quarta-feira, 3 de março de 2010

Pteromechanophobia

O sujeito aperta o passo. Abaixa a cabeça, escondendo-a entre a gola do sobretudo e as largas abas do chapéu de feltro. Ele tem quase certeza de que está sendo seguido – várias vezes, havia visto uma roda, uma janela, um nariz se escondendo rapidamente atrás de uma coluna, nas sombras de uma esquina.

Por vários meses esteve sob vigilância constante. Na rua, no ônibus, no supermercado, na cozinha. No banho. Sempre ali, sempre observando, com sua presença ao mesmo tempo discreta e intimidadora.

Não que tivesse algo a esconder. O que mais o angustiava era não saber por que estava sendo seguindo. Onde quer que ele fosse. Ao escritório, ao banco, à casa da mãe. Inquestionavelmente. Infalivelmente. Sempre ele, espreitando maliciosamente, como um membro de uma polícia secreta, o sombrio e infalível Boeing 747, atrás de todo poste, na curva de cada esquina, coberto por cada sombra. Onde quer que ele fosse, um Boeing 747.

747a  747c 747b