segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Campanha da ATEA

Se vocês não vivem em Marte, já devem ter ouvido falar que uma tal de ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – não me perguntem como eles chegaram na sigla) planejava fazer uma campanha publicitária para combater o preconceito a ateus. Pros que vivem em Marte, a campanha é baseada em uma semelhante que aconteceu em Londres, com a participação do Dawkins e tudo:

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Pictured above: Satan.

Em seu site, a ATEA diz que o objetivo da campanha não é fazer uma “desconverssão em massa”, mas sim diminuir o preconceito contra ateus, o que é uma ótima idéia. Mesmo assim, ninguém precisa ser publicitário pra perceber que as peças que eles pretendiam veicular não só são de um mau gosto terrível, mas também não têm nada a ver com o objetivo proposto.

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Sério, olhem as peças. Olhem. A do World Trade Center deixa implícito que a religião islâmica como um todo (e não só alguns malucos) são responsáveis pelos atentados de 11 de setembro. Basicamente, o que a peça diz é que a crença de mais de um bilhão de pessoas é reponsável pelos atentados terroristas, e não só uns poucos desajustados. É inacreditável que uma organização que queira combater o preconceito queira veicular uma peça assim.

A peça do canto inferior esquerdo, com os dizeres “A fé não dá respostas. Só impede perguntas” é um ataque direto às religiões. É uma mensagem que em nenhum momento tenta combater o preconceito. Ao invés disso, faz exatamente o que a ATEA disse que não queria fazer: desconverter as pessoas. Concordar ou não com o argumento proposto é irrelevante: essa peça prega exatamente o oposto da tolerância.

É vergonhoso que uma associação que luta contra o preconceito religioso tente fazer uma campanha atacando religiões. Eu sei que provavelmente a intenção deles foi boa, mas é difícil acreditar que, em determinado momento, alguém achou que vincular a religião ao Hitler era uma boa idéia para que os religiosos passassem a respeitar os ateus. Em um escritório, participantes de uma reunião concluíram que comparar a religião a uma prisão daria uma excelente peça contra o preconceito religioso.

Por mais que eu tenha nojo dessa censura que não deixou as peças serem veiculadas, eu não consigo evitar sentir um pouco de alívio por essa campanha não ter ido pras ruas. Qualquer indivíduo com meio cérebro pode perceber que o resultado direto disso seria um aumento do preconceito contra ateus. Profissionalmente, essa campanha é fruto de uma incompetência quase sem precedentes. Pessoalmente, eu sinto vergonha pelo fato de uma associação que supostamente me representa tentar fazer uma campanha dessa maneira. É uma pena que uma idéia tão boa e necessária tenha terminado assim.