segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O fascínio do nazismo

Daí ontem eu estava ouvindo um episódio do podcast Dan Carlin’s Hardcore History (tem no iTunes, procurem lá), que eu tinha baixado há muito tempo e ainda não tinha nem olhado. O episódio que eu resolvi ouvir era sobre o nazismo, mas não sobre os fatos e sobre as políticas e a guerra, mas sobre o fascínio que nós temos até hoje com o que aconteceu.

Como se explica que ainda existam tantos livros e filmes lançados todos os anos sobre o nazismo? Não que o assunto não seja importante, mas basta pensarmos em outros ditadores para percebermos que Hitler é a Susan Boyle da extrema direito do século XX. Quer dizer, Stalin também era um ditador maluco, que também governava uma grande potência, que também invadiu a Polônia, que também mandou matar milhões de cidadãos do seu próprio país e que, ainda por cima, tinha um bigode muito mais estiloso do que o do Hitler. Assim como a Alemanha nazista construía sua identidade baseada nas obras do período romântico alemão e nas construções megalomaníacas de Albert Speer, a União Soviética também tinha sua estética, tão “boa” quanto a dos alemães – os cartazes de propaganda soviéticos são fantásticos. Mas basta entrar numa livraria ou numa locadora para perceber que Stalin jamais ganharia de Hitler em um paredão do Big Brother. Hitler é muito mais fascinante do que Stalin ou Mussolini, e gera mais interesse do que ditadores atuais, como Kim Jong Il. Por quê?

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Aí o podcast tenta explicar as razões pelas quais existe ainda tanto interesse pelo nazismo, e o cara argumenta que essas razões são as mesmas que levaram Hitler ao poder na época: Hitler não era um ditador que explorava ideologias absurdas como ferramenta política para se manter no poder; ele realmente acreditava no que dizia. Fidel Castro, por exemplo, subiu ao poder em 1964 e ser agarrou a ele por décadas, e, em algum ponto deve ter se convencido de que o troço não tinha dado certo. Mas ele continua falando por oito horas seguidas sobre La groriosa revolución de Cuba, blablablablablabla Whiskas Sachê. Também ninguém acredita que Chávez acredite que o terremoto do Haiti foi causado por testes da marinha americana (ele disse isso, juro!). Mas Hitler não, ele acreditava nos absurdos que ele dizia e, mais do que isso, ele conseguiu convencer os outros.

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Porque, ao contrário de outros ditadores com bigodes peculiares, Hitler era carismático e, além disso, ele conseguiu mobilizar o povo através do sentimento dos alemães da época. Os alemães estavam envergonhados porque acreditavam que nunca tinham realmente perdido a primeira guerra, já que grande parta do exército tinha voltado ilesa depois do armistício, e também porque o Tratado de Versalhes era humilhante e impedia o desenvolvimento militar e econômico do país. Mais do que explorar esses sentimentos em benefício próprio, Hitler concordava com isso e acreditava que, depois da fuga do Kaiser, o governo democrata, composto por judeus e comunistas, tinha entregado o país para a França de propósito.

Hitler escreveu um livro que classificava as etnias em uma escala de mérito e defendia que a miscigenação era o que estava impedindo a Alemanha de ser uma potência, publicou esse livro e defendia abertamente essas idéias antes de subir ao poder. Não dá nem pra dizer que ele enganou o povo, que ninguém esperava por aquilo. E ainda assim o cara conseguiu apoio popular.

E o carisma do Hitler era tão grande que até hoje, ainda que a receita tenha se provado um desastre catastrófico pra Alemanha e pro mundo, ele ainda tem seguidores! Daqui a quinhentos anos, Hitler ainda será a segunda figura mais discutida da história, logo depois do The What.

E eu acho que daqui a um tempo eu vou fazer um post só com os cartazes soviéticos. Muito tri.

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2 comentários:

tio_do_buteco disse...

Faltou a nota de rodapé. Rodrigo Waick é ex-aluno do Colégio Pastor Dohms.

Waick disse...

Não vejo a relação =P