sábado, 3 de abril de 2010

The US vs John Lennon

Então o Arteplex decidiu exibir esse documentário de 2006, do qual eu nunca tinha ouvido falar, e que resolvi assistir só porque, né, John Lennon, e os filmes que tão no cinema agora ou parecem ser chatos, ou eu já vi, ou ainda ambos.

A proposta do filme é contar a história da batalha judicial entre John Lennon e a imigração americana, que queria deportá-lo dos EUA. Por um lado, parece que falta um pouco de foco ao documentário, no sentido de que o filme parecia mais um emaranhado de cenas isoladas exibidas em seqüência. Por outro, nos mostra um lado que hoje é pouco lembrado do John, e, principalmente, contextualiza episódios famosos envolvendo o ex-Beatle.

John e Yoko ficaram famosos nos anos 70 pelos protestos pela paz, e protagonizaram episódios como a Bed In Week, onde ambos passaram uma semana na cama em favor da paz, dando entrevistas pra jornalistas que achavam que eles eram loucos. E contando assim, parecem mesmo, quer dizer, passaram uma semana na cama pela paz, hm…

E é aí que está o mérito do filme: o documentário explica a tensão nos EUA durante a guerra do Vietnã, que realmente dividiu a população americana, em um ambiente que ainda estava sendo agitado por movimentos como os Black Panthers. Enquanto Lennon estava vivendo em NY, o país se dividia entre os conservadores, liderados por Nixon, que buscava a reeleição, e os jovens que protestavam contra a guerra e contra a repressão violenta a manifestações pacíficas.

Ao contrário de outros músicos que cantavam contra a guerra, John Lennon usava toda a sua influência e dinheiro para pedir o fim da guerra no Vietnã. Ao contrário de bandas como os Rolling Stones, que cantavam as músicas, ganhavam dinheiro e iam pra casa, o John fazia amizade com líderes revolucionários, promovia passeatas e shows contra o governo Nixon, que realmente começou a se irritar.

Então o filme conta a história de Bob Sinclair, que recebeu pena de mais de nove anos de prisão de segurança máxima por ter oferecido dois baseados a uma policial undercover. Vários artistas, incluindo Lennon, fizeram manifestações e um grande show pedindo a libertação de Sinclair e, um dia depois, conseguiram. Foi aí que o governo Nixon viu a influência do John, e resolveu tomar medidas pra tirá-lo do país, sob falsos pretextos. O advogado do casal Lennon, que deu entrevistas para o documentário, fazia apelação atrás de apelação e prorrogou a deportação por um bom tempo. Quando Nixon conseguiu se reeleger, o governo perdeu o interesse pelas atividades de Lennon, mas o advogado ainda levou dois anos pra vencer o processo contra o departamento de imigração.

Apesar de se focam em John Lennon, o documentário mostra a atmosfera da época, em que o FBI de J. Edgar Hoover tratava pacifistas como inimigos de estado, seguindo-os abertamente pelas ruas e grampeando ilegalmente os telefones, como depois ficou provado que Nixon sabia. Mas também, o Nixon acabou ficando famoso por saber um monte de coisas ilegais…

Mas é incrível a gente perceber que a influência de uma só pessoa pôde deixar o governo americano se borrando de medo, e também o nível de paranóia dos conservadores, tratando pacifistas como inimigos perigosos.

Para que conhece e gosta do trabalho solo do John Lennon, ou pra quem se interessa pela história da época, o filme é muito interessante e vale a pena ser visto, apesar de algumas limitações. A contextualização da época nos dá um melhor entendimento da obra solo de John, inclusive dando um sentido a músicas como Power to the People e Give Peace a Chance, que foi composta apenas pra ser o slogan de uma manifestação em Washington, e que, hoje, solta em compilações, parece um deslize imperdoável pra quem costuma escrever músicas tão boas.

O filme me inspirou pra rever o Anthology dos Beatles, que somam umas doze horas sobre a história da banda, e sobre o qual eu vou postar quando terminar de ver os cinco DVDs.

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