domingo, 11 de abril de 2010

Wuthering Heights

Melhor história de vingança. Ever. Sério.

Ok, começando pelo princípio: Wuthering Heights é o único romance publicado pela Emily Brontë, e os tradutores de Sessão da Tarde que a gente tem por aqui acharam que O Morro dos Ventos Uivantes seria um bom título. Ok que o título é difícil de traduzir, mas, né?

Enfim, o livro conta a história de Heathcliff, um órfão adotado por uma família rica que, após a morte do seu benfeitor, é maltratado por seus descendentes e amigos, com a exceção de sua irmã adotiva. Ele é é apaixonado por Catherine, e ela por ele, mas ela acaba se casando com Edgar Linton, o herdeiro rico da família vizinha.

Entra aqui uma breve explicação: Wuthering Heights é o nome da propriedade onde Heathcliff e Catherine vivem, e Edgar e sua irmã Isabella vivem na propriedade vizinha, Thrushcross Grange, ambas semi-isoladas do mundo.

O fato é que, depois que Catherine se casa com Edgar, Heathcliff foge e só retorna anos depois, quando sua amada está para morrer. Antes de partir, ele havia jurado vingança contra todos os que o haviam maltratado, e principalmente contra os que ele julgava responsável pela morte de Catherine.

Eu não vou dar muitos detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas a vingança de Heathcliff é tão mirabolante e esmagadora que não dá pra descrever brevemente. O personagem é quase uma mistura da maldade do Sauron com a genialidade manipuladora do Cartman. O fato é que não só ele atormenta todos os seus desafetos até a morte deles, ele trama pra se apropriar tanto de Wuthering Heights quanto de Thrushcross Grange, e depois continua torturando e infernizando os descendentes dos desafetos, que são colocados pra trabalhar como empregados nas terras que eram dos seus pais.

Wuthering Heights foi votado em uma pesquisa que eu não me lembro se era do Telegraph ou do Guardian como a melhor história de amor, à frente de Pride and Prejudice, Romeu e Julieta e Jane Eyre. Apesar de ser mau além da possibilidade de descrição, Heathcliff passa a vida inteiro obcecado por Catherine, acreditando que seu espírito ainda esteja perto dele, e vou parar de escrever pra não estragar a história pra ninguém.

Vale a pena ler. Sério. E o que é melhor, a edição vagabunda em inglês custa só R$ 7 na Cultura.

sábado, 3 de abril de 2010

The US vs John Lennon

Então o Arteplex decidiu exibir esse documentário de 2006, do qual eu nunca tinha ouvido falar, e que resolvi assistir só porque, né, John Lennon, e os filmes que tão no cinema agora ou parecem ser chatos, ou eu já vi, ou ainda ambos.

A proposta do filme é contar a história da batalha judicial entre John Lennon e a imigração americana, que queria deportá-lo dos EUA. Por um lado, parece que falta um pouco de foco ao documentário, no sentido de que o filme parecia mais um emaranhado de cenas isoladas exibidas em seqüência. Por outro, nos mostra um lado que hoje é pouco lembrado do John, e, principalmente, contextualiza episódios famosos envolvendo o ex-Beatle.

John e Yoko ficaram famosos nos anos 70 pelos protestos pela paz, e protagonizaram episódios como a Bed In Week, onde ambos passaram uma semana na cama em favor da paz, dando entrevistas pra jornalistas que achavam que eles eram loucos. E contando assim, parecem mesmo, quer dizer, passaram uma semana na cama pela paz, hm…

E é aí que está o mérito do filme: o documentário explica a tensão nos EUA durante a guerra do Vietnã, que realmente dividiu a população americana, em um ambiente que ainda estava sendo agitado por movimentos como os Black Panthers. Enquanto Lennon estava vivendo em NY, o país se dividia entre os conservadores, liderados por Nixon, que buscava a reeleição, e os jovens que protestavam contra a guerra e contra a repressão violenta a manifestações pacíficas.

Ao contrário de outros músicos que cantavam contra a guerra, John Lennon usava toda a sua influência e dinheiro para pedir o fim da guerra no Vietnã. Ao contrário de bandas como os Rolling Stones, que cantavam as músicas, ganhavam dinheiro e iam pra casa, o John fazia amizade com líderes revolucionários, promovia passeatas e shows contra o governo Nixon, que realmente começou a se irritar.

Então o filme conta a história de Bob Sinclair, que recebeu pena de mais de nove anos de prisão de segurança máxima por ter oferecido dois baseados a uma policial undercover. Vários artistas, incluindo Lennon, fizeram manifestações e um grande show pedindo a libertação de Sinclair e, um dia depois, conseguiram. Foi aí que o governo Nixon viu a influência do John, e resolveu tomar medidas pra tirá-lo do país, sob falsos pretextos. O advogado do casal Lennon, que deu entrevistas para o documentário, fazia apelação atrás de apelação e prorrogou a deportação por um bom tempo. Quando Nixon conseguiu se reeleger, o governo perdeu o interesse pelas atividades de Lennon, mas o advogado ainda levou dois anos pra vencer o processo contra o departamento de imigração.

Apesar de se focam em John Lennon, o documentário mostra a atmosfera da época, em que o FBI de J. Edgar Hoover tratava pacifistas como inimigos de estado, seguindo-os abertamente pelas ruas e grampeando ilegalmente os telefones, como depois ficou provado que Nixon sabia. Mas também, o Nixon acabou ficando famoso por saber um monte de coisas ilegais…

Mas é incrível a gente perceber que a influência de uma só pessoa pôde deixar o governo americano se borrando de medo, e também o nível de paranóia dos conservadores, tratando pacifistas como inimigos perigosos.

Para que conhece e gosta do trabalho solo do John Lennon, ou pra quem se interessa pela história da época, o filme é muito interessante e vale a pena ser visto, apesar de algumas limitações. A contextualização da época nos dá um melhor entendimento da obra solo de John, inclusive dando um sentido a músicas como Power to the People e Give Peace a Chance, que foi composta apenas pra ser o slogan de uma manifestação em Washington, e que, hoje, solta em compilações, parece um deslize imperdoável pra quem costuma escrever músicas tão boas.

O filme me inspirou pra rever o Anthology dos Beatles, que somam umas doze horas sobre a história da banda, e sobre o qual eu vou postar quando terminar de ver os cinco DVDs.