quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mais um texto sobre o Steve Jobs, nem leiam.


Ok, está todo mundo falando do Steve Jobs, como ele mudou tudo e blá blá blá, mas a história dele e da Apple é tão mais interessante do que o que tá saindo nos jornais e na TV. Eu só escuto falar do iPhone e do iPad e do iPod, mas a maioria das pessoas não tem noção de como ele mudou tudo o que veio antes, e que a minha geração nem sabe, porque nem tinha nascido.

Até os anos 70, computadores funcionavam por comandos de texto, eram para poucas pessoas. Steve Jobs criou o primeiro computador que podia ser operado por qualquer um. Eu estava lendo um artigo da New Yorker, onde tinha entrevistas com pessoas que trabalharam com ele no início da carreira. O artigo conta que a primeira empresa a projetar um computador com interface visual foi a Xerox. Era só um protótipo, e custava uma fortuna. Era o primeiro computador com mouse, que custava 300 dólares e quebrava em duas semanas. Era possível clicar em ícones para abrir menus, simples assim. Steve Jobs visitou o laboratório e, ao contrário da Xerox, percebeu o potencial da idéia.

Já ouvi dizer muito que o Jobs roubou a idéia da Xerox (e o Bill Gates também), mas a verdade é que ele pegou o conceito e desenvolveu para transformar em um produto de sucesso. É o que ele sempre faz: o iPhone não tem nenhuma grande tecnologia inédita criada pela Apple: o touchscreen já existia, a câmera, a antena 3G, a placa wi-fi, a memória flash, nada é novidade. O que a Apple fez foi adaptar essas tecnologias em um produto excelente, fácil de usar e, principalmente, acessível. Sim, o iPhone é caro, mas não muito mais caro do que outros smartphones muito inferiores. E ele fez a mesma coisa com o Macintosh: pegou conceitos e tecnologias pra criar algo que as pessoas não sabiam que precisavam.

Steve Jobs não inventou o mouse, mas foi ele quem enxergou o potencial e transformou um protótipo de 300 dólares que quebrava em duas semanas em um produto de 15 dólares que durava anos. Se alguém não entende a importância disso, nem deveria estar usando um computador. A combinação entre uma interface visual e um mouse foi o passo decisivo para a popularização do computador.

Steve Jobs não era um inventor, era um visionário, e também um excelente executivo, que consegue fazer dar certo produtos que todo mundo já tinha tentado e falhado (o tablet existe há mais de década, um eterno fracasso até o iPad). Mas agora olha, eu admiro o cara, entendo a importância dele e uso os produtos da Apple, mas o pessoal anda fazendo umas homenagens aí como se o cara fosse Deus, ou, pior ainda, John Lennon. Menas. Me-nas.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011