quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Resenhas melhores que os filmes - Contatos de Quarto Grau

Enquanto muitas pessoas ficam com receio de assistir a documentários no cinema, esta obra-prima do diretor Olatunde Osunsanmi quebra os paradigmas do gênero ao inserir o espectador em uma dose opressiva de realismo, tornando difícil lembrar-se de que os eventos retratados estão no passado e não dentro da sala de cinema.


Ao utilizar imagens reais de arquivo, corroboradas com a logomarca da Chapman University (cujo departamento jurídico deve estar voltando mais cedo das férias), ao lado de refilmagens dos eventos substituindo a psicóloga Abigail Tyler por uma versão mais jovem e suculenta interpretada por Milla Jovovich, o diretor com nome de ritual canibalístico sem dúvida encontra uma maneira original de retomar o tema do dualismo entre a matéria e o espiritual, de maneira a explorar os dilemas religiosos do homem contemporâneo.


Retratando os eventos ocorridos na cidade de Nome, no Alaska, envolvendo desaparecimentos relacionados a abduções alienígenas, o roteiro consegue criar tensão no público ao inserir defeitos técnicos nas câmeras que filmam as abduções na hora em que elas ocorrem e depois fazendo com que os personagens descrevam o ocorrido, causando um bem construído frio na espinha do espectador.


Outro mérito do roteiro é explorar as fronteiras da narrativa, pegando o elemento conhecido como final aberto e expandindo-o, criando um filme absolutamente aberto, que, colocando à disposição do público elementos desconexos que podem ajudar a solucionar o mistério da trama, não se preocupa em relacioná-los em um todo coerente, criando uma sensação perturbadora que nos leva a refletir sobre a condição humana e sua posição e significância no quadro maior das coisas.


O filme também aborda temas aparentemente externos ao contexto, como a História, apresentando novos fatos sobre o povo sumério que, enterrado e decomposto depois de tantos anos debaixo da terra, deve estar se revirando nos tanques de combustível. Historiadores renomados estão perplexos com a liberação das imagens de arquivo que mostram, com um realismo e proximidade enregelantes, os alienígenas se comunicando na linguagem suméria, o que certamente simboliza as dificuldades de comunicação entre as pessoas em um mundo que força os indivíduos a levar uma vida corrida, em que cada contato é fugaz e superficial.


A complexidade do entrelaçamento entre os temas abordados pela obra é amedrontador, fazendo com que Contatos de Quarto Grau fique relegado a um nicho de cinema cult, longe do apelo popular. Olatunde Osunsanmi explora até mesmo a psicologia, ao retratar de forma tão chocante as disfunções de personalidade dos alienígenas, que, tomados por um complexo de megalomania, afirmam ter criado o mundo e se comparam a Deus, mas, ainda assim, são solitários e carentes, sendo levados a finalmente seqüestrar uma criança apenas para chamar a atenção.


Inovando também na linguagem cinematográfica, o diretor e roteirista coloca os atores para falarem diretamente com o público tanto no início quanto ao final do filme. Longe de parecer forçado ou exagerado, o depoimento da atriz ucraniana, desafiando o espectador a acreditar se tiver coragem e fazendo-o confrontar-se com seus paradigmas pessoais e reavaliar suas crenças mais profundas, certamente será material para reflexão e filosofia das pessoas que saíram aparvalhadas da sala de cinema, em muitas e longas noites sem dormir.



2 comentários:

The Eldar disse...

.... NOT!

arieloliveira disse...

HAHAHAHAHA!

SEM PALAVRAS!

eu tava seriamente pensando "WTF?"

daí vem o leonard no fim e eu não consigo parar de rir por uns bons cinco minutos XDDDD