segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Agatha Christie

Quem leu meus últimos posts já sabe que Capão da Canoa não é a primeira escolha para a minha viagem dos sonhos, e, no entanto, lá estava eu, novamente, em mais um final de semana de tédio paralisante. Exceto que dessa vez eu dei carona pra minha avó até a biblioteca, que fica no prédio da Câmara de Vereadores, e resolvi tirar um livro pra mim. Algo pra passar o fim de semana, só, porque eu já estou lendo Guerra e Paz, ainda que muito vagarosamente. Quero ainda dizer que me senti como um jovem delinqüente ao utilizar indevidamente o estacionamento dos vereadores. E nem coloquei o carro em uma vaga, só larguei no meio do caminho, na porta da biblioteca. Muito contraventor. Mas ninguém entrou ou saiu da Câmara no período, então não teve tanta graça. Preciso tentar isso em algum lugar de Porto Alegre. Mas enfim.


A biblioteca de Capão da Canoa, além de ser quase menor que a minha, só possui os livros clichês: básicos da literatura brasileira, Sydney Sheldon, Robin Cook, Danielle Steel, Rosamunde Pilcher, e, é claro, uma grande coleção da Agatha Christie, uma autora que eu não lia desde o Ensino Fundamental.


Agatha foi a primeira autora de mistério que eu li, o que acabou setting the bar tôo high do gênero para mim. Procurei uma tradução para a expressão, mas não achei, sinto muito. Mentira, não sinto nada. Mas depois de ler Agatha Christie a gente não aceita mais aqueles livrinhos paperback com histórias de detetives toscas. Acho que nenhum autor tinha uma mente tão doentia e twisted (ó, de novo) como ela pra criar plots e finais tão inesperados. Não que eu leia muitos romances policiais, mas, dos que eu conheço, só Raymond Chandler chega perto, e por outros motivos.


O livro que eu peguei em Capão foi O Caso dos Dez Negrinhos, mais conhecido pelo título da edição americana, And then there was none, um dos clássicos muito bem recomendados e que eu ainda não tinha lido (vale lembrar que Agatha Christie ocupa umas duas prateleiras inteiras da biblioteca da Sogipa, de tanto que ela escreveu). Dez hóspedes que não se conhecem são convidados, sob diferentes pretextos, para uma semana de férias na isolada Ilha do Negro e, chegando lá, não encontram os anfitriões. Não vou explicar com detalhes, mas o que acontece é que, durante o primeiro jantar, todos são acusados de assassinato por uma voz misteriosa. São assassinatos que não podem ser levados para a justiça: omissões deliberadas, acidentes irresponsáveis, prática bêbada da medicina etc. Então, um a um, os hóspedes começam a morrer, seguindo a letra da nursery rhyme dos dez negrinhos, pendurada nas paredes de todos os quartos. Os personagens então precisam se unir para tentar sobreviver, mas não conseguem impedir os assassinatos, que parecem impossíveis de terem sido perpetrados, já que não há mais ninguém na ilha. É claro que ficam todos desconfiados uns dos outros – a história se parece com um reality show em que os participantes são literalmente eliminados.


É claro que o mistério é elucidado no final, mas é um final tão absurdamente bizarro e inesperado que, mesmo com as pistas que são dadas ao longo da história, jamais poderia ser adivinhado pelo leitor. Eu acho que a única falha da história é que, ao ler a explicação e descobrir o culpado, a gente não pensa “ah, claro, agora faz sentido!”. Não que não faça, mas é que as pistas são tão poucas que a solução só pode ser narrada pelo próprio assassino, o que tira um pouco a graça. É o único fator que impede que o livro ganhe 5 estrelas na Escala Waick de classificação de obras artísticas. Não que a Agatha Christie se importe, porque ela já está bilionária. E morta.


Assim que cheguei em casa ontem, peguei o meu favorito de todos os livros dela que já li: Os Cinco Porquinhos. Outro título, aliás, oriundo de nursery rhymes, e olha que não são os únicos dois. Admito que ainda não li O assassinato de Roger Ackroyd, que dizem ser a obra-prima da autora, mas, pra mim, Os Cinco Porquinhos é o melhor que ela já fez ou poderia ter feito. Investigando um crime ocorrido dezesseis anos antes, já solucionado e cujo criminoso já havia sido condenado e até morrido, tudo leva o nosso saudoso Poirot a pensar que a assassina havia mesmo sido a esposa. É claro que não foi, porque daí o livro ia ser muito tosco, mas a gente não consegue imaginar que tenha sido nenhum dos outros cinco envolvidos, não só pelas provas contra a condenada, mas pela falta de motivo. O final é genial, muito genial, não vou dizer mais pra não estragar.


Mudando um pouco de assunto, a Bélgica é um país tão sem celebridades que Hercule Poirot foi eleito como o belga mais famoso de todos os tempos. Apesar de fictício, Poirot foi mais votado do que Van Damme, que ninguém sabe que é belga. Além disso, o detetive que aparece em acho que mais de 50 livros da Agatha foi o único personagem fictício a ter recebido um obituário no NY Times, quando da publicação de Cai o Pano.


Mas voltando: assim que chegar em casa hoje, pelas 6h30 da tarde, vou correndo pra biblioteca da Sogipa, que fecha ás 7h, para tirar mais livros dela. A mulher é demais. E eu desafio vocês a, sem olhar no Google, se lembrarem do nome de cinco belgas famosos, podendo incluir o Van Damme e o Poirot. Duvido que consigam. Eu não consegui, pelo menos.

14 comentários:

tio_do_buteco disse...

Consegui lembrar de 5 nomes, incluindo os 2 ditos, mas dos outros 3, 1 era um nome que eu por algum motivo sabia que era belga e quando fui ver no google pra confirmar era uma pessoa que eu não faço idéia de como sei que é belga, o outro era um crítico de cinema, mas filho de franceses e já naturalizado brasileiro e o outro era um jogador de futebol, brasileiro naturalizado belga, então chegamos ao concenso de que a Bélgia não tem lá grandes celebridades.

Waick disse...

Audrey Hepburn é a outra que eu conheço. Uma adição de peso.

Bruno Guima disse...

Poirot, Tintin, Van Damme, Hepburn e Sax (o inventor do instrumento).

Bruno Guima disse...

também tem o rei leopoldo. ele é famoso porque era dono do congo. sim, o congo foi propriedade privada dele. :D

arieloliveira disse...

agatha christie é foda

ela escreveu, fazendo uma média de livros e idade, mais de um livro por ano XD

o caso dos dez negrinhos é o melhor livro dela que eu já li!

(e, que eu me lembre, eu li todos os da sogipa já)

se eu não me engano, o magritte era belga. e o cortázar, que nasceu em bruxelas xD

Waick disse...

mas o congo é um péssimo lugar pra se construir uma casa de campo!

Então temos:
1. Poirot
2. Van Damme
3. Hepburn
4. Sax
5. Leopoldo
6, 7 e 8. Pessoas desconhecidas que o Élvio disse.

Waick disse...

No próximo post, lançarei o desafio "Os 5 Famosos de Luxemburgo", expert level.

Bruno Guima disse...

Faltou o Rintintim!

tio_do_buteco disse...

pra acrescentar um nome que descobri agora duma cantora pop q eu jurava ser francesa.
Kate Ryan
e os nomes la de cima era Emile Dupont (medalhista olimpico em tiro que eu nao sei como sabia)
Jean Claude Bernardet (critico de cinema e de janelas naturalizado brasileiro)
e o Oliveira (jogador brasileiro naturalizado belga que jogou a Copa de 98 e talvez a de 2002)
ah e tem um goleiro tambem que tá num ranking de 10 melhores goleiros, acho que serve né Preud Homme ou algo do tipo é o nome.
Esse post devia se chamar Cultura Belga Expandida.

tio_do_buteco disse...

PQP o Vive La Fête é belga tb !!! É um duo de eletropop bem famosinho até.

tio_do_buteco disse...

pow, e tem o Milow que é um cantor novo que alcançou um certo sucesso. Tá, podemos considerar a Bélgica um país com celebridades, topei o desafio de Luxemburgo.

Bruno Guima disse...

Marco Borsato ou Clouseau (talvez os dois, quem sabe), um deles é belga. Cantor de pop. Letras em holandês, por isso que eu tenho no iTunes.

Waick disse...

de onde o élvio tira essa gente?

e jogador de futebol não conta, até porque ele não é realmente belga. naturalizado é tosco. além disso, jogador de futebol, né.

não existem cinco pessoas famosas de luxemburgo, não pode. talvez algum cientista ou coisa assim...

Anônimo disse...

Conheça o blog A Casa Torta, especializado na escritora Agatha Christie, em

http://acasatorta.wordpress.com

Um abraço
Tommy Beresford