terça-feira, 30 de março de 2010

Mundo Estranho

Ontem, eu vi um mendigo que ganhou na loteria. Sim, verdade, juro. Eu estava passeando com o Snow (pra quem não sabe, uma fera canina, corajosa e sanguinária), e, sentado na calçada do lado de um mercadinho, estava o dito mendigo, devidamente alcoolizado, com uma pilha de dinheiro jogada no chão do lado dele. Os donos do mercadinho tentavam convencê-lo a guardar o dinheiro, que ele aparentemente tinha ganho em uma raspadinha, sem sucesso: ele chamava os transeuntes para mostrar o monte de dinheiro atirado na sarjeta.

Mais tarde, eu li o manual de instruções de uma panela. Não qualquer panela, no sir, mas uma panela de pressão tão complicada que acompanha um manual de mais de 200 páginas, em sete línguas diferentes, com instruções de uso, procedimentos de segurança, figuras e infográficos. Ela tem duas opções de pressão, indica a temperatura interna e, vazia, deve ser mais pesada que eu.

Se já não tivesse sido um dia estranho o suficiente, eu vi uma loja dedicada apenas à patinação. Não era uma loja dedicada à patinação e a outros esportes. Não era uma loja pequena. Não era uma loja dedicada a crianças, com rollers da Barbie. Não. Em plena Porto Alegre, uma loja enorme, dedicada apenas à patinação profissional, com patins tradicionais e toda a gama de vestimentas e acessórios para patinação.

E nada a ver com nada, mas queria postar isso de noite e a minha internet não estava funcionando. Não são sete da manhã ainda e eu estou aqui escrevendo. ISSO sim que é estranho.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Guilty Unpleasures

Meu último post foi sobre como ateus sofrem mais preconceitos do que outras minorias, com o plus de não estarem organizados em entidades ou grupos de influência. Daí eu pensei que, assim como as pessoas te olham assustadas quando tu diz que não acredita que trabalhar aos domingos é um pecado mortal que conduz diretamente ao mármore ardente dos infernos, existe uma tonelada de outras coisas cuja não aceitação causa pelo menos um olhar torto.

Não falo de coisas sérias, mas mais de bobagens do dia-a-dia. Lady Gaga, por exemplo. Simplesmente não dá pra entender. Só porque a mulher aparece com roupas extravagantes em premiações e coloca insinuações sexuais em tudo o que faz, ela é vista como uma artista subversiva e revolucionária. As músicas dela são o pop mais óbvio e sem vergonha, com refrões grudentos e letras genéricas sobre sexo. Ela é basicamente um update da Britney Spears. É música pra dançar, ou pra ouvir no carro, mas é vergonhoso que exista gente que a considere um ícone da música atual.

Outra coisa que eu não entendo são as pessoas que consideram a Angelina Jolie como a mulher mais bonita do mundo (ou a Megan Fox, que eu acho que é a musa do momento). Sem nem entrar no mérito da boca gigante, é uma beleza de medicina, maquiagem e Photoshop. Eu poderia citar umas 5 ou 10 mais bonitas do que ela, só entre quem eu conheço pessoalmente. E olha que eu nem conheço muita gente. Daí quando eu digo que não acho a Angelina grandes coisas, as pessoas perguntam se eu sou gay.

Outra coisa engraçada é ver a reação das pessoas quando tu diz que O Código da Vinci é um fracasso como literatura e uma piada enquanto romance histórico, sem nem entrar na discussão sobre a adaptação pro cinema.

Tem outro que, apesar de não ser uma opinião mainstream, vai me render xingamento de certas pessoas, incluindo um dos nossos colaboradores: O Senhor dos Anéis, apesar de ser muito legal como fantasia e de ter sido adaptado pro cinema em obras que realmente valem as doze horas das versões estendidas, não entraria jamais em uma top 10 da literatura universal, independentemente dos critérios escolhidos.

Verão, então! É só dizer que não gosta de calor, sol e praia que as pessoas já começam a achar que tu é um vampiro.

Outras coisas que as pessoas me olham estranho quando eu digo que não gosto: U2 (pop rock genérico e chato), festas (a idéia de ficar em um ambiente superlotado, fedendo a cigarro e perdendo a audição com música horrosa e gostar é uma coisa que eu não consigo entender), Seinfeld (não é engraçado), bacon (não é ruim, mas é dispensável), Guaraná (?), vodka (pura ou misturada), motos (não que eu tenha algo contra, mas é um pouco suscetível demais ao clima pro meu gosto), the Sims (chato), Coldplay (todas as músicas são iguais), morango, montanha russa, futebol, chiclete, Dostoyevsky, telefone, maionese, etc.

Ao contrário do conteúdo geral do blog, essas não são coisas que eu acho que não deveriam existir, nem nada assim, mas só coisas das quais é estranho e quase embaraçoso não gostar. Tipo, o contrário de guilty pleasures. Hãn, hãn?, entenderam o título do post?

domingo, 14 de março de 2010

Matérias Dispensáveis na Faculdade: Amoralidades

Admito que estou sob a influência de um péssimo humor e com uma raiva irritante de um professor de ética empresarial que, frustrado pelo fato de ensinar uma disciplina totalmente dispensável e desprezada academicamente pelos alunos e outros professores do curso, simplesmente resolveu ignorar qualquer bom-senso na hora de elaborar o cronograma da disciplina.

Olha que ridículo: são DOIS créditos por semana, e eu tenho que fazer uma resenha de um livro de ética (mesmo que não seja nem remotamente relacionado à Administração de Empresas) que tenha de três a seis páginas (isso infelizmente pressupõe que eu vá ler um livro inteiro de ética durante o
semestre, rá), mais um trabalho em grupo - envolvendo uma empresa e uma pesquisa, no mínimo, extensa - de cinco páginas e ainda trabalhos semanais IMPOSSÍVEIS de serem completados durante o período de aula, pois são dados nos últimos 15 minutos e devem ser "obrigatoriamente" realizados com base em livros de filósofos que, guess what, encontram-se na biblioteca. Claro que, quando ele dá as instruções, já são 22:30, e ir até lá implicaria uma viagem de, no mínimo, 5 minutos através do campus, sendo que a biblioteca fecha às 22:45. Não que passe pela cabeça do professor a idéia de dar meios em aula para que os alunos completem os trabalhos...

A quem possa ler esse post e pensar que eu sou uma preguiçosa, explico: eu pago pra ter essa cadeira. E não é nada barato. Não posso me formar sem cursá-la, bem como Humanismo e Cultura Religiosa. Acontece que são matérias que não agregam nada, profissionalmente falando, não importa o que quem vê de fora possa pensar. E eu não tenho tempo sobrando pra desperdiçar com algo que mais atrasa do que ajuda. A cadeira de cultura religiosa, por exemplo. O professor passa a aula inteira falando sobre como orientar toda a tua vida pro lucro é algo ruim e abominável, e que a pessoa que não dedica sua vida a algum objetivo humanitário vai ser infeliz e desprovida de alma. Ok. Saindo dessa aula, vou direto pra cadeira de orçamento empresarial. Qual a fala do professor lá? "Como vocês sabem, o lucro é algo que gera prazer, via de regra faz as pessoas se sentirem melhores. A nossa cadeira é orientada para que possamos, da maneira mais inteligente possível, agregar um maior lucro às empresas e à nossa vida pessoal". WTF?

Bom, pelo menos isso PARECE um administrador de empresas falando, já que esse é, por princípio lógico, o papel de uma administração eficaz em qualquer empresa. Se o Jorge Johannpeter passar a dizer que a vida voltada ao lucro é desperdício, acho que todo mundo sabe as providência que seriam tomadas pela diretoria da Gerdau.

Até porque, a mim parece óbvio que um estudante não-ético jamais vai sê-lo por conta de uma cadeira tão superficial. "Ah, professor, agora que o Sr. mencionou que desviar fundos é moralmente incorreto, vou me corrigir imediatamente! Papai vai ficar decepcionado quando perceber que vou parar de ferrar a empresa do titio pela costas, mas vou explicar pra ele sobre a Ética de Sócrates e a Teoria da Caverna de Platão e o grande Unicórnio Rosa, criador do universo, e tudo vai ficar bem!". Poupe-me.


Não me levem a mal: adoro estudar filosofia, é um assunto fascinante. Mas não quero que isso comece a atrasar a minha vida acadêmica: eu estudo, estagio, e ainda gosto de desenvolver alguns projetos paralelos, como fazer cursos aos sábados, e, quem sabe, até mesmo ir ao cinema no domingo de noite, ou ler um romance policial (!!!!!).

Enfim, finalizo o post dizendo que consegui, num esforço descomunal, fazer o trabalho acumulado da semana passada. Claro que o tempo que eu levei pra escrever esse post poderia ter sido empregado para a realizaçao de mais trabalhos mas, por ora, me sinto saturada. Bom, a quem interessar possa, faltam "apenas" mais a resenha do livro e o do fim do semestre. Claro, isso sem contar os outros 4 trabalhos que tenho que desenvolver para as cadeiras que REALMENTE importam e visam me tornar uma profissional competente. Felizmente, ética eu trago de casa.