sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A State of Mind

Assisti hoje um documentário fantástico, tão bom que até resolvi comentar aqui depois de alguns meses sem postar nada. O nome é A State of Mind (o mesmo título do post, pra quem não estava atento), e mostra a vida na Coréia do Norte, filmada por estrangeiros, e não pelo governo.

A State of Mind (2004)

O filme segue a vida de duas garotas, de 11 e 13 anos, e de suas famílias na preparação para o Mass Games, um gigantesco festival coreografado em homenagem ao país e aos líderes. As duas meninas, cujos nomes eu jamais vou conseguir lembrar, não são amostras representativas do povo norte coreano. Pra começar, elas vivem na capital Pyongyang, o que já é considerado um privilégio, já que a cidade, com dois milhões de habitantes, é menos miserável do que o resto do país (eles não usaram essa expressão, mas…). As duas fazem parte de uma elite de crianças com talento para participar das complexas coreografias dos Mass Games, e treinam durante várias horas por dia, após a escola. Uma delas, por seu desempenho excepcional em uma apresentação anterior, havia ganho do Estado uma televisão. Com apenas um canal estatal que só transmite durante cinco horas por dia, possuir a televisão é um enorme privilégio.

Ao contrário do que eu pensei antes de assistir, o filme não foca no fato de o governo norte-coreano ser completamente fora da casinha, mas na vida e nos valores dos habitantes do país. Que eles acreditam que Kim Jong Il é um grande líder que trabalha incansavelmente pelo bem do povo não é novidade, mas é impressionante o espírito de coletividade dos norte-coreanos. O governo prega – e os cidadão praticam – a entrega total do indivíduo à coletividade, e os Mass Games são a demonstração máxima deste estado de espírito. As imagens são impressionantes: são milhares de pessoas ocupando toda a arena de um estádio e mais as arquibancadas, executando sem erros coreografias complicadíssimas, resultado de meses de treinamento. Estima-se que para a preparação de um só destes festivais tenham sido gastos 200 milhões de horas-homem.

As famílias retratadas entendem a importância de desenvolver o espírito coletivo nos seus filhos, e por isso apóiam a participação no festival. A irmã mais velha de uma das meninas estava indo embora aos dezoito anos para servir no exército, e era o orgulho da família. As privações são enfrentadas com plena confiança de que o governo está fazendo tudo o que pode para auxiliar o povo, que acredita piamente que o resto do mundo respeita e admira Kim Jong Il como um grande líder.

O documentário não trata de relações internacionais, política, ou da insanidade do regime fechado norte-coreano. No lugar disso, é uma oportunidade única (literalmente, pois não existe outro registro em filme da vida no país feito por estrangeiros) de enxergar o mundo pelos olhos de pessoas que vivem em uma realidade tão drasticamente diferente da nossa – e que não estão dispostas a trocar com a gente.

Eu pensei em disponibilizar o filme pra baixar aqui mesmo, mas o arquivo é enorme, e eu imagino que todo mundo que lê isso aqui me conhece pessoalmente, então é só pedir. Abaixo, algumas imagens:

image

 

 

 

 

 

 

 

 

A bandeira ao fundo ocupa toda a lateral de um estádio, e é formada por crianças segurando livros com páginas coloridas. As imagens mudam conforme eles viram as páginas, e a disciplina é tanta que algumas imagens se movem como se fossem um filme.

 

image

Os vídeos são muito mais impressionantes do que as imagens.

 

image

Um comentário:

Anônimo disse...

parece bom

ninguém atualiza essa birosca