terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sem luz

As crianças de hoje jamais terão a experiência de um blecaute. Hoje, já não é mais a mesma coisa do que quando eu era pequeno, e eu não sou tão velho assim. Hoje faltou luz aqui em casa, a tarde toda. Caiu ao meio dia, voltou às quatro da tarde, e, nem meia hora depois, caiu de novo.


(abre parenteses)


Aproveito pra reclamar da CEEE, que levou quatro horas pra vir até a esquina de casa apertar um botão pra ligar o transformador, conseguiu fazer errado e levar mais quatro horas pra arrumar de novo.


(fecha parenteses)


Daí eu me lembro que, até poucos anos atrás, quando faltava luz, a única opção era ler, se por sorte fosse dia. À noite, acendiam-se velas, porque as lanternas nunca tinham pilha. E não eram velas comuns, porque dessas a gente nunca acha em casa. Eram velas de natal, de aniversário, de cheiro, de macumba, qualquer coisa que aparecesse, e sempre colocadas em cima de uma louça de porcelana ou vidro. Mesmo assim, eu nunca vi muito sentido em acender as velas, porque não é como se desse pra fazer alguma coisa com elas. No meu tempo, quando faltava luz de noite, a gente ia dormir.


Hoje, nem tem mais nada disso. Dá última vez que faltou luz, eu passei a tarde vendo House no notebook. Não bastasse isso, a internet 3G permite que as pessoas fiquem postando coisas como “faltou luz, não encontro velas” ou “OMG to sem microondas como que vou tomar meu toddy” no twitter. Pra essas pessoas, eu digo que pegue uma frigideira, esquente leite até ficar quente ao toque (sim, leite na frigideira, é assim mesmo) e adicionem o chocolate. Chocolate de verdade, ralado, meio-amargo. Aí é só misturar devagar em fogo baixo até o chocolate derreter e se misturar completamente. A única coisa chata é depois passar pra uma caneca. Quem for fresco pode colocar açúcar, mas fica melhor sem.


Mas acho que fugi um pouco do assunto. Voltando às velas, hoje são desnecessárias. Celulares e ipods iluminam muito mais, duram mais, e o iphone inclusive tem um app que é só uma tela branca bem iluminada pra servir de lanterna (tem o botão do strobe também, que faz a tela piscar pra quem quer fazer uma rave dentro de casa).


Mas daí hoje eu decidi não passar a tarde no computador vendo House, e fiquei lendo. Que era o que eu ia fazer se tivesse luz, maaaaaaaas, eu li sem a luz de leitura, o que já nos leva quase para o estilo de vida do século XIX. E eu fiz comida também! Sem luz! Sem microondas! Sem gosto! Tá, eu fiz massa com feijão. Porque o feijão era a única coisa que tinha pronta na geladeira. Maaaaaaaaaaaaas eu esquentei em uma panela, e não no microondas. Fiz pipoca de panela também; não que eu costume fazer no microondas, mas a panela de pipoca tava com um parafuso perdido e não dava pra usar, então eu fiz numa panela com tampa de vidro pra ver a pipoca estourando. E nem queimei as do fundo, vê só.


Daí eu ia continuar escrevendo sobre como às vezes é legal tentar passar o dia sem internet e eletricidade – NÃO que eu seja um daqueles hippies que gostariam de viver no mato e vender artesanato na redenção, que eu tenho até twitter e facebook. Mas daí eu fiquei com preguiça, acho que vou ver um filme. Ou House, talvez. Auf Wiedersehen!

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