de esquizofrênica. Isso, somado ao fato de que o visual dos filmes do Tim Burton é sempre igual, faz com que ela seja sempre a mesma personagem. E cansou muito. Certo que ele só emprega ela porque é forçado a tal. O TB tem que urgentemente chutá-la pra dar um novo ar pros seus filmes.
Terceiro: chega de Johnny Depp. Todo mundo já sabe que ele é um puta ator e que entende como ninguém os personagens criados pela mente mirabolante do Tim Burton. Eles devem ser amantes. Chega de interpretações brilhantes de um mesmo ator. Dá uma chance pra outros, sério. Cansei de atuações geniais.
Cansei de escrever e de criticar o Tim Burton. O meu ponto é que ele tem que tirar umas férias de uns cinco anos pelo menos, porque ele tá se repetindo. Sempre o mesmo visual, sempre a mesma coisa. Se cortarem o Edward Mãos-de-Tesoura para a Fantástica fábrica de chocolate (na cidade, não dentro da dita cuja), não se percebe a diferença e dá pra dizer que é o mesmo filme (visualmente) e isso é válido pra maioria dos filmes dele. Enche o saco. E é sempre uma história surreal, uma coisa bizarra no meio do mundo real. SEMPRE. PORRA, ISSO CANSA!
E o pior é que os filmes são quase sempre muito bons ou ótimos. Então é o bom que tá cansando. Precisa mudar. Tanto é que é o filme "mais diferente" dos outros (Peixe grande) que é o melhor, porque ele utilizou suas melhores características de um jeito diferente do que ele já havia feito (sem o amante e praticamente sem a esposa).

Acho que deu pra entender né.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Resenhas melhores que os filmes - Contatos de Quarto Grau

Enquanto muitas pessoas ficam com receio de assistir a documentários no cinema, esta obra-prima do diretor Olatunde Osunsanmi quebra os paradigmas do gênero ao inserir o espectador em uma dose opressiva de realismo, tornando difícil lembrar-se de que os eventos retratados estão no passado e não dentro da sala de cinema.


Ao utilizar imagens reais de arquivo, corroboradas com a logomarca da Chapman University (cujo departamento jurídico deve estar voltando mais cedo das férias), ao lado de refilmagens dos eventos substituindo a psicóloga Abigail Tyler por uma versão mais jovem e suculenta interpretada por Milla Jovovich, o diretor com nome de ritual canibalístico sem dúvida encontra uma maneira original de retomar o tema do dualismo entre a matéria e o espiritual, de maneira a explorar os dilemas religiosos do homem contemporâneo.


Retratando os eventos ocorridos na cidade de Nome, no Alaska, envolvendo desaparecimentos relacionados a abduções alienígenas, o roteiro consegue criar tensão no público ao inserir defeitos técnicos nas câmeras que filmam as abduções na hora em que elas ocorrem e depois fazendo com que os personagens descrevam o ocorrido, causando um bem construído frio na espinha do espectador.


Outro mérito do roteiro é explorar as fronteiras da narrativa, pegando o elemento conhecido como final aberto e expandindo-o, criando um filme absolutamente aberto, que, colocando à disposição do público elementos desconexos que podem ajudar a solucionar o mistério da trama, não se preocupa em relacioná-los em um todo coerente, criando uma sensação perturbadora que nos leva a refletir sobre a condição humana e sua posição e significância no quadro maior das coisas.


O filme também aborda temas aparentemente externos ao contexto, como a História, apresentando novos fatos sobre o povo sumério que, enterrado e decomposto depois de tantos anos debaixo da terra, deve estar se revirando nos tanques de combustível. Historiadores renomados estão perplexos com a liberação das imagens de arquivo que mostram, com um realismo e proximidade enregelantes, os alienígenas se comunicando na linguagem suméria, o que certamente simboliza as dificuldades de comunicação entre as pessoas em um mundo que força os indivíduos a levar uma vida corrida, em que cada contato é fugaz e superficial.


A complexidade do entrelaçamento entre os temas abordados pela obra é amedrontador, fazendo com que Contatos de Quarto Grau fique relegado a um nicho de cinema cult, longe do apelo popular. Olatunde Osunsanmi explora até mesmo a psicologia, ao retratar de forma tão chocante as disfunções de personalidade dos alienígenas, que, tomados por um complexo de megalomania, afirmam ter criado o mundo e se comparam a Deus, mas, ainda assim, são solitários e carentes, sendo levados a finalmente seqüestrar uma criança apenas para chamar a atenção.


Inovando também na linguagem cinematográfica, o diretor e roteirista coloca os atores para falarem diretamente com o público tanto no início quanto ao final do filme. Longe de parecer forçado ou exagerado, o depoimento da atriz ucraniana, desafiando o espectador a acreditar se tiver coragem e fazendo-o confrontar-se com seus paradigmas pessoais e reavaliar suas crenças mais profundas, certamente será material para reflexão e filosofia das pessoas que saíram aparvalhadas da sala de cinema, em muitas e longas noites sem dormir.