sábado, 16 de outubro de 2010

Cow Parade

Daí, caso alguém viva em outro mundo, chegou em Porto Alegre a Cow Parade, exposição em que manequins de vacas são pintados e modificados por artistas locais e distribuídos pela cidade. A proposta é a “interação com a comunidade”, no sentido de que as vacas estão ali, e as pessoas olham, interagindo loucamente.

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Eu já tinha visto a Cow Parade em São Paulo e no Rio, uns anos atrás, e, apesar de algumas das obras serem bonitas, não achei nada demais. Quer dizer, não é como se houvesse uma grande proposta artística por trás da mostra. É mais algo como: “Aê, galera, vamos pintar as vacas e largar pela cidade”. Nada contra, é divertido e algumas das vacas são legais e tal, mas né.

Mas daí eu vi algumas vacas daqui de Porto Alegre. Temos várias obras impactantes, com propostas conceituais e inovadoras como: a vaca da Coca-Cola; a vaca da Zero-Hora; a vaca da DCS; a vaca da Mu-Mu; a vaca do Inter; a vaca da rádio Guaíba. Não tenho nada contra essas marcas,. inclusive, viciado em Coca-Cola que sou, até aprecio algumas. Mas daí a montar uma mostra de “arte” e deixar que as peças sejam feitas por empresas, sem qualquer critério, é outra história.

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E os artistas locais, onde estão? Porque essas vacas corporativas nem ao menos são feitas pelo pessoal daqui, elas são feitas por estúdios de design. Elas não possuem nenhuma proposta além da pura e simples propaganda. Tá que eu sou publicitário, ou quase, mas vamos chamar as coisas pelos nomes, né? A vaca da DCS tem uma juba de leão, e é intitulada Vacannes, em referência ao prêmio de Cannes, cujo símbolo é um leão. Ela é toda cinza.

Sem mais.

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Pictured above: Cow-art.